A casa bola que parece flutuar está à venda por R$ 18 milhões em São Paulo
Após atrair milhares de visitantes com uma exposição, o legado futurista do arquiteto Eduardo Longo volta aos holofotes com a venda de uma de suas obras mais emblemáticas

A segunda Casa Bola criada pelo arquiteto Eduardo Longo acaba de ser colocada à venda em São Paulo por R$ 18 milhões. Localizada no Jardim Guedala, Zona Sudoeste de São Paulo, a residência chama atenção por sua estrutura esférica suspensa sobre um único pilar, que cria a impressão de que a construção flutua sobre o terreno.
Considerada uma das obras mais emblemáticas da arquitetura experimental brasileira, a casa volta aos holofotes em um momento de interesse renovado pelo trabalho de Longo. Recentemente, sua icônica Casa Bola original foi aberta ao público pela primeira vez durante a exposição ABERTO5, realizada na Faria Lima até o mês passado.

O homem que imaginou casas para o futuro
Nascido em São Paulo, Eduardo Longo tornou-se um dos personagens mais singulares da arquitetura brasileira. Enquanto boa parte dos arquitetos de sua geração seguia os princípios do modernismo consagrado por nomes como Oscar Niemeyer e Vilanova Artigas, Longo decidiu trilhar um caminho próprio.
Sua obsessão era encontrar formas alternativas de habitar as cidades. Inspirado por pesquisas sobre estruturas geodésicas, arquitetura espacial, design industrial e até pela corrida espacial das décadas de 1960 e 1970, passou a desenvolver projetos que rejeitavam linhas retas e ângulos convencionais.
Para Longo, a esfera representava uma forma mais eficiente, resistente e integrada ao ambiente. O arquiteto defendia que as habitações do futuro deveriam ser compactas, flexíveis e capazes de romper com os padrões tradicionais de ocupação urbana.
Não por acaso, muitas pessoas associam suas obras a cápsulas espaciais, discos voadores ou cenários futuristas. Décadas depois de sua construção, elas continuam parecendo vindas de um tempo que ainda não chegou completamente.
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Uma esfera suspensa sobre o Jardim Guedala
Construída em 1980, a residência agora colocada à venda representa uma evolução do conceito desenvolvido na Casa Bola original, aliás. O imóvel integra o portfólio do PilarHomes, marketplace imobiliário da proptech Pilar especializado em imóveis de alto padrão, e tem comercialização conduzida pela Nobile Casas. O valor do imóvel é de R$ 18 milhões ou R$ 15 mil por mês para aluguel e IPTU mensal de R$ 3.363,71.

Diferentemente da primeira versão, Longo adaptou a casa a um terreno inclinado e, para isso, criou uma solução estrutural ainda mais ousada: uma esfera aparentemente suspensa sobre um único pilar central. O resultado é uma construção que parece desafiar a gravidade e flutuar sobre o terreno.
Maior do que parece
Quem olha por fora, no entanto, pode até pensar erroneamente não se tratar de uma casa espaçosa. Com 328 metros quadrados de área privativa, o imóvel possui quatro dormitórios, incluindo duas suítes, além de um anexo com amplo ateliê, churrasqueira, lavanderia e dependências de serviço. A garagem acomoda quatro veículos.
Mas o principal atrativo talvez não esteja na metragem ou na localização. Em um mercado dominado por empreendimentos cada vez mais parecidos entre si, a Casa Bola se destaca pelo valor histórico e arquitetônico que carrega. Assinada por um dos nomes mais singulares da arquitetura brasileira, a residência reúne características que a aproximam mais de uma obra do que de um imóvel convencional.

A configuração dos espaços também permite usos que vão além da moradia. Como, por exemplo, galerias, institutos culturais, ateliês, escritórios criativos e outros projetos ligados à arte, ao design e à economia criativa. Ao mesmo tempo, o imóvel preserva o caráter experimental idealizado por Eduardo Longo.
Por dentro, a Casa Bola mantém a lógica experimental que a tornou famosa. Distribuídos em três níveis interligados por rampas, os ambientes seguem um fluxo contínuo, sem as divisões rígidas encontradas em residências convencionais. Em cada percurso, a geometria circular reafirma a proposta de Longo de repensar não apenas a forma da casa, mas também a maneira de habitá-la.
Casa Bola na Faria Lima
A negociação da casa no Jardim Guedala acontece em um momento especialmente simbólico para o arquiteto. Até o mês passado, uma outra Casa Bola, construída entre 1974 e 1979, onde, Longo inclusive viveu com sua família por cerca de 40 anos, esteve no centro da exposição ABERTO5.
A mostra ocupou pela primeira vez o imóvel e permitiu que o público conhecesse por dentro uma das obras mais misteriosas da arquitetura brasileira. Quem passou pela Avenida Faria Lima entre março e maio se deparou com a casa, que, ao longo de 2 meses, recebeu por volta de 20 mil visitantes.
A abertura do imóvel ao público teve um significado histórico. Embora seja frequentemente citada em livros e publicações especializadas, a Casa Bola original permaneceu durante décadas praticamente inacessível aos visitantes. Pela primeira vez, o público pôde explorar seus cerca de 1.000 metros quadrados distribuídos em três pavimentos, terraço e a icônica esfera suspensa que se tornou símbolo da obra de Longo.
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