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CONTAS A PAGAR

Apesar do início do ciclo de queda da Selic, famílias endividadas batem recorde e chegam a 80,4% dos brasileiros

Enquanto o corte dos juros ainda não fez efeito, a pesquisa mostra que o endividamento aumentou entre os brasileiros de rendas mais altas

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Número de endividados no país bate recorde em janeiro - Imagem: Freepik

O início do ciclo de queda da taxa Selic ainda não fez nem cócegas no endividamento dos brasileiros. Dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostram que, em março, as dívidas bateram recorde e chegaram a 80,4% das famílias. No mesmo período do ano passado, o percentual era de 77,1%.

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Apesar de o ciclo de afrouxamento monetário ter começado em março, José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, explica que o endividamento deve continuar em trajetória de alta até que os efeitos do corte dos juros cheguem efetivamente ao consumidor final.

"A redução gradativa dos juros começou, mas ainda vemos um aumento do nível de famílias endividadas, pois levaremos meses até que o alívio do aperto monetário faça efeito."

Além dos juros altos, a CNC indica que as incertezas inflacionárias geradas pelas tensões globais também forçam o uso do crédito para despesas básicas.

"Somado aos juros elevados, a alta dos preços do diesel e combustíveis tem gerado incerteza inflacionária. Esse aumento logístico repercute nos preços das mercadorias, reduzindo o poder de compra", diz o estudo.

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A pesquisa considera como dívidas as contas a vencer nas modalidades:

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Copo meio cheio ou vazio?

Embora o endividamento tenha batido recorde no último mês, houve ligeira melhora na proporção de pessoas que se consideram "muito endividadas". Em fevereiro, esse percentual foi de 16,1%. Já em março, o valor registrado foi de 16%.

O comprometimento da renda com dívidas também caiu timidamente, de 29,7% para 29,6% em março.

Sobre a inadimplência, que representa as dívidas em atraso, o patamar segue o mesmo e não apresentou melhora nem piora.

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Em março, a fatia de famílias com débitos atrasados permaneceu em 29,6%, o mesmo percentual de fevereiro.

No entanto, quando comparado com o mesmo período do ano passado, o cenário de inadimplência apresentou uma piora. Em março de 2025, o indicador registrou 28,6% dos brasileiros com dívidas atrasadas.

Um padrão semelhante também pode ser visto entre as famílias que estão em dívidas e afirmam que não terão condições a pagar.

Cerca de 12,3% dos brasileiros acreditam que devem continuar inadimplentes — um avanço em comparação com o percentual de 12,6% de fevereiro e piora com base no ano passado, quando a proporção foi de 12,2%.

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Rendas elevadas estão mais endividadas?

Apesar de os percentuais serem bastante próximos entre as faixas de renda, o aumento no endividamento em março ficou mais concentrado entre as camadas mais elevadas, mostra a pesquisa da CNC.

Na faixa de renda baixa, o endividamento permaneceu o mesmo em março, com 82,9%. Na classe média baixa, o indicador teve até uma ligeira queda e ficou em 82,6%.

Já entre quem recebe entre cinco e dez salários mínimos, as dívidas pioraram de 78,7% para 79,2%. Nas famílias com renda acima de 10 salários, a fatia também subiu de 69,3% para 69,9%.

Outro destaque em relação ao aumento do endividamento das rendas mais elevadas é a inadimplência.

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Enquanto a maioria dos grupos participantes da pesquisa reduziu as dívidas em atraso, as famílias que recebem entre cinco e dez salários mínimos ficaram mais inadimplentes: de 21,7%, em fevereiro, para 22,1%, em março.

*Com informações de Estadão Conteúdo

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