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Com todos os jogos da Copa do Mundo de 2026 em sua programação, plataforma simboliza a migração das transmissões esportivas para o digital; banco vê potencial para o mercado brasileiro de direitos de mídia chegar a até R$ 12 bilhões

A transmissão de todos os 104 jogos da Copa do Mundo de 2026 pela CazéTV marca um momento decisivo para o mercado brasileiro de mídia esportiva. Segundo o Itaú BBA, o movimento coloca a plataforma no centro de uma mudança estrutural na forma como os direitos esportivos são distribuídos, monetizados e consumidos no país.
De acordo com relatório divulgado nesta semana pelo banco, o Brasil reúne condições para capturar uma parcela maior da expansão desse mercado, impulsionado pela digitalização da publicidade, pelo avanço do streaming e por mudanças regulatórias que abriram espaço para novos modelos de distribuição.
Na avaliação dos analistas do Itaú BBA, a CazéTV se tornou o principal exemplo brasileiro dessa transformação.
Lançada em 2022 em parceria com o streamer Casimiro Miguel, a plataforma consolidou um modelo gratuito financiado por publicidade e liderado por criadores de conteúdo, aproximando grandes eventos esportivos de um público mais jovem e predominantemente mobile.
Em junho de 2026, o canal somava aproximadamente 31 milhões de inscritos e cerca de 8 bilhões de visualizações acumuladas no YouTube. Apenas em 2025, foram registrados 3,7 bilhões de visualizações, segundo dados públicos citados pelo relatório.
A trajetória recente também reforça a capacidade da plataforma de reunir grandes audiências.
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Nas quartas de final da Copa do Mundo do Catar, entre Brasil e Croácia, a transmissão ultrapassou 6 milhões de espectadores simultâneos no YouTube.
Nos Jogos Olímpicos de Paris, a CazéTV alcançou mais de 50 milhões de espectadores únicos e superou 4 milhões de espectadores simultâneos durante a final da ginástica artística.
O maior recorde veio na Copa do Mundo de 2026. A partida entre Brasil e Marrocos atingiu um pico de 12,7 milhões de dispositivos conectados simultaneamente.
Para o Itaú BBA, esse desempenho demonstra que plataformas digitais já conseguem oferecer alcance comparável ao da televisão aberta, mas com vantagens para anunciantes ao combinar transmissões ao vivo, interação em tempo real, distribuição em redes sociais e formatos comerciais mais sofisticados.
Segundo o relatório, o modelo de negócios da CazéTV está baseado em patrocínios, integrações de marcas e campanhas orientadas por desempenho. O potencial financeiro dessa estratégia já aparece nos contratos comerciais.
De acordo com informações públicas citadas pelo banco, a CazéTV e o YouTube venderam dez cotas de patrocínio do Campeonato Brasileiro de 2026 por cerca de R$ 185 milhões cada.
Para a Copa do Mundo, foram comercializadas 11 cotas master pelo mesmo valor unitário, o que representa uma receita próxima de R$ 2 bilhões.
O avanço da CazéTV acompanha uma transformação mais ampla do mercado publicitário brasileiro.
Segundo o Itaú BBA, o digital já responde por aproximadamente 56% dos investimentos em publicidade no país e deve alcançar cerca de 67% até 2030.
Enquanto os investimentos em publicidade digital devem crescer a uma taxa anual composta de 12,9% até o fim da década, a televisão tradicional deve avançar apenas 2,3% ao ano.
Nesse contexto, os esportes ao vivo ocupam uma posição estratégica ao reunir escala de audiência, alto engajamento e novas formas de monetização.
O relatório afirma que plataformas como YouTube e CazéTV mostram que transmissões gratuitas financiadas por publicidade podem se consolidar como um dos principais modelos de distribuição do esporte.
Na visão do Itaú BBA, os direitos de mídia do futebol brasileiro entraram em um ciclo mais favorável de monetização. Depois das mudanças regulatórias e da criação das ligas de futebol, o desafio deixa de ser estrutural e passa a ser de execução.
O banco estima que o mercado brasileiro de mídia esportiva movimenta atualmente cerca de R$ 5,4 bilhões.
Pelas análises de sensibilidade apresentadas no relatório, esse mercado pode alcançar entre R$ 7 bilhões e R$ 12 bilhões no longo prazo, considerando a evolução da monetização em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) do país.
Esse crescimento dependerá da adoção de melhores práticas de governança, da profissionalização da venda dos direitos de transmissão, de novos investimentos no ecossistema do futebol e de uma maior coordenação ou eventual convergência entre as ligas nacionais.
Na avaliação do banco, esses fatores tendem a fortalecer o poder de negociação dos clubes, criar pacotes de direitos mais atrativos, estimular disputas mais competitivas entre compradores e ampliar o inventário comercial disponível para monetização.
A mudança observada no Brasil acompanha um movimento global. O relatório do Itaú BBA mostra que as plataformas de streaming aceleraram significativamente seus investimentos nos últimos cinco anos.
Apenas nos Estados Unidos, o valor dos direitos de mídia esportiva destinados ao streaming praticamente dobrou entre 2015 e 2024, alcançando quase US$ 30 bilhões.
Em 2025, os serviços de streaming devem responder por cerca de um quinto de todos os gastos globais com direitos esportivos, totalizando aproximadamente US$ 12,5 bilhões.
Em 2026, esse montante deve subir para US$ 14,2 bilhões, com empresas de tecnologia, como a Amazon, representando 27% desse mercado.
Segundo o Itaú BBA, esse movimento reforça que o poder de negociação está concentrado nas ligas esportivas, que detêm o conteúdo, e nas plataformas capazes de distribuí-lo em larga escala.
O banco afirma que, para os grupos tradicionais de mídia, a aquisição desses direitos funciona como uma forma de proteger seus negócios de televisão e fortalecer seus próprios serviços de streaming.
Para as gigantes de tecnologia, o investimento faz parte de uma estratégia mais ampla de aquisição e retenção de clientes em seus ecossistemas digitais.
Outro fator destacado pelo relatório é o chamado "churn and return", comportamento em que consumidores cancelam e reativam assinaturas conforme o lançamento de novos conteúdos.
Nesse cenário, as transmissões esportivas ao vivo se tornaram um ativo estratégico por oferecerem programação recorrente ao longo de todo o ano, reduzindo o cancelamento de assinaturas e aumentando o engajamento das plataformas.
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