‘Brasil está bem-posicionado e é ganhador’: Secretário do Tesouro fala sobre alta do petróleo, inflação e juros com conflito no Oriente Médio
Rogério Ceron, secretário do Tesouro Nacional, falou sobre o cenário para a economia brasileira diante dos ataques de Estados Unidos e Israel conta o Irã; entenda

Embora o mais recente conflito no Oriente Médio cause preocupações em todo o mundo, o Brasil é uma espécie de “porto-seguro”, disse o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, nesta segunda-feira (2). Ele acredita que a inflação brasileira não deve ser impactada de forma relevante pela alta do petróleo, e que a próxima decisão sobre a taxa básica de juros (Selic) também deve ser pouco influenciada.
Pela participação do setor de petróleo na bolsa brasileira e pelo posicionamento pacífico do país, o Brasil é uma boa opção para os investidores estrangeiros. "Num cenário como esse, obviamente dentro de limites, de riscos, o Brasil está bem-posicionado e ele é, provavelmente, tudo mais constante, um ganhador nesse processo."
As declarações foram dadas durante evento do jornal Valor Econômico e consideram a cotação do barril da commodity oscilando entre US$ 75 e US$ 85. Segundo o secretário, o impacto de uma alta mais intensa nos preços seria, provavelmente, uma parada do ciclo de cortes nos juros mais cedo do que o esperado este ano.
Ceron também vê a perda de força do dólar como um dos aspectos que seguram os efeitos da alta do petróleo na inflação. “Claro que isso pensando em um cenário de uma tensão e incerteza até certo ponto controlável, não num cenário de barril acima de US$ 100.”
Em janeiro, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) manteve a Selic em 15% ao ano e anteviu uma redução na taxa básica de juros na reunião seguinte, do dia 18 de março, caso o cenário evoluísse como o esperado.
O mercado projeta uma redução a 12% ao ano até o fim deste ano e a 10,5% ao ano em 2027, segundo a mediana das projeções do relatório Focus publicado hoje (2), a partir de pesquisa realizada na última sexta-feira (27), portanto, anterior aos ataques no Irã.
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Na manhã desta segunda-feira, a moeda norte-americana era negociada ao redor de R$ 5,20. No início do ano passado, a cotação ainda estava pouco abaixo dos R$ 6 por dólar.
Brasil é ‘espécie de porto seguro’
O secretário ainda lembrou que o Brasil é exportador de petróleo. Logo, uma alta nos preços da commodity beneficiaria a balança comercial. Do ponto de vista fiscal, ele disse que, se o barril permanecer cotado a até US$ 85, haveria um efeito positivo nas receitas com royalties e leilões de participações. Os efeitos, ele disse, "não são pequenos".
Ceron acrescentou que o Brasil tem sido beneficiado pelo cenário global, com fluxo de recursos de investidores. Ele disse que a tendência é que esse fluxo continue, porque o país é "pacífico, sem atritos", e a América Latina também é uma região pacífica.
"O Brasil não deixa de ser uma espécie de porto seguro para o mundo para diversificar a sua alocação de portfólio", disse Ceron.
Com informações do Estadão Conteúdo
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