Nem Paris, nem Milão: por que a Copenhagen Fashion Week é a semana de moda que você deveria estar acompanhando?
Completando 20 anos em 2026, semana dinamarquesa reuniu uma indústria fragmentada e ajudou a reescrever, para além de suas passarelas, as regras do que se entende como moda sustentável

Janeiro ainda nem terminou, mas o calendário da moda global segue agitado. Mal passamos as semanas de moda masculina de Milão e Paris e já entramos na Haute Couture Week parisiense. Mais ao norte, porém, outro evento rouba a cena neste mês, justamente na Dinamarca, tão em voga neste 2026. É lá que, desde segunda-feira (26), acontece a edição especial de 20 anos da Copenhagen Fashion Week.
Palco para o lançamento de talentos nórdicos, a semana celebra uma história de inovação, mas também seu impacto como vitrine sustentável internacional. Longe dos desfiles espetaculares das maisons francesas ou do utilitarismo das passarelas de Nova York, a tônica aqui é a moda que vê o futuro.
"A CPHFW ajudou a normalizar a conversa de requisitos e regras mais rígidas dentro de um ambiente que sempre foi pautado por imagem", explica Symone Rech, especialista em negócios de moda e fundadora da plataforma de tendências New & Now. "Eu não diria que ela sozinha mudou o comportamento global de mercado, mas ela criou uma régua de comparação."
Na prática, isso deverá aparecer nas 26 marcas desfilam no evento até quinta-feira (29). A expectativa é pelo retorno de veteranos, como Nicklas Skovgaard, mas também por marcas referência em economia circular, como Rave Review. Há ainda estreantes que se alinham aos requerimentos do calendário nórdico para participar do evento, como Paolina Russo.

Uma capital mundial da moda
Realizada desde 2006, a CPHFW nasce da visão da editora de moda Eva Kruse para uma indústria nacional então fragmentada. Para ela, a metrópole dinamarquesa tinha condições de tornar-se a quinta capital da moda global, junto a Londres, Milão, Paris e NYC.
De lá para cá, tanto o evento, quanto a moda dinamarquesa deram um salto. Enquanto marcas como Ganni e Cecilie Bahnsen expandiram suas operações além da fronteira, a indústria elevou em 84% o total de exportações.
Leia Também
Atualmente, o setor têxtil do país movimenta 87 bilhões de coroas dinamarquesas (cerca de US$ 13,72 bilhões) e é responsável por 96 mil empregos no país. Falando apenas em exportações, essa fatia supera a marca de 5% do total dos produtos que saem da Dinamarca.
Desde o início, explica Rech, o evento surge com uma postura de responsabilidade ambiental e transparência presente na cultura nórdica. No entanto, é a partir de 2018, que o calendário passa a assumir alguns compromissos ainda maiores com a sustentabilidade. Em grande medida, isso ocorre com a chegada de Cecilie Thorsmark ao cargo de CEO da CPHFW.

