Vale (VALE3): Previ promete levar disputa pelo comando do conselho aos acionistas após decisão que causou “desconforto”
Fundo de previdência dos funcionários do Banco do Brasil contesta decisão do Conselho de Administração e mantém apoio à troca do presidente do colegiado

A disputa pela governança da Vale (VALE3) ganhou um novo capítulo. A Previ, fundo de previdência dos funcionários do Banco do Brasil e maior acionista individual da mineradora, afirmou ter ficado "desconfortável" com a decisão do Conselho de Administração de rejeitar parte das mudanças propostas pela entidade.
Agora, a fundação pretende concentrar esforços na Assembleia Geral Extraordinária (AGE), marcada para 22 de julho, quando os acionistas votarão sobre a composição do conselho e a presidência do colegiado.
Ao jornal O Globo, a diretora de Participações da Previ, Adriana Chagastelles, disse que a entidade considerou inadequado o fato de a reunião do conselho que analisou o pedido ter sido presidida por Daniel Stieler, justamente o conselheiro cuja destituição estava em discussão.
"Lógico que a decisão do Conselho nos causou bastante desconforto. O fato de termos uma reunião que tinha uma pauta que tratava sobre a destituição de um conselheiro, que é o presidente do Conselho, e essa reunião conta não só com a participação dele, mas com ele presidindo. Mas não estamos na linha de sair entrando com nenhum tipo de ação ou impugnação, porque achamos que isso não é o melhor interesse da companhia", afirmou Chagastelles.
Previ defende renovação no conselho da Vale
Em nota divulgada nesta terça-feira (23), a Previ reafirmou que sua proposta busca fortalecer a governança da Vale e está alinhada ao papel da fundação como investidora institucional.
A entidade solicitou a convocação da AGE para que os acionistas deliberem sobre a substituição de Daniel Stieler por José Maurício Pereira Coelho no Conselho de Administração.
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“A indicação do Sr. José Maurício Pereira Coelho, dentro do compromisso da Previ com a Governança, é uma indicação técnica, relevante e com receptividade pelo mercado”, afirmou a Previ.
A fundação destacou que Coelho presidiu o Conselho de Administração da Vale entre 2019 e 2021, possui ampla experiência em finanças e governança e participou de iniciativas como a criação da função de Lead Independent Director (LID) e do processo que levou à escolha do primeiro presidente independente do conselho da companhia.
Além disso, a Previ reiterou apoio ao conselheiro Manuel Lino Silva de Souza Oliveira, conhecido como Ollie, para assumir a presidência do Conselho de Administração. Segundo a entidade, o apoio está baseado em seu perfil técnico, independente e na experiência internacional, além de ele já ocupar a posição de LID.
A fundação também afirmou que não pretende indicar candidatos para a presidência do conselho na Assembleia Geral Ordinária de 2027 e que apoiará nomes independentes para o cargo.
Conselho da Vale recomenda rejeição das propostas
Ao analisar o pedido da Previ na última sexta-feira (19), o Conselho de Administração decidiu convocar a Assembleia Geral Extraordinária, mas recomendou que os acionistas rejeitem as mudanças sugeridas pela fundação.
O colegiado defendeu a permanência de Daniel Stieler no conselho. Caso a destituição seja aprovada pelos acionistas, o órgão aceitou a indicação de José Maurício Pereira Coelho, mas incluiu também a candidatura de Ieda Gomes Yell para disputar a vaga.
Para a presidência do Conselho de Administração, o colegiado declarou apoio ao atual vice-presidente, Marcelo Gasparino.
Outros candidatos ainda poderão ser apresentados antes da realização da assembleia.
Ações da Vale caem em meio ao aumento da aversão ao risco
Em meio à disputa envolvendo a governança da companhia e ao fortalecimento do dólar, as ações da Vale operam em queda nesta terça-feira.
Por volta das 13h05 (de Brasília), os papéis VALE3 recuavam 1,82%, cotados a R$ 79,45, após chegarem à mínima de R$ 78,84 logo na abertura dos negócios.
No exterior, os ADRs da Vale, recibos de ações negociados na Bolsa de Nova York que representam papéis da companhia brasileira, também registravam queda de quase 3%.
O movimento acompanha o desempenho negativo do Ibovespa, pressionado pela piora do humor nos mercados globais após o Federal Reserve (Fed) sinalizar, na semana passada, a possibilidade de elevar os juros até o fim do ano. Os investidores também repercutem a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta manhã.
Disputa envolve governança e influência na mineradora
Como a Previ tem gestão compartilhada entre o Banco do Brasil e os funcionários da instituição, a fundação costuma ser vista pelo mercado como um possível canal de influência do governo federal nas empresas em que investe.
Daniel Stieler presidiu a própria Previ durante dois anos no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele foi eleito para o Conselho de Administração da Vale em 2021 e posteriormente assumiu a presidência do colegiado.
No ano passado, o então presidente da Previ, João Fukunaga, deixou o comando da fundação após ser alvo de questionamentos do Tribunal de Contas da União (TCU).
Ele também deixou o conselho da Vale em fevereiro, movimento que, segundo informou O Globo em 13 de junho, enfraqueceu o apoio interno a Stieler.
Além da Previ, entre os principais acionistas da Vale estão Mitsui, BlackRock e Capital World Investors.
*Com informações do Globo e da Bloomberg
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