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COMBUSTÍVEIS

Petrobras (PETR4): diesel fica onde está — pelo menos por enquanto, dizem fontes da estatal a agência

Enquanto importadores pressionam por reajuste, fontes da Reuters dizem que estatal não pretende mexer nos preços agora

Posto da Petrobras (PETR4) ao lado de uma bandeira do Brasil
Posto da Petrobras (PETR4) ao lado de uma bandeira do Brasil - Imagem: iStock.com/Joa_Souza

A Petrobras (PETR4) não vê espaço, no curtíssimo prazo, para um novo aumento no preço do diesel — mesmo com a guerra do Irã no radar e seus efeitos sobre o petróleo. A informação vem de três fontes da estatal ouvidas pela agência de notícias Reuters.

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Segundo esses interlocutores, a companhia pretende manter a atual estratégia: evitar repassar automaticamente a volatilidade internacional para o consumidor brasileiro.

A postura contraria, em parte, agentes privados do setor, que defendem um reajuste para reduzir a defasagem em relação aos preços externos e destravar importações.

“Não tem nada no radar para os próximos dias”, afirmou uma das fontes à Reuters. Outra acrescentou que a política da empresa busca equilibrar interesses: “A companhia vai defender os acionistas sem penalizar o consumidor”.

Guerra, volatilidade e o preço do petróleo

O pano de fundo é um mercado global extremamente instável. Nesta segunda-feira (23), o barril do Brent chegou a cair mais de 10% ao longo do dia, reagindo a declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre o adiamento de um possível ataque ao Irã após avanços diplomáticos.

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A queda ocorre após semanas de forte alta. Em 14 de março, a Petrobras já havia elevado o diesel em 11,6%, em meio a um pacote do governo para conter os impactos da disparada do petróleo — incluindo isenções tributárias e subsídios.

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Ainda assim, importadores afirmam que o movimento não foi suficiente para zerar a defasagem, que chegou a superar 80% antes da recente correção nos preços internacionais.

Política de preços da Petrobras

De acordo com as fontes ouvidas pela Reuters, a lógica interna da Petrobras não exige repasses imediatos em momentos de choque.

A empresa trabalha com uma visão de médio prazo. Ou seja, oscilações pontuais — sejam de alta ou de baixa — podem ser diluídas ao longo do ano, sem comprometer resultados ou pressionar o consumidor.

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“O conceito é de média. Não precisa ajustar no dia ou na semana”, resumiu uma das fontes.

Essa abordagem vem sendo adotada desde o início do conflito envolvendo EUA, Israel e Irã.

Pressão no abastecimento e alerta da ANP

Apesar da cautela da Petrobras, o cenário no Brasil preocupa. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) classificou o abastecimento como uma “situação excepcional de risco”.

Entre os fatores citados estão:

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  • queda relevante nas importações de diesel (que respondem por cerca de 25% do consumo);
  • demanda doméstica elevada;
  • dificuldade de recomposição de estoques.

A Petrobras, por sua vez, afirma estar operando refinarias próximas de 100% da capacidade e atendendo a cerca de 70% do mercado interno.

Petróleo US$ 120: por que o preço pode afetar seu bolso e até onde vai a atuação da Petrobras?

Ruído com o mercado e debate tributário

Internamente, também há incômodo com cobranças de agentes privados e da própria ANP por maior oferta de combustíveis.

Fontes da estatal ouvidas pela Reuters criticam o que consideram uma postura oportunista do mercado — que pressiona em momentos de escassez, mas não se manifesta quando as margens são favoráveis.

Enquanto isso, o Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) discute nesta semana uma possível redução do imposto sobre circulação de mercadorias e serviços (ICMS) sobre combustíveis.

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A medida poderia aliviar os preços nas bombas, mas enfrenta resistência política em ano eleitoral.

Além disso, o pacote recente do governo prevê taxação sobre a exportação de petróleo. Ainda assim, segundo uma das fontes, a forte alta do Brent mais do que compensaria esse custo adicional.

*Com informações da Reuters e do Money Times

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