Com recordes no Ibovespa e dólar em queda, Haddad cutuca mercado: “quem não acreditou na gestão perdeu dinheiro”
Na CEO Conference 2026, do BTG Pactual, o ministro avaliou sua gestão na Fazenda, rebateu o ceticismo de investidores, defendeu a autonomia do BC e comentou o caso Master, exaltando Gabriel Galípolo

Os recordes do Ibovespa e a queda do dólar nos últimos tempos animam o ministro Fernando Haddad. Às vésperas de deixar o cargo, ele relembrou da reação negativa do mercado quando foi indicado para liderar a pasta, há três anos.
Em fala na CEO Conference 2026, do BTG Pactual, ele cutucou os investidores: “é do jogo não confiar, mas quem não acreditou, perdeu dinheiro”.
“Teve gente que se desesperou. Devem ter vendido ações e se arrependido, já que hoje o Ibovespa está perto dos 190 mil pontos. Ou comprado dólar a R$ 6, sendo que podia ser a R$ 5,20 hoje”, afirmou.
O ministro fez um balanço dos últimos três anos à frente da pasta, avaliou o cenário que ficará de legado à próxima gestão e comentou sobre os temas que vêm mexendo com os mercados nos últimos dias.
Um deles é recomendação de Guilherme Mello, atual secretário de Política Econômica, para ocupar uma das vagas abertas na diretoria do Banco Central (BC) desde o ano passado.
O mercado torceu o nariz para o movimento, que ainda depende de formalização no Planalto e aprovação do Senado. Isso porque a postura do secretário é vista como excessivamente “dovish” — ou seja, favorável a juros mais baixos.
Leia Também
Sobre o tema Haddad destacou que o nome de Mello foi, na verdade, uma sugestão, não indicação, com base no trabalho de destaque que o secretário tem feito nos últimos anos. Ele também minimizou a reação do mercado.
O caso Master, segundo Haddad
Durante a participação, Haddad também falou sobre outro tema que já arrepia os investidores há tempos: o Banco Master.
Apesar de não apontar para a gestão do ex-presidente do BC, Roberto Campos Neto, o ministro destacou que entre 2018 e 2024 a instituição de Daniel Vorcaro cresceu mesmo sob severas suspeitas sobre a sustentabilidade e legalidade da operação.
“Fato é que o Banco Master teve um crescimento exponencial, que foi estancado assim que Gabriel Galípolo tomou posse, quando se deparou com uma situação muito preocupante”, destacou Haddad.
No entanto, o petista pontuou que não cabe a ele definir se houve negligência na condução do caso e que esse tipo de julgamento deve ser colocado após as investigações já em andamento.
Haddad defende a necessidade de uma reforma estrutural na legislação, afirmando que as regras atuais não se mostraram "suficientemente robustas" para evitar operações fraudulentas que colocaram o sistema em risco.
Segundo ele, técnicos do Banco Central estão em diálogo com o setor regulado para encontrar um "denominador comum" que permita fechar brechas para a irresponsabilidade sem, contudo, restringir excessivamente o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) a ponto de limitar a concorrência bancária.
“Não há razão para juro real do Brasil”
Durante o painel da conferência, Haddad também falou sobre um tema caro ao mercado: a autonomia do BC, alvo de críticas por parte de alas do Partido dos Trabalhadores (PT) e até mesmo do presidente Lula.
Ele falou sobre a queda da inflação, enquanto a Selic segue no mesmo patamar. “Quando digo que não há razão para o juro real estar subindo como está, não quero macular a autoridade do Banco Central. Estou fazendo uma reflexão. Entendo que, com um juro real nesse patamar, não é possível contrapor esse efeito com nenhum nível de superávit primário. É preciso ir além.”
Hoje, o IBGE divulgou um IPCA de 4,4% no acumulado dos últimos 12 meses — dentro da tolerância, mas ainda longe do centro da meta de 3%.
O legado do ministro à frente da Fazenda
Haddad está prestes a deixar o ministério para ajudar na campanha de reeleição do presidente Lula. Assim, o petista fez um balanço sobre seu principal legado à frente do ministério: a reforma tributária.
“Acredito que as pessoas ainda não conseguem dimensionar a profundidade da mudança que vai acontecer no Brasil. Hoje, temos um dos piores sistemas tributários do mundo, vamos saltar para um dos melhores”, afirmou o ministro.
Haddad afirmou que a reforma tributária deve entrar para a história e começar a vigorar no próximo ano, com potencial para tornar o Brasil cada vez mais um destino de investimento estrangeiro.
Além disso, o petista diz se orgulhar da trajetória dos últimos anos, marcada também, segundo ele, por uma redução pela metade do déficit primário — de 1,6% do Produto Interno Bruto (PIB) do governo anterior, de Jair Bolsonaro, para 0,8% ao fim de 2025.
Apesar disso, ele diz que gostaria de ter feito mais em resposta a críticas do mercado = sobre a trajetória da dívida pública brasileira, que se aproxima dos 80% do PIB: “Eu entendo a Faria Lima, mas eu sou um só”.
