Quem é o bilionário que já foi chamado de ‘Baby Buffett’ e agora quer comprar a Universal para ser o dono do catálogo de artistas como Taylor Swift, Sabrina Carpenter e Kendrick Lamar
O bilionário Bill Ackman é o fundador da Pershing Square, gestora conhecida pelo perfil ativista e pelo foco em negócios grandes e previsíveis

A notícia da oferta da Pershing Square, fundo liderado pelo bilionário Bill Ackman, para comprar a gravadora Universal Music fez barulho não apenas na indústria fonográfica, mas também no mercado financeiro.
A ideia de Ackman é promover uma fusão, tirar a Universal da bolsa de Amsterdã e listá-la em Nova York.
O conselho da gravadora confirmou o recebimento da proposta e comprometeu-se a analisar impactos para acionistas, artistas e funcionários antes de responder.
O fato é que Bill Ackman não é um desconhecido para a Universal. Antes da proposta, o bilionário norte-americano já figurava como um acionista relevante da gravadora, com uma participação de 4,7%.
A Universal é a maior empresa de música do mundo. Ela controla selos históricos como EMI, Island e Def Jam. Também é dona do Abbey Road, o lendário estúdio londrino eternizado no título do último álbum gravado pelos Beatles. "Let It Be" foi gravado antes e lançado depois de "Abbey Road", mas isso não vem ao caso agora.
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Da mídia física ao streaming, a Universal controla grande parte do mercado fonográfico mundial.
Entre os principais artistas globais do catálogo estão:
- Taylor Swift;
- Drake;
- Kendrick Lamar;
- Sabrina Carpenter;
- The Weeknd; e
- Billie Eilish.
No Brasil, a gravadora tem contrato com artistas de peso, entre eles Anitta, Luan Santana, Djavan e Seu Jorge. Também é a dona do catálogo musical de Marília Mendonça — e de dezenas de nomes consagrados da música brasileira.
Mas por que Bill Ackman quer comprar a Universal?
Ackman já demonstrou publicamente seu desconforto com a baixa liquidez das ações da Universal Music e com a ausência de investidores norte-americanos no papel. Trata-se de um fator secundário, no entanto.
A oferta pela Universal está alinhada com o perfil de investidor ativista pelo qual Bill Ackman é internacionalmente conhecido.
Há anos, o bilionário argumenta que a gravadora vale mais do que o indicado pelo preço de suas ações na bolsa de Amsterdã. Ele fundamenta sua opinião no crescimento do streaming, na previsibilidade da geração de caixa e no poder de um catálogo global e diversificado.
A expectativa é de que a transação seja concluída até o fim do ano.
O 'baby Buffett'
Quando Bill Ackman começou a ganhar relevância no mundo das finanças, no início dos anos 2000, a imprensa especializada norte-americana rapidamente o apelido de "Baby Buffett".
Era uma comparação direta com o megainvestidor agora aposentado Warren Buffett. Isso porque a estratégia de Ackman era muito parecida com a de Buffett, especialmente em características como foco em valor, visão de longo prazo e apostas concentradas, sempre baseadas em uma análise fundamentalista do investimento pretendido.
Com o tempo, o rótulo perdeu força. E o motivo é uma diferença relevante da personalidade ambos. Enquanto Buffett era conhecido por evitar o confronto, Ackman procurava por ele.
Bill Ackman e a Pershing Square
A proposta de Ackman pela Universal foi feita por intermédio de sua gestora, a Pershing Square Capital Management. O nome vem de uma conhecida praça no centro financeiro de Los Angeles, onde Ackman iniciou sua trajetória no mundo das finanças.
Ele fundou a Pershing Square em 2004. A gestora nasceu como um hedge fund tradicional. Com o tempo, transformou-se em uma casa de investimento ativista.
A estratégia da Pershing Square consiste em comprar participações relevantes em um número limitado de empresas. Na sequência, ela pressiona os conselhos de administração e vai a público defender mudanças quando considera necessário. O objetivo costuma ser destravar valor no longo prazo.
O foco da gestora comandada por Ackman concentra-se em negócios grandes e previsíveis, com histórico de boa geração de caixa.
A Pershing Square também opera veículos de capital permanente. O principal é a Pershing Square Holdings, listada em bolsa. Isso reduz o risco de resgates forçados e permite atravessar ciclos longos com menos solavancos.
Atualmente, a Pershing Square administra alto entre US$ 20 bilhões e US$ 30 bilhões em ativos, dependendo da metodologia de cálculo.
A tese que colocou Bill Ackman em outro patamar
Bill Ackman ganhou notoriedade no mundo das finanças em 2008. Sua grande aposta foi impulsionada pela crise do crédito imobiliário nos EUA em 2008.
Ackman apostou contra seguradoras de crédito como a MBIA. Comprou proteção via CDS quando o risco ainda era ignorado pela maior parte do mercado. No entanto, anos se passaram até que sua tese se confirmasse. Quando isso aconteceu a Pershing Square obteve ganhos bilionários — e fama internacional.
Mas essa não foi a única grande aposta de Ackman à frente da Pershing Square. Em fevereiro de 2020, Ackman comprou proteção contra o colapso do mercado antes do início da pandemia. Gastou cerca de US$ 27 milhões com o seguro. Semanas depois, embolsou um lucro de mais de US$ 2 bilhões.
Outra aposta certeira da Pershing Square foi a Chipotle, uma cadeia internacional especializada em culinária mexicana. Ackman pegou a empresa em crise, comprou na baixa, mudou o conselho, ajustou a estratégia e a empresa se recuperou, transformando-se em um dos grandes sucessos da Pershing Square em termos de geração de caixa.
O caso Herbalife
De qualquer modo, os acertos bilionários não tornam Bill Ackman infalível. O caminho do ativismo também teve seus tropeços. O mais notório envolveu a Herbalife.
Em 2012, Ackman montou uma grande posição vendida nas ações da fabricantes de suplementos alimentares.
Em uma longa apresentação pública, o bilionário acusou a Herbalife de operar um esquema de pirâmide financeira e lançou uma campanha aberta contra a empresa.
Ackman pressionou os órgãos reguladores e pediu o fechamento da companhia. No entanto, nem todo mundo acompanhou a tese do gestor da Pershing Square.
Enquanto a polêmica se espalhava, outros grandes investidores assumiram posição contrária à de Ackman e a ação da Herbalife se valorizou.
Depois de anos de imbróglio, órgãos reguladores até deram razão parcial a Ackman.
A Herbalife acabou sendo multada e foi obrigada a promover mudanças em seu modelo de negócios, mas continuou em operação.
O bilionário, por sua vez, amargou perdas financeiras relevantes no episódio.
Atualmente, o patrimônio pessoal de Ackman é estimado em cerca de US$ 9 bilhões.
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