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Larissa Bernardes

Repórter no Seu Dinheiro, formada em Comunicação Social - Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Possui experiência na cobertura do mercado financeiro em tempo real, economia, política e cenário internacional. Passou por agências de notícias e redações, como Agência Estado, Safras News, DCM e Record TV.

APOSTA NOS METAIS BÁSICOS

De olho no cobre: Vale (VALE3) anuncia investimento de US$ 3,5 bilhões em Carajás e atualiza projeções de caixa; confira os números

Plano prevê aumento gradual dos investimentos até 2030 e reforça foco da mineradora nos metais da transição energética

Larissa Bernardes
23 de fevereiro de 2026
13:15 - atualizado às 13:01
Imagem mostra a mina de Capanema, em Ouro Preto, Minas Gerais, e traz o logo da Vale na parte superior da imagem
Mina de Capanema, em Ouro Preto (MG) - Imagem: Divulgação/Vale

A Vale (VALE3) já deixou claro que os metais básicos — especialmente o cobreestão no centro de sua estratégia de crescimento para os próximos anos. Nesta segunda-feira (23), a mineradora voltou a reforçar essa aposta ao atualizaras projeções de investimentos e estimativas de geração de caixa.

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O movimento não acontece por acaso. Em meio à corrida global por minerais essenciais à transição energética, grandes mineradoras vêm redirecionando capital para commodities ligadas à eletrificação da economia, e o cobre desponta como um dos protagonistas desse novo ciclo.

Em fato relevante divulgado antes de uma apresentação a investidores na conferência BMO Global Metals, Mining & Critical Minerals, realizada na Flórida, a companhia detalhou novos aportes para expandir a produção do metal.

O plano prevê investimentos de US$ 3,5 bilhões na região de Carajás (PA) entre 2026 e 2030 — um passo adicional na estratégia de posicionar o cobre como um dos principais vetores de crescimento da mineradora na próxima década.

O local é um dos ativos mais estratégicos da Vale e figura entre as principais províncias minerais do planeta. Ali estão algumas das maiores operações da companhia, reunindo produção relevante tanto de minério de ferro quanto de cobre.

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O cronograma indica aceleração gradual dos desembolsos: US$ 300 milhões em 2026, US$ 400 milhões em 2027, US$ 800 milhões em 2028, US$ 900 milhões em 2029 e US$ 1,1 bilhão em 2030. Os valores incluem projetos de crescimento já em andamento, como o Bacaba, atualmente em fase de implementação.

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A atualização parece ter agradado os investidores. As ações da Vale abriram em alta de 1,74% e chegaram a entrar em leilão após atingirem o limite de oscilação permitido logo no início das negociações de hoje

Ao longo da sessão, porém, o movimento perdeu força, embora os papéis tenham mantido o sinal positivo.

Por volta das 12h30 (de Brasília), VALE3 tinha alta de 0,41% no Ibovespa, cotada a R$ 87,17. No ano, as ações da mineradora acumulam alta de 20,5%.

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Cobre ganha protagonismo

O foco no cobre acompanha uma tendência global. O metal é peça-chave da transição energética e da eletrificação da economia, presente em veículos elétricos, redes de transmissão, cabos e equipamentos ligados à geração de energia limpa.

Segundo estimativas da Agência Internacional de Energia (IEA), a demanda global pelo cobre pode crescer cerca de 30% até 2040, impulsionada principalmente pela expansão das energias renováveis e da mobilidade elétrica.

No mesmo comunicado, a companhia revisou as estimativas de sensibilidade do fluxo de caixa livre da subsidiária Vale Base Metals (VBM) para cerca de US$ 1,1 bilhão em 2026, em termos reais, considerando a curva futura de preços das commodities.

As projeções partem de preços do cobre entre US$ 12.738 e US$ 12.870 por tonelada entre março e dezembro, enquanto o níquel é estimado em uma faixa de US$ 17.133 a US$ 17.691 por tonelada no mesmo período.

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Quanto a Vale pode gerar para o acionista

Segundo a mineradora, o fluxo de caixa livre para o acionista (FCFE) deve ficar entre US$ 4,6 bilhões e US$ 5,7 bilhões em 2026, também em termos reais.

Nesse cenário, o retorno implícito ao acionista — o chamado FCFE yield — seria de aproximadamente 7% a 8,5%, considerando o valor de mercado da companhia no fechamento de 19 de fevereiro.

A estimativa considera como principais premissas:

  • Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) proforma consensual em torno de US$ 17,5 bilhões em 2026;
  • Investimentos (capex) entre US$ 5,4 bilhões e US$ 5,7 bilhões;
  • Despesas financeiras líquidas e impostos entre US$ 2,1 bilhões e US$ 2,5 bilhões;
  • Cerca de US$ 700 milhões em desembolsos relacionados a Brumadinho e à descaracterização de barragens;
  • Contribuições entre US$ 900 milhões e US$ 1,1 bilhão vindas de coligadas e joint ventures.

Além disso, a companhia projeta outros desembolsos entre US$ 2,7 bilhões e US$ 2,9 bilhões, que incluem pagamentos de juros sobre debêntures participativas, compromissos ligados a concessões ferroviárias, contratos de streaming e demais obrigações financeiras.

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“Ao entrar em 2026, permanecemos focados na excelência operacional, no crescimento sustentável por meio de iniciativas como o Programa Novo Carajás, e na entrega de valor de longo prazo superior para todos os nossos stakeholders”, disse o CEO da Vale, Gustavo Pimenta.

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