Até 97% do CDI, isento de IR e com renda mensal: como funciona o Fiagro do BTG que pode captar até R$ 20 bilhões
O fundo pode investir em diferentes ativos ligados ao agronegócio e pode se tornar o maior da indústria de Fiagros

Um Fiagro (Fundo de Investimento em Cadeias Agroindustriais) de até R$ 20 bilhões. Essa é a meta do BTG Pactual, que lançou uma oferta pública para criar o fundo que pode se tornar o maior do mercado brasileiro no agronegócio. A captação começa nesta quarta-feira (2).
Cabe destacar que, segundo dados da B3, no primeiro semestre deste ano, todas as emissões da classe somaram R$ 8,3 bilhões — menos da metade da proposta do banco.
A operação do Fiagro BTG Pactual nasce com volume-base de R$ 10 bilhões, mas pode dobrar de valor com a demanda dos investidores.
Em troca, o fundo terá uma rentabilidade-alvo de até 97% do CDI, com pagamento mensal de rendimentos e isenção de Imposto de Renda. O Fiagro será voltado a investidores pessoas físicas profissionais.
Como funcionam os Fiagros e no que investem
Antes de entrar nos detalhes do fundo, vale uma explicação sobre esse tipo de investimento.
Os Fiagros são um tipo de investimento que reúne recursos de diferentes investidores para aplicar em ativos ligados ao agronegócio, setor que respondeu por 25% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2025.
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Criados em 2021 para ser mais uma alternativa de financiamento para o setor, os Fiagros conectam empresas e produtores rurais que precisam de crédito a investidores que querem se expor ao agro de forma mais prática. Atualmente, a classe acumula 600 mil investidores pessoas físicas, e as cotas podem ser negociada na bolsa de valores ou no mercado de balcão.
No caso do Fiagro BTG Pactual, as cotas serão compradas e vendidas em balcão e a oferta será destinada exclusivamente a investidores pessoas físicas profissionais, que são aqueles com pelo menos R$ 10 milhões aplicados no mercado financeiro.
Além disso, o fundo do BTG pode ter uma carteira bastante flexível, com investimentos como:
- CRAs (Certificado de Recebíveis do Agronegócio);
- LCAs (Letra de Crédito do Agronegócio);
- CPRs (Cédula de Produto Rural)
- Debêntures;
- Direitos creditórios;
- Imóveis rurais; e
- Participações em empresas do setor.
O Fiagro do BTG possui duas formas de investimento: a primeira e segunda subclasse.
A carteira do fundo é a mesma e a aplicação mínima é de R$ 200 mil em um primeiro momento, mas há diferentes estruturas de prazo e liquidez. Veja a seguir:
Opção de liquidez diária e 92% do CDI
A primeira subclasse do fundo é chamada de "sênior com liquidez diária" por ter um operacional bem simples: é possível vender a cota em poucos instantes.
Neste caso, o retorno-alvo do Fiagro é de 92% do CDI, com pagamentos mensais de rendimentos no primeiro dia útil de cada mês.
O prazo total é de 11 anos, mas o investidor não precisa esperar até o vencimento para recuperar todo o capital investido. Isso porque o fundo terá pagamentos graduais nos três anos finais da carteira: no nono, décimo e décimo primeiro.
A princípio, até 9 de dezembro, há um período de restrição das negociações.
Depois dessa data, as cotas poderão ser compradas e vendidas diariamente, e o banco garante a facilidade de negociação.
Na prática, essa subclasse oferece uma alternativa para quem busca exposição ao agronegócio com pagamentos recorrentes, mas sem abrir mão da liquidez.
Segunda subclasse mira retorno maior
Para quem está disposto a manter o dinheiro investido por mais tempo, o BTG criou uma segunda subclasse com rentabilidade-alvo de 97% do CDI: a "sênior com prazo fechado". Há também os pagamentos mensais, sempre no primeiro dia útil.
A diferença é que, nesse caso, o prazo total do fundo será de dez anos, mas não tem as amortizações ao longo do caminho como são feitas na primeira subclasse.
Além disso, a saída antes do prazo dependerá da negociação no mercado secundário, o que deixa o investidor sujeito ao preço e à liquidez disponíveis no momento da venda.
Proteção extra
Um dos mecanismos de proteção da estrutura é a existência de uma classe de cotas subordinadas, que ficará nas mãos do próprio banco ou de outra empresa do grupo BTG.
Essas cotas vão representar 1% do patrimônio do fundo e têm a função de serem as primeiras a absorver eventuais perdas da carteira.
Ou seja, isso funciona como uma camada adicional de segurança para os investidores comuns receberem o percentual do CDI tido como meta do fundo.
Os prazos da oferta
Os investidores interessados poderão fazer os pedidos de reserva com assessores de investimento entre 2 de setembro e 20 de novembro de deste ano.
As liquidações ocorrerão de forma escalonada ao longo da oferta, entre 9 de setembro e 25 de novembro.
Vale destacar que, durante o período de captação, os cotistas ainda não recebem rendimentos. Os pagamentos começam só depois das liquidações, com o primeiro previsto para 27 de novembro.
Já a liquidez diária da primeira subclasse passa a valer a partir de 9 de dezembro, quando termina o período de restrição para negociação das cotas, chamado de lock-up no jargão financeiro.
Depois dessa data, o investimento mínimo nas duas subclasses também deixa de ser R$ 200 mil e deve ser sempre múltiplo de R$ 10 mil.
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