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Ventos e correntes empurram organismos altamente tóxicos para o litoral do Sul do RS; guarda-vidas registraram mais de 500 atendimentos

Séculos após a chegada das primeiras caravelas portuguesas ao Brasil, outras “caravelas” voltaram a surgir no litoral — desta vez, não para ocupar territórios, mas para dominar a faixa de areia.
Um aumento expressivo de queimaduras provocadas por caravelas-portuguesas e águas-vivas atingiu a Praia do Cassino no início desta semana, com 576 registros feitos pelos guarda-vidas durante um feriado local.
Do total de casos, dez pessoas precisaram de atendimento na UPA do Cassino e nove apresentaram quadro considerado moderado. A ocorrência mais grave envolveu uma menina de 12 anos, que sofreu queimaduras na região do tórax.
Os episódios também funcionam como alerta para um risco frequentemente subestimado por quem vê o animal encalhado na areia.
A caravela-portuguesa (Physalia physalis) não é uma água-viva, embora pertença ao mesmo grupo dos cnidários. Trata-se de um organismo colonial, mais agressivo e tóxico, com tentáculos cheios de células urticantes que liberam um veneno de ação neurotóxica, capaz de atingir o sistema nervoso e a musculatura.
O contato causa dor intensa e imediata, e as marcas podem permanecer por semanas ou até meses. Por isso, é considerada muito mais tóxica do que as águas-vivas comuns encontradas no litoral brasileiro.
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A explicação é direta: a chegada de uma frente fria alterou a direção dos ventos para o sudoeste, empurrando os animais do oceano aberto em direção à costa e fazendo com que encalhassem nas praias do Sul do Brasil.
As caravelas-portuguesas são mais frequentes em áreas tropicais, como Norte e Nordeste. No Sul, a presença depende de condições oceanográficas específicas. O último grande registro na região ocorreu em 2002.
Os guarda-vidas alertam: não toque nas caravelas, nem mesmo quando estiverem fora da água. Os tentáculos continuam ativos mesmo encalhados na areia.
Em caso de queimadura:
Se surgirem sintomas mais graves, como febre, vômitos ou desmaios, procure atendimento médico.
Localizada no município de Rio Grande (RS), a 334 quilômetros de Porto Alegre, a Praia do Cassino é o principal atrativo de um complexo que reúne hotéis, colônias de férias, restaurantes, boates, bares, sociedades recreativas e diversos serviços.
Segundo o site de turismo do Governo do Rio Grande do Sul, o Balneário Cassino recebe cerca de 150 mil turistas do Brasil e dos países do Prata (Uruguai, Paraguai e Argentina) durante o verão.
Mas o que realmente garantiu à Praia do Cassino seu “lugar ao sol” foi a extensão de sua orla, que ultrapassa os 200 quilômetros, sendo a maior faixa contínua de areia do litoral brasileiro.
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