A regra do jogo
Com Thorsmark à frente a partir de 2018, se estabelecem metas e linha de trabalho para marcas e desfiles. Ao mesmo tempo, se forma um conselho consultivo de sustentabilidade.
Mas as aspirações ambientais ficaram mesmo evidentes com os 19 fundamentos obrigatórios que o evento desenvolveu. São determinações em áreas como direção estratégica, materiais e condições de trabalho dos parceiros. As medidas incluem até regras claras sobre como cada marca produz seus desfiles. Nelas há desde a restrição a itens de uso único até práticas melhores de produção do evento em si.
O compromisso se estendeu também ao campo social com a Carta Ética da Moda Dinamarquesa, criada para proteger o bem-estar dos profissionais da indústria.
"Não é um selo perfeito, mas é uma regra pública que condiciona a participação no line-up da semana de moda", diz Rech. "A partir daí o evento passou a ser visto como um laboratório. Como uma semana que testa caminhos mais realistas para reduzir impacto, sem perder aquela força criativa que a moda tanto precisa."
Mais que uma semana de moda
Para a especialista, no entanto, parte importante do impacto da CPHFW na indústria acontece quando outros eventos europeus passam a adotar os critérios estabelecidos na Dinamarca.
É o caso, por exemplo, da Semana de Moda de Berlim, que em 2024 anunciou a adoção dos requerimentos mínimos de Copenhagen. Na ocasião, o secretário de estado alemão para assuntos econômicos, Michael Biel, ainda garantiu o investimento de 180 mil euros para a implementação das regras na plataforma até o ano seguinte.
Em 2025 foi a vez do British Fashion Council, organizador da semana de moda de Londres, dar mais um passo na direção dinamarquesa. Por lá, a adoção dos critérios começou no BFC NEWGEN, programa de apoio a designers emergentes, com previsão de implementação até este mês, de janeiro de 2026.
Em entrevista à Elle, Cecilie Thorsmark afirmou que esse movimento é o que eleva a CPHFW de uma semana de moda a uma plataforma de transformação. “Precisamos de uma massa crítica e de mais players além de nós”, refletiu a CEO. “É realmente encorajador ver que outras semanas de moda seguiram e ainda seguem nossos passos.”
“Eu diria que é um efeito de referência, quando outras semanas e instituições começam a adotar o modelo da CPHFW como base”, defende Rech. “Quando um evento passa a exigir compromissos mínimos e transparência para fazer parte do calendário, isso muda a forma como os compradores internacionais avaliam as marcas. Especialmente quando a gente tá falando de marcas menores, que precisam demonstrar coerência para competir fora da sua região.”

Fashion victim
É claro que, ao assumir um compromisso com a pauta da moda sustentável, a CPHFW atraiu para si uma lupa imensa. Trata-se, afinal, de uma iniciativa na contramão do que se espera de uma das indústrias mais poluentes do planeta.
- Hoje, de acordo com a ONU, a indústria da moda é responsável, sozinha, por 8% do total de emissões de gás de efeito estufa na atmosfera. Além disso, ela consome 215 trilhões de litros de água todos os anos, o equivalente a 86 milhões de piscinas Olímpicas.
Em 2025, ONGs dinamarquesas teriam apontado inconsistências na comunicação das marcas participantes da CPHFW. Na prática, isso configuraria o chamado greenwashing, quando uma organização atrai para si o rótulo de sustentável sem comprometer-se, de fato, com os resultados.
As denúncias, que foram parar ultimamente nos órgãos de defesa do consumidor dinamarqueses, acabaram não sendo levadas adiante,
“A estrutura da CPHFW omite preocupações importantes sobre volumes de produção, não classifica o que entende por longevidade e, muitas vezes, promove o que já é exigido por lei como um benefício de sustentabilidade. Lideranças foi alertada repetidamente sobre esses problemas, mas eles continuam sem solução”, disse Tanja Gotthardsen, uma ativista dinamarquesa anti-greenwashing, à Forbes no ano passado.
Para Symone, o fato de acusações surgirem, mesmo que não tenham sido levadas adiante em 2025, não é necessariamente negativo para o evento ou pela causa que ele defende. Em vez de encerrar o debate, a especialista diz que “esse tipo de crítica é quase inevitável quando a gente tá falando de sustentabilidade, ou quando a sustentabilidade vira posicionamento central, porque aumenta muito o nível de cobrança”, diz. “De certa forma isso é saudável para o mercado da moda.”
O estado e a direção
Mais que esperar uma estrutura infalível ou um retrato imutável do futuro da moda, no entanto, a recomendação é olhar para o que acontece essa semana na Dinamarca de uma forma propositiva, acredita Symone.

