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A fotobiomodulação capilar utiliza fontes de luz, como laser de baixa intensidade ou LED, para estimular o crescimento do cabelo; investigamos se vale a pena o investimento

De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), cerca de 42 milhões de brasileiros convivem com algum grau de queda de cabelo. Nesse cenário, para estimular o crescimento capilar, o tratamento-padrão costuma envolver uso do minoxidil, associado ou não a bloqueadores hormonais, como finasterida e dutasterida.
No entanto, um novo procedimento está em alta nos Estados Unidos e vem ganhando cada dia mais espaço no Brasil: o tratamento com luz de LED ou laser de baixa intensidade.
A técnica faz parte da chamada fotobiomodulação capilar, que utiliza fontes de luz para estimular a circulação de sangue no couro cabeludo. Inserida em bonés, capacetes e outros dispositivos, a tecnologia vem sendo vendida como uma alternativa prática, indolor e não invasiva para quem deseja estimular o crescimento dos fios sem precisar sair de casa (ou bater ponto no consultório médico).
Mas será que a estratégia realmente funciona? E mais: vale investir o seu dinheiro em um aparelho como esse?

Embora apareçam frequentemente juntos quando o assunto é fotobiomodulação capilar, laser e LED não são a mesma coisa.
“O laser e o LED são estruturas e tecnologias diferentes, mas para o mesmo objetivo”, explica o médico dermatologista Alberto Cordeiro, titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia e dono da clínica Hōraios, em São Paulo.
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“Enquanto o laser é uma luz mais intensa, coerente e focada, com um comprimento de onda específico, o LED é uma luz mais dispersa e menos potente. Na prática, tanto o laser quanto o LED vão fazer uma modulação daquele ambiente. Eles penetram na célula, chegam à mitocôndria e fazem essa mitocôndria produzir mais energia”, afirma Cordeiro.
Além desse estímulo celular, a luz também pode promover uma vasodilatação local — isto é, uma dilatação dos pequenos vasos sanguíneos do couro cabeludo. Assim, com maior circulação na região, a oferta de nutrientes e oxigênio para os folículos aumenta, o que pode contribuir para o crescimento dos fios.
Uma das principais vantagens dessa estratégia é a praticidade. Isso porque dispositivos como bonés e capacetes de LED permitem que o tratamento seja feito em casa, sem dor e em sessões rápidas, que costumam variar de 7 a 20 minutos. Além disso, os riscos são baixos, já que os aparelhos trabalham com potências menores.
No Brasil, já existem dispositivos de uso domiciliar à venda, como os da marca brasileira Capellux. Seus produtos, que consistem em bonés e capacetes de LED, são certificados pela Anvisa.
Um deles é o Boné Capellux, no valor de R$ 1.327,15. A marca indica o modelo para pessoas com menor volume de cabelo ou fios mais finos, e sugere uso diário de 12 minutos. Há também o Capacete Capellux i9, opção para quem tem maior volume e densidade de cabelo. O aparelho custa R$ 2.997,50 e recomenda uma sessão de 7 minutos por dia.

Nos EUA, onde o tratamento é mais popular, existem ainda mais opções de aparelhos. Um deles é o CurrentBody Skin LED Hair Regrowth Device, capacete de LED que já foi apontado por revistas de beleza internacionais (como Women’sHealth e Elle) como o melhor do mercado. O dispositivo, inclusive, foi um dos “mimos” da gift bag do Globo de Ouro 2026.

À venda no site da marca por US$ 859,99 (cerca de R$ 4.460), o aparelho indica sessões de 10 minutos por dia e promete resultados a partir de 12 a 16 semanas de uso. Com conexão USB e headphone integrado, o usuário consegue escutar música enquanto faz o tratamento.
Outra alternativa é o boné da HigherDOSE, vendido por US$ 449 (cerca de R$ 2.328). O modelo recomenda uso diário de 10 minutos e prevê resultados em 16 semanas.

Já o Theradome PRO LH80, no valor de US$ 995 (ou cerca de R$ 5.160), segue outra linha: usa laser de baixa intensidade, e não LED. Recomendando uma sessão de 20 minutos por duas vezes na semana, prevê diminuição da queda de cabelo em 30 dias e aumento no crescimento dos fios em 90 dias.

Em consultório, os equipamentos tendem a ser mais potentes do que os aparelhos de uso domiciliar. Segundo a médica dermatologista Débora Cardial, membro da Sociedade Brasileira de Laser, isso permite um estímulo maior, mas também exige acompanhamento profissional.
Em clínicas de dermatologia, o investimento pode variar. Uma sessão de tratamento com laser capilar pode custar de R$ 800 a R$ 3.000, dependendo da clínica, do equipamento e do protocolo associado.
A frequência também muda caso a caso. As sessões podem ser semanais, quinzenais ou mensais. A médica explica: “Fazer uma sessão muito espaçada da outra não costuma dar resultado. Normalmente, os estudos falam em resultado em 12 semanas. Então, é preciso manter constância pelo menos até completar esse período”, afirma.
Tanto em homens quanto mulheres, a fotobiomodulação pode ajudar a melhorar o ambiente do couro cabeludo e estimular fios que ainda estão vivos — mas não faz milagre. Se a alopecia androgenética (mais conhecida como calvície) estiver em estágio avançado, com perda definitiva do folículo, a luz não consegue trazer de volta um fio que já não existe.
Por outro lado, Alberto Cordeiro pontua que a fotobiomodulação pode ser interessante em casos de eflúvio telógeno: uma queda de cabelo temporária que pode ser causada por fatores como estresse emocional, pós-parto, amamentação, dietas restritivas e emagrecimento rápido. “Não à toa, muitos pacientes que fazem uso das canetas emagrecedoras estão buscando esse tratamento”, comenta.

De acordo com os especialistas entrevistados, a resposta depende do orçamento — e do diagnóstico. Se o diagnóstico for alopecia androgenética, o LED pode ajudar como complemento, mas dificilmente será suficiente sozinho.
Essa leitura também aparece em pesquisas recentes. Uma revisão publicada na Skin Appendage Disorders apontou que a LEDterapia capilar tende a apresentar melhores resultados quando associada a tratamentos convencionais, como o minoxidil.
Se o caso for eflúvio telógeno, o LED pode entrar como estímulo adicional, mas a correção do gatilho (seja ele nutricional, hormonal, metabólico ou emocional) continua sendo essencial.
Para quem não tem alopecia androgenética e está enfrentando queda de cabelo, o primeiro passo deveria ser investigar os gatilhos, defende o doutor Alberto.
“Só tem cabelo bonito quem tem um sistema metabólico funcionando bem. Se a sua parte metabólica for ruim, a primeira coisa que o corpo vai fazer é deixar cabelo e unha em segundo plano”, afirma o médico.
Por esse motivo, na sua clínica Hōraios, a investigação começa com a tricoscopia. O exame é feito com uma lente de aumento que permite avaliar o couro cabeludo, a quantidade de fios, a presença de fios miniaturizados e a qualidade da região. Depois, são solicitados exames de sangue para identificar possíveis alterações sistêmicas.

“A gente sempre prioriza primeiro tratar sistematicamente o paciente. Se tem hipotireoidismo, trata tireoide. Se tem deficiência de vitamina, repõe. Primeiro tem que tratar o corpo para depois pensar na parte mais específica, que é o cabelo”, afirma.
A partir daí, o tratamento pode combinar medicamentos orais ou tópicos em casa e diferentes procedimentos em consultório. “Gosto de associar várias técnicas, como laser, mesoterapia, e microagulhamento – um em cada sessão”, explica o doutor.
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