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Monique Lima

Monique Lima

Monique Lima é jornalista com atuação em renda fixa, finanças pessoais, investimentos e economia, com passagem por veículos como VOCÊ S/A, Forbes, InfoMoney e Suno Notícias. Formada em Jornalismo em 2020, atualmente, integra a equipe do Seu Dinheiro como repórter, produzindo conteúdos sobre renda fixa, crédito privado, Tesouro Direto, previdência privada e movimentos relevantes do mercado de capitais.

OPORTUNIDADES GLOBAIS

Multimercados tiveram que dar ‘cavalo de pau’ na estratégia por causa da guerra e agora estão olhando para essas três teses de investimento

Genoa, Kapitalo e Ibiuna participaram de evento do Bradesco BBI e falaram sobre a dificuldade de leitura no cenário volátil atual

Monique Lima
Monique Lima
7 de abril de 2026
19:30 - atualizado às 18:51
Irã e EUA
Imagem: iStock

Havia um consenso de cenário entre gestores de fundos multimercados no começo do ano. Dólar globalmente fraco, bolsas mundiais fortes (superando índices norte-americanos), menor pressão inflacionária e tendência a corte de juros.

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Este era o portfólio vencedor, segundo Rodrigo Azevedo, sócio e gestor na Ibiuna Investimentos.

Eis que os Estados Unidos iniciaram uma guerra com o Irã e provocaram um choque no preço do petróleo — a principal commodity energética do mundo.

“Estava todo mundo exposto a risco e tivemos que recuar. O portfólio inverteu. A posição +1 virou –1 em questão de dias”, disse Azevedo, em painel no 12º Fórum de Investimentos do Bradesco BBI, nesta terça-feira (7).

De acordo com o gestor, os agentes financeiros precificaram em pouquíssimo tempo a virada de corte para alta de juros, principalmente na Europa. E a decisão sobre novos posicionamentos e mudança de alocação ficou atrelada à pergunta que ecoa por todos os lados: até quando vai durar a guerra?

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“Se o choque passa rápido, os preços levam alguns meses, mas voltam gradualmente. Os bancos centrais não precisam agir e o dólar volta a se desvalorizar. Tudo volta para o começo. Agora, se prolonga, é outro cenário”, disse o sócio da Ibiuna no evento.

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Onde estamos agora?

Sem uma resposta para direcionar o que fazer, neste momento, o que os gestores de multimercados estão fazendo é se posicionando para as consequências secundárias do que já está em curso.

Há uma grande diferença de impacto nos países produtores de petróleo e nos consumidores de energia.

A precificação de aumento de juros na Europa foi uma das mais intensas, isso porque o Velho Continente é um dos mais dependentes do gás natural. Nos EUA, um dos maiores exportadores do óleo, essa precificação foi menor.

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O paralelo se estende aos mercados emergentes. O Brasil, um exportador de petróleo, teve pouca mudança na taxa de câmbio e na depreciação da bolsa. Já na Coreia do Sul, cuja bolsa foi a que mais valorizou no começo do ano, reverteu praticamente tudo.

A grande questão para Bruno Cordeiro, sócio da Kapitalo Investimentos, é que o choque de petróleo está posto e não tem como reverter. O gestor afirma que, enquanto todos olham para o preço do petróleo bruto, os derivados dispararam muito mais.

Uma crise na crise

As consequências para os países que dependem de energia já são severas. Em um cenário de prolongamento da guerra, Cordeiro afirma que as chances de problemas de oferta são grandes.

“Mais 30 dias de conflito, a disponibilidade de derivados na Ásia vai ficar cair. Estamos falando de nível e preços de racionamento”, afirmou Cordeiro.

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O gestor da Kapitalo acredita que o mercado está com hiperfoco na guerra no “curtíssimo” prazo e está precificando mau os ativos.

De um lado, os agentes financeiros globais estão colocando nos preços um aumento de juros nos próximos meses na maior parte dos países, dos EUA à Ásia.

Entretanto, a precificação do preço do petróleo para esse mesmo período é um barril mais barato, na faixa de US$ 80, enquanto os contratos curtos estão acima de US$ 110.

