Do filme ao livro: onde visitar os cenários de ‘O Morro dos Ventos Uivantes’ e se sentir na Inglaterra oitocentista
Filme inspirado no clássico “O Morro dos Ventos Uivantes”, de Emily Brontë, evoca cenários de uma Inglaterra rural pré-industrial — e é possível visitá-los ainda hoje

O filme "O Morro dos Ventos Uivantes" chegou aos cinemas brasileiros na última quinta-feira (12) — e vem dando o que falar. O clássico de Emily Brontë conta a história de obsessão e vingança entre Heathcliff (Jacob Elordi) e Catherine Earnshaw (Margot Robbie), em uma Inglaterra rural no fim do século 18.
Contudo, a sua nova adaptação, dirigida por Emerald Fennell, incomodou os fãs ao propor uma interpretação pessoal da trama — e vem sendo considerada desleal à essência do romance. As aspas usadas no título, inclusive, são uma forma de mostrar que o filme prefere ser considerado uma releitura do clássico, e não uma adaptação fiel.
As polêmicas são muitas, a começar pelo elenco, que majoritariamente não condiz com as características físicas de seus personagens originais.
O exemplo mais discutido é o de Jacob Elordi, que foi escolhido para interpretar o protagonista Heathcliff, descrito como um “cigano de pele escura”. O traço é essencial para compreender a discriminação sofrida pelo personagem na juventude, experiência que desencadeia seu arco de vingança.

O figurino também divide opiniões, visto por muitos como anacrônico ao introduzir elementos que destoam da estética do final do século 18.
E o longa, por sua vez, assume um tom erótico, enfatizando o desejo carnal entre Catherine e Heathcliff — algo que, no livro, permanece implícito, já que a maior conexão entre os dois é, sobretudo, de alma, conforme evidencia o trecho abaixo:
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“Então ele jamais saberá o quanto o amo, e não porque ele é bonito, Nelly, mas porque é mais eu do que eu mesma. Seja qual for a substância da alma, a minha e a dele são a mesma” Catherine em 'O Morro dos Ventos Uivantes', edição Antofágica
Mas para além das inverossimilhanças, uma coisa o filme parece ter acertado: o cenário. Fundamental para a ambientação da narrativa, a adaptação retrata com fidelidade as charnecas de Yorkshire, região ao norte da Inglaterra onde a própria Emily Brontë viveu e ambientou seu romance.

Para quem deseja mergulhar no universo de O Morro dos Ventos Uivantes e percorrer charnecas como as que moldaram a história de Catherine e Heathcliff, o Seu Dinheiro reuniu os principais locais de filmagem do longa — e também os lugares que teriam servido de inspiração para a autora.
Os cenários do filme “O Morro dos Ventos Uivantes”

As cenas externas da adaptação de Emerald Fennell foram gravadas em sua maioria nas imediações do Yorkshire Dales National Park, área de 2,179 quilômetros quadrados em North Yorkshire, ao norte da Inglaterra. Veja algumas delas:
Old Gang Smelt Mill

Em Swaledale, uma das áreas mais dramáticas do parque, está a região que concentra boa parte das filmagens. É possível reconhecer as ruínas da Old Gang Smelt Mill, antiga fundição de chumbo construída em 1840, que compõe parte dos arredores do filme.
O local pode ser acessado a pé, por uma trilha que parte da ponte Surrender Bridge. O percurso completo, que dá a volta na atinga região das minas de chumbo, tem aproximadamente 9 quilômetros. Porém, o caminho da ponte até a Old Gang Smelt Mill é menor: basta 25 minutos de caminhada saindo do estacionamento.
Healaugh Crag

Próxima a fundição, está Healaugh Crag, terreno rochoso que representa parte das charnecas em “O Morro dos Ventos Uivantes”. Ali foi gravada a cena onde Catherine se lamenta da fuga de Heathcliff e anseia pelo seu retorno.
A região fica próxima ao vilarejo de Reeth, mas pode ser acessada apenas por trilha. Por isso, se quiser conhecer, é recomendável contratar ajuda de guias locais.
Bridestones Moor

Saindo do Yorkshire Dales National Park e indo para a região em que Emily Brontë realmente viveu, chegamos a West Yorkshire, onde está a reserva natural de Bridestones Moor, que serve como pano de fundo para um dos momentos mais intensos de Catherine e Heathcliff no filme.
Localizado nos arredores da cidade de Todmorden, a região é célebre por suas pedras arredondadas, moldadas ao longo de milênios pela ação do vento.
O acesso pode ser feito por uma trilha, saindo Eastwood Road, e leva cerca de 15 a 25 minutos de caminhada.
Os cenários do livro O Morro dos Ventos Uivantes
Brontë Parsonage Museum

Foi no vilarejo de Haworth, em West Yorkshire, que Emily Brontë passou a maior parte da sua vida. E é lá onde fica o Brontë Parsonage Museum, casa em que morou com suas irmãs, as também escritoras Charlotte Brontë (autora de Jane Eyre) e Anne Brontë (autora de Agnes Grey), seu irmão Branwell, que era pintor, e seu pai Patrick, que era o pároco da igreja de Haworth.
A casa-museu preserva ambientes originais da residência do século XIX, incluindo a sala de jantar onde as irmãs escreviam e liam seus textos umas às outras.
Entre os destaques estão manuscritos, cartas, objetos pessoais e a mesa em que as irmãs trabalharam. Foi ali que Emily Brontë escreveu O Morro dos Ventos Uivantes — e onde Charlotte e Anne também produziram seus romances.
Ao lado da casa, está a igreja St Michael and All Angels Church, onde o pai das irmãs era pároco. Há também o antigo cemitério da cidade (este em que a própria Emily foi enterrada). Suspeita-se que ela tenha se inspirado nele para criar a atmosfera sombria de algumas cenas de seu livro, que se passam em um cemitério.

Para visitar o Brontë Parsonage Museum, é preciso comprar um ingresso no site oficial, que custa 13 libras (R$ 92).
Top Withens

A cerca de 5 quilômetros da casa de Emily Brontë, é possível encontrar Top Withens, uma antiga casa de pedra em ruínas, em meio às charnecas de West Yorkshire.
Embora não corresponda exatamente à descrição da propriedade no romance de Emily Brontë, sua localização isolada, no alto de uma colina, e a sua estrutura austera ajudou a consolidar a fama do local como possível inspiração para O Morro dos Ventos Uivantes.
Top Withens é acessível apenas por uma caminhada de cerca de 10 quilômetros (ida e volta). Mas o percurso feito pela vegetação rasteira compensa: especialmente para quem deseja mergulhar no universo do livro e se imaginar passeando entre O Morro dos Ventos Uivantes e A Granja da Cruz dos Tordos, assim como Catherine.
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