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Almoço de Páscoa ficou mais barato, mas queda nos preços esconde ‘pegadinha’ e revela inflação onde mais dói no bolso

Mesmo com queda média de 5,73% nos preços da cesta de Páscoa, itens tradicionais como chocolate e bacalhau sobem bem acima da inflação e concentram a pressão no bolso do consumidor

Páscoa
Imagem: Montagem Seu Dinheiro com imagens Pixabay e Diana Craciuns images via Canvas Pro

A almoço de Páscoa neste ano ficou mais barato. Uma cesta de produtos alimentícios, que inclui os tradicionais chocolates e o bacalhau, vai custar 5,73% a menos do que há 12 meses. Em 2025, o recuo nos preços foi de 6,77%, esse é o segundo ano consecutivo de queda, segundo dados do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV), divulgado às vésperas do domingo de Páscoa (5).

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Para efeito de comparação, a inflação geral do consumidor, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor – Mensal (IPC-10) da FGV, marcou alta de 3,18% no período de abril de 2025 a março de 2026.

No entanto, olhando de forma isolada, alguns produtos sobem mais que a inflação geral:

  • Inflação geral: 3,18%
  • Bombons e chocolates: 16,71%
  • Bacalhau: 9,9%
  • Sardinha em conserva: 8,84%
  • Atum: 6,41%

Entre os que ajudaram os preços a cair estão:

  • Arroz: -26,11%
  • Ovos de galinha: -14,56%
  • Azeite: -23,20%
  • Os pescados frescos subiram 1,74%; e os vinhos, 0,73%.

Almoço de Páscoa fica mais barato, mas inflação se concentra justo no chocolate e bacalhau

Nas últimas quatro Páscoa, duas foram de inflação positiva e duas de deflação (queda média de preços), quando comparadas ao ano anterior.

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  • 2026: -5,73%
  • 2025: -6,77%
  • 2024: 16,73%
  • 2023: 13,16%

De acordo com o economista Matheus Dias, do Ibre/FGV, a variação acumulada dos preços de Páscoa nos últimos quatro anos foi de 15,37%. Essa alta ficou abaixo da inflação geral ao consumidor, calculada pelo IPC-10, que marcou 16,53% de abril de 2022 a março de 2026.

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Nesse período, bombons e chocolates ficaram 49,26% mais caros. O bacalhau subiu 31,21%; o atum, 38,98%, e o azeite, 34,74%. Viram o preço cair a batata inglesa (-16,02%) e a cebola (-15,44%).

Dias destaca que os repasses de quedas provenientes de melhoras na produção agrícola são mais complexos e apresentam defasagens mais longas em produtos industrializados.

Ele exemplifica com o chocolate. Mesmo com o cacau, principal matéria-prima, registrando quedas no mercado internacional desde outubro de 2025, chegando a recuar cerca de 60% em relação aos últimos 12 meses, os preços dos chocolates ao consumidor seguiram em alta de 16,71% no período.

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“Em produtos mais industrializados, a queda da matéria-prima demora a chegar ao bolso do consumidor nos últimos anos”, explica.

Na terça-feira (31), ao divulgar um estudo sobre a inflação de alimentos no Brasil, o economista Valter Palmieri Junior, doutor em Desenvolvimento Econômico pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), explicou que um dos fatores de alta consistente nos preços é a concentração, que tende a diminuir a concorrência entre empresas.

No levantamento, ele aponta que cinco marcas de bombons e chocolates de três empresas alcançam 83% do mercado.

Procurada pela Agência Brasil para fazer comentários sobre o preço dos chocolates, a Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab) informou que o valor não é determinado apenas pelo cacau.

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“Outros insumos como leite, açúcar, frete (uso de caminhões frigoríficos, já que se trata de carga perecível) e variação do dólar devem ser levados em conta”, ressalta a entidade.

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