“Esse prêmio na curva de juros não faz sentido. Parece uma disfuncionalidade técnica, como se os mercados não conversassem entre si”, diz Cordeiro.

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Posição no Brasil

As dúvidas e questionamentos também rondam a economia e política monetária do Brasil. A grande questão é o tamanho do corte de juros que o Banco Central conseguirá promover diante do risco inflacionário do choque de petróleo.

Neste momento, os agentes financeiros esperam um corte de apenas 100 pontos-base em 2026, o que colocaria a Selic em 14% ao final do ano.

Para Azevedo, os fatores que vão determinar se o espaço para corte é somente este ou maior são dois: taxa de câmbio e expectativa de inflação.

Até o momento, o câmbio está bastante comportado. O risco maior é a abertura das expectativas de inflação.

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“O Brasil tem muitos ajustes de preços indexados à inflação. Isso alastra o choque inflacionário pela economia e torna permanente, ainda que a tendência fosse temporária”, diz o gestor.

Ele cita como exemplo a revisão salarial, a revisão de aluguéis e outras formas de contrato. Considerando um mercado de trabalho pujante, que dá maior espaço para acordos salariais, a chance de repasse inflacionário é maior.

E se a chance é maior, o mercado aumenta as expectativas de inflação.

“Se a expetativa para ao final de 2026 é altista, acima do teto da meta, é inevitável não contagiar 2027. Por isso o BC precisa ser conservador. Por isso o mercado precifica apenas 100 pontos de corte”, disse Azevedo.

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PIB ficou pelo caminho

André Raduan, sócio da Genoa Capital, apontou mais uma ponta solta deixada pelos agentes financeiros em meio a essa crise. A revisão da atividade econômica.

Segundo Raduan, em todo lugar teve revisão de juros e inflação, mas a revisão da atividade econômica ficou de lado.

“Se o aumento de juros e inflação acontecer como está precificado na curva, o impacto na atividade vai ser muito significativo. Em alguns casos pode chegar à recessão”, afirmou o gestor.

A Genoa revisou o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil para 1,5% neste ano. Raduan acredita que uma onda de atualizações pode acontecer nas próximas semanas.

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Para onde ir a seguir?

A Genoa e a Kapitalo estão de olho no choque do petróleo e seus impactos.

Cordeiro afirmou que o fundo K10 está aplicado em algumas curvas de juros, por considerar que a precificação para aumento foi muito intensa.

Estar aplicado significa apostar na queda das taxas dentro da curva de juros — não necessariamente na materialização desse corte na economia real.

Além disso, o fundo tem posição comprada em petróleo e diesel.

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Esta posição tem como tese o aumento no preço desses derivados diante do possível choque de oferta que a guerra pode causar nos próximos meses. A posição está concentrada nos mercados asiáticos, mais expostos aos produtos do Oriente Médio.

“Estamos posicionados na fonte primária. Não em moeda ou em equities. Acredito que vai precisar ajustar a demanda nos próximos meses, mas vai ter pontos em que vai faltar, de fato”, disse Cordeiro.

A Genoa tem uma visão parecida, mas optou por se posicionar na moeda de países asiáticos. A casa também aposta na falta de produto para alguns desses países e teoriza que as moedas desvalorizaram pouco diante dessa possibilidade.

Na Ibiuna, Azevedo afirma que a casa está olhando para o que está acontecendo no mundo além da guerra.

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Uma das teses é a quebra do crédito privado nos Estados Unidos.

“Se o impacto for muito grande, o Federal Reserve terá que reagir baixando os juros. Isso vai repercutir no mundo inteiro, principalmente se for por um choque de atividade para baixo”, disse o gestor.

A outra tese é eleitoral, mas não no Brasil.

Neste final de semana terá eleições na Hungria. Viktor Orbán, primeiro-ministro húngaro desde 2010, corre o risco de perder o pleito. Se isso acontecer, a Ibiuna espera um impacto significativo nas ações e na moeda do país.

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Tem também as eleições na Colômbia, em maio. O candidato da oposição a Gustavo Petro, atual presidente do país, está ganhando força nas pesquisas eleitorais. Caso se confirme a troca de governo, os ativos colombianos também devem reagir.

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