“Hoje não existe hoje um sistema completo de produção, consumo e descarte que seja 100% sustentável, viável, ao mesmo tempo, para a indústria e para o consumidor. Sustentabilidade não é um estado final, é uma direção feita de avanços graduais, escolhas melhores e redução de impacto”, diz.
“Então, o papel da CPHFW não é vender a ideia da perfeição, é ajudar a indústria a caminhar para modelos mais responsáveis, sem desconectar produto, desejo e viabilidade econômica.”
VISTAS DE MEMBECA
Árvores em pelo menos 10% do terreno e VGV de R$ 20 milhões: como vai ser o empreendimento imobiliário do ator Bruno Gagliasso no interior do RJ
15 de setembro de 2026 - 14:28NEGÓCIOS COMO DESTINO
Maior feira de turismo da América Latina chega a São Paulo com mais de 2.000 marcas
15 de setembro de 2026 - 9:16IGUARIA BRASILEIRA
Ostras em lata por R$ 99? Chef cria indústria de moluscos e quer mudar imagem do enlatado no Brasil
15 de setembro de 2026 - 8:16CONFUSÃO NA MODA
Protesto causa briga física na passarela da Semana de Moda de NY. Relembre outras polêmicas dos ativistas
14 de setembro de 2026 - 15:40VERÃO LADO B
48h em Zurique, a cidade não-óbvia para um verão europeu à beira lago
14 de setembro de 2026 - 8:16DIA DA CACHAÇA
Como Luiz Alves, capital catarinense da cachaça, fatura com garrafas de até R$ 1.000 e Selo de Origem
13 de setembro de 2026 - 10:02COMEÇA QUINTA
Rio Gastronomia reúne Ferrugem, Marcelo D2 e outros artistas; veja datas e quanto custam os ingressos
13 de setembro de 2026 - 9:00SAÚDE ALTO PADRÃO
Condomínio de luxo da JHSF ganha ‘hub’ de saúde com diálise e resgate de helicóptero
12 de setembro de 2026 - 11:26ESCÂNDALO REAL
Traição, R$ 1,6 milhão e crise na realeza: a história do “vestido da vingança” de Lady Di que será leiloado
12 de setembro de 2026 - 9:00BEBIDA BRASILEIRA
Dia da Cachaça: 10 rótulos premiados produzidos em diferentes estados do Brasil, de Minas Gerais à Paraíba
12 de setembro de 2026 - 8:00IR DE IMPACTO
Com leilão, organização quer mostrar potencial de Imposto de Renda em projetos de impacto social
11 de setembro de 2026 - 16:57AO AR LIVRE
Open Air Brasil: quanto custa e como assistir ao maior cinema a céu aberto do mundo em São Paulo
11 de setembro de 2026 - 15:30NOVO JOGO DE NADAL
O lado de Rafael Nadal que poucos sabem: conheça o império hoteleiro do tenista aposentado
11 de setembro de 2026 - 9:16LINHA DO TEMPO
A febre Raphael Montes: o sucesso, o cinema e seu novo romance, ‘A Estranha na Cama’
11 de setembro de 2026 - 8:16O PREÇO DO SUCESSO
Airbnb na mira: Japão limita hospedagens em meio a recorde de turismo no país
10 de setembro de 2026 - 18:40CARTA MARCADA
Como este restaurante montou a carta de vinhos portugueses mais completa de São Paulo
10 de setembro de 2026 - 17:02CINEMA
Oscar 2027: conheça os 6 filmes que concorrem para representar o Brasil na busca por prêmio de Melhor Filme Internacional
10 de setembro de 2026 - 11:22POR TRÁS DO PREÇO
Volvo ES90: o que explica o preço do sedã elétrico que devolve a categoria ao portfólio da marca
10 de setembro de 2026 - 8:16OS LANÇAMENTOS DA MAÇÃ
Apple apresenta iPhone Duo, seu primeiro celular dobrável; veja nova geração de produtos
9 de setembro de 2026 - 18:30DO LIXO AO LUXO