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Depois de virar alvo de críticas dos fãs tradicionalistas na ocasião do anúncio, o Ferrari Luce foi arrematado por um valor 35 vezes superior ao lance inicial em leilão realizado nos Estados Unidos

Os carros elétricos não são exclusividade das fabricantes chinesas e da Tesla. Montadoras de automóveis de luxo também têm se posicionado para atender à demanda por veículos com menor pegada de carbono. O que talvez não se esperasse é que a primeira Ferrari elétrica se transformasse no carro mais caro já vendido em leilão.
Aconteceu na Monterey Car Week com o Luce "Chassis 0". O primeiro modelo totalmente elétrico da Ferrari foi arrematado por US$ 40 milhões (cerca de R$ 208,7 milhões na cotação atual).
Leiloado pela RM Sotheby's, o veículo estabeleceu o recorde de carro "zero km" mais caro já vendido em leilão. O valor pago é cerca de 35 vezes superior à estimativa original de US$ 1,1 milhão.
De acordo com a montadora, todo o valor arrecadado com a venda será doado à Fundação Ferrari para apoiar iniciativas educacionais. O comprador, cuja identidade não foi revelada, deverá receber o carro no primeiro trimestre de 2027.
Com um design diferente do adotado nos modelos tradicionais da Ferrari, o Luce terá suas primeiras unidades destinadas ao público entregues a partir do quarto trimestre de 2026. O preço de tabela do modelo foi fixado em cerca de 550 mil euros (US$ 640 mil, ou R$ 3,3 milhões).
O "Chassis 0", nome dado à primeira unidade produzida e leiloada do Ferrari Luce, foi concebido para destacar a exclusividade do modelo.
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Segundo a RM Sotheby's, o exemplar arrematado por US$ 40 milhões conta com acabamento semibrilhante de aspecto perolado. Ele recebeu ainda um pigmento exclusivo que faz a lataria exibir reflexos que variam do verde ao violeta, conforme a incidência da luz.
O interior segue a proposta personalizada, com revestimento em couro metálico Perla Le Mans.


Apresentado em maio deste ano, a Luce — "luz", em italiano — é um carro que representa "um tipo diferente de Ferrari para um tipo diferente de cliente Ferrari", segundo a própria montadora.
Diante da estratégia da Ferrari de ingressar no mercado de veículos eletrificados, o modelo recebeu críticas negativas quando foi apresentado. Parte delas apontava um afastamento dos traços tradicionais e da identidade da marca, tanto por se tratar de um carro elétrico quanto por contar com cinco lugares.
Essa reação inicial fez com que as ações da montadora italiana caíssem mais de 8% na Bolsa de Milão na ocasião do anúncio.
O diretor de design da empresa, Flavio Manzoni, reagiu às críticas afirmando que elas fazem parte do processo de inovação, e disse acreditar que as pessoas mudariam de ideia acerca de Luce.
Meses depois, o carro elétrico da Ferrari superou todos os recordes ao atingiu US$ 40 milhões no leilão ocorrido nos Estados Unidos.
*Sob supervisão de Ricardo Gozzi.
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