Ele destaca que quem se senta na cadeira do ministério tem muitas frentes de negociação e não dá para atender às demandas de apenas uma parte da sociedade, se referindo ao mercado financeiro.
Antes da fala de Haddad, na abertura do evento, o chairman e sócio sênior do BTG Pactual, André Esteves, disse que a atuação do ministro tem sido marcada por bom senso, equilíbrio e compromisso com o ajuste das contas públicas do país.
“Sempre gostaríamos de fazer mais, né, Haddad? Mas há uma sensação de muito maior equilíbrio depois da sua gestão”, disse Esteves.
Na visão do executivo, Haddad se tornou um “bastião moral” em um momento de disputa entre o que chamou de “Brasil institucional e não institucional”.
“O ministro tem um lado muito claro, que é o lado desse país que estamos vendo nesta sala, de um Brasil institucional, que gera renda, emprego, paga impostos e está gerando riqueza para a sociedade. Isso é um agradecimento ao Haddad pela sua defesa moral”, disse o executivo.
CHEGOU AO TST
Greve na Caixa: Justiça do Trabalho julga dissídio em meio a impasse entre banco e funcionários
29 de setembro de 2026 - 9:59PÉ NA AREIA
Lotofácil 3791 premia bolão no Nordeste; Mega-Sena corre hoje valendo R$ 52 milhões
29 de setembro de 2026 - 7:25E AGORA, PETROBRAS?
EUA podem fechar a torneira do diesel e deixar o Brasil mais vulnerável, segundo Citi; é hora de rever a carteira de BDRs?
28 de setembro de 2026 - 18:10CASAS DE APOSTAS
R$ 1,7 bilhão na mesa: bets terão de devolver dinheiro a 22,9 milhões de apostadores após MP de Lula
28 de setembro de 2026 - 17:16O PREÇO DAS ELEIÇÕES
Sem rali eleitoral? Gatilho para a bolsa brasileira fica para depois das eleições; saiba qual é, segundo o JP Morgan
28 de setembro de 2026 - 12:00INSEGURANÇA
Bets estudam medidas para tentar reverter proibição depois de MP de Lula, mas proximidade da eleição atrapalha
28 de setembro de 2026 - 10:04É BOM SABER
Milhões de brasileiros desconhecem benefício do novo RG e ficam sem acesso mais seguro ao gov.br
28 de setembro de 2026 - 9:27DANÇA DAS CADEIRAS
+Milionária acumulada promete R$ 99 milhões, mas Mega-Sena se aproxima; confira o ranking dos maiores prêmios das loterias da Caixa
28 de setembro de 2026 - 6:41NAS MÃOS ERRADAS
Fim da humanidade? Desenvolvimento da IA sem controle pode levar a um bilhão de mortes, diz Bill Gates
27 de setembro de 2026 - 17:01O QUE BOMBOU NO SD
O sumiço das LCIs e LCAs, os R$ 10 bilhões do Bradesco e os dividendos da Petrobras (PETR4): as mais lidas da semana
27 de setembro de 2026 - 15:01FIIS DE LAJES CORPORATIVAS
Locação do Esther Towers pelo Itaú Unibanco, maior da história, abre alerta; entenda o que acontece com setor de escritórios agora
27 de setembro de 2026 - 11:30ELEIÇÃO, JUROS E FISCAL
“Essa taxa se torna insustentável”: os juros que enchem o bolso do investidor podem estar virando problema para o Brasil
26 de setembro de 2026 - 17:19DESTAQUES DA BOLSA
Magazine Luiza (MGLU3) ganha fôlego e Natura (NATU3) fica na lanterna: veja os altos e baixos do Ibovespa na semana
26 de setembro de 2026 - 16:08TOUROS E URSOS
Seu próximo carro será chinês? BYD, GWM e a nova guerra do mercado automotivo
26 de setembro de 2026 - 15:00DE OLHO NAS DÍVIDAS
Desenrola 3.0: governo Lula quer renegociar até R$ 150 bilhões em dívidas — mas como vai bancar essa conta?
26 de setembro de 2026 - 11:24Conteúdo Empiricus
McKinsey: Só 6% das empresas faturam com IA de verdade — veja característica em comum entre elas
26 de setembro de 2026 - 9:00O CRONOGRAMA DO RESGATE
O que acontece com o dinheiro de quem apostou nas bets após a proibição do governo
25 de setembro de 2026 - 18:58MIX DE SENTIMENTO
Ibovespa ainda pode subir quase 20%, mas investidores estão com pé atrás; Safra explica o motivo
25 de setembro de 2026 - 18:40EFEITOS VIRÃO NO 3T26
As vendas continuam, mas o dinheiro não chega: como a greve na Caixa afeta as incorporadoras, segundo BTG Pactual
25 de setembro de 2026 - 16:36CORRENDO CONTRA O TEMPO?