Você recebe na conta-salário? O Pix vai ganhar uma função nova para você; veja o que muda
Banco Central anuncia pacote de mudanças no sistema de pagamentos, que vai de conta-salário a boletos via Pix; confira

Pagar a academia, a conta de luz e o streaming via Pix, sem precisar tirar o dinheiro da conta-salário, é uma comodidade que muitos brasileiros não têm atualmente, mas terão a partir de 2027. Essa é uma das mudanças previstas pelo Banco Central em um novo pacote de aperfeiçoamentos do sistema de pagamentos instantâneos.
As medidas anunciadas nesta sexta-feira (18) também ampliam mecanismos de proteção em casos de suspeita de fraude e melhoram o sistema para pagamento de boletos com QR Code Pix.
Veja o que muda no Pix
Pix Automático na conta-salário
O Banco Central autorizou o uso do Pix Automático a partir de contas-salário. Trata-se da mudança mais relevante do pacote anunciado e entra em vigor em 1º de julho de 2027.
Atualmente, esse tipo de conta possui regras mais restritivas e não permite operações da mesma forma que uma conta-corrente tradicional.
Com a mudança, o trabalhador poderá autorizar cobranças recorrentes, como mensalidades, planos, assinaturas e contas de consumo, diretamente da conta em que recebe seu salário.
Para quem recebe o pagamento em conta-salário, isso elimina uma etapa burocrática e chata: transferir o dinheiro para outra conta apenas para conseguir pagar determinados compromissos.
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Mas atenção, outras restrições da conta-salário continuam existindo — como não poder receber transferências Pix comuns.
As exceções permanecem as mesmas: devoluções de Pix e pagamentos feitos pela Secretaria do Tesouro Nacional.
Pix marcado por suspeita de fraude
Outra mudança importante envolve os mecanismos antifraude do Pix.
Atualmente, instituições financeiras podem registrar no Diretório de Identificadores de Contas Transacionais (DICT) uma marcação de "suspeita de fraude" associada a chaves Pix.
O problema é que muitas vezes o usuário sequer sabe que essa marcação existe na sua chave.
A partir de 1º de fevereiro de 2027, os bancos e instituições financeiras terão que avisar o cliente quando uma marcação desse tipo aparecer para a chave Pix.
Mais do que isso, o usuário terá direito a:
- receber informação sobre a data da marcação;
- conhecer os canais de atendimento para esclarecimentos;
- pedir revisão da decisão; e
- obter respostas em até sete dias.
Se a instituição concluir que não há elementos suficientes para sustentar a suspeita, ela deverá cancelar a marcação.
A mudança é importante e aumenta a transparência do sistema.
Uma marcação equivocada pode gerar transtornos ao usuário sem que ele entenda exatamente o motivo. Com as novas regras, o cidadão ganha um procedimento formal para contestação e revisão.
Boletos com Pix sem duplicidade
Nesta leva de ajustes, o Banco Central também regulamentou a chamada “cobrança híbrida”, um modelo amplamente utilizado por empresas e varejistas nos últimos tempos.
Trata-se dos boletos que oferecem suas formas de pagamento na mesma cobrança: o código de barras tradicional e o QR Code Pix.
A melhoria no sistema deve evitar situações em que o mesmo boleto seja pago duas vezes ou permaneça disponível para pagamento após a quitação por meio de uma das opções oferecidas.
Essa novidade entra em vigor em 1º de fevereiro de 2027.
Pelas novas regras:
- o Pix Cobrança deverá ser cancelado quando o boleto for pago;
- instituições deverão recusar pagamentos quando o título já estiver quitado;
- se uma falha operacional permitir uma cobrança indevida, a instituição terá de corrigir o problema com recursos próprios.
Mudanças para as instituições
Além das medidas que afetam o dia a dia do consumidor, o Banco Central promoveu algumas alterações na governança do sistema.
A partir de agora, instituições poderão ser dispensadas de participar do Pix.
O BC criou a possibilidade de dispensar da participação obrigatória algumas instituições com mais de 500 mil contas ativas quando as características do negócio não justificarem acesso à infraestrutura do sistema de pagamentos.
Além disso, a autoridade definiu novas regras para instituições em liquidação ou com problemas financeiros.
Instituições submetidas à liquidação extrajudicial serão suspensas imediatamente do sistema do Pix.
Ainda assim, o liquidante poderá solicitar ao Banco Central um processo de saída ordenada, com foco em facilitar a retirada de recursos pelos próprios clientes e evitar transtornos em situações de encerramento das atividades.
Por fim, uma última mudança imediata é a aceleração das penalidades.
Até agora, quando uma instituição era excluída do Pix por decisão definitiva, a saída ocorria após um período de 30 dias.
Com a nova regra, o desligamento ocorrerá imediatamente após a comunicação da decisão. Segundo o BC, a medida reduz riscos para a segurança e para o funcionamento do sistema.
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