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TOUROS E URSOS #276

Banco Central pressionado: juros, inflação e o gatilho que pode levar o dólar de volta aos R$ 6

Flávio Serrano, economista-chefe do Banco BMG, é o convidado do podcast Touros e Ursos desta semana e fala sobre o impacto duradouro da guerra na economia brasileira

Em primeiro plano, Flávio Serrano, economista-chefe do Banco BMG. Em segundo plano, Gabriel Galíopolo, presidente do Banco Central do Brasil. Em destaque, a frase: O problema de Galípolo
Em primeiro plano, Flávio Serrano, economista-chefe do Banco BMG. Em segundo plano, Gabriel Galíopolo, presidente do Banco Central do Brasil. - Imagem: Montagem Seu Dinheiro

A guerra no Oriente Médio pode estar com os dias contados, diante da possibilidade de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, mas seus efeitos devem continuar pressionando a inflação no Brasil e no mundo. Essa é a avaliação de Flávio Serrano, economista-chefe do Banco BMG, em participação no podcast Touros e Ursos.

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O problema, segundo o economista, é que o choque do petróleo atingiu o país com a economia já aquecida, desemprego baixo e pouca capacidade de aumento de produção. Nesse contexto, aumento de custos costumam se transformar mais rapidamente em inflação.

Para ele, o principal problema não está apenas na alta temporária nos preços dos combustíveis e fertilizantes, mas no impacto sobre as expectativas de inflação no futuro.

Com o governo aumentando os estímulos ao consumo via crédito, a economia teve dificuldade para absorver o choque inicial e refletiu para vários setores.

“Mesmo com o preço do petróleo voltando e, eventualmente, os preços dos combustíveis também voltando, não resolve mais. A economia já refletiu todo esse choque e é a gente que vai ter que trabalhar para resolver”, disse.

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A projeção de Serrano é de inflação de 5,40% neste ano, bastante acima da meta perseguida pelo Banco Central, de 3%.

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Juros e comunicação

Na avaliação de Serrano, a comunicação recente do Banco Central trouxe dúvidas sobre como a autoridade monetária está vendo o impacto da inflação na economia.

Antes da escalada das tensões no Oriente Médio, havia expectativa de cortes consistentes e rápidos na taxa de juros. Agora, o cenário se tornou mais complexo.

Para o economista, o mais adequado seria interromper temporariamente o ciclo de afrouxamento nos juros para avaliar os efeitos do ambiente externo e da inflação doméstica.

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Ele defende que a Selic permaneça no nível atual, de 14,25% ao ano, por mais tempo, em vez de uma redução que possa dificultar o processo de convergência da inflação.

O cenário internacional também pesa nessa avaliação. Serrano destacou a postura do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), que sinalizou uma política monetária mais restritiva do que o mercado esperava.

Juros mais altos nos Estados Unidos fortalecem o dólar globalmente e tendem a pressionar os preços em economias emergentes como a brasileira, tornando o controle da inflação ainda mais desafiador.

O fiscal e o dólar

Embora o possível aumento de juros nos EUA pressione o real em relação ao dólar, para Serrano, o gatilho que pode fazer a moeda norte-americana voltar ao patamar de R$ 6 é outro: o risco para as contas públicas.

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Segundo ele, o dólar estaria hoje em um patamar compatível entre R$ 5,00 e R$ 5,20. No entanto, uma deterioração fiscal pode alterar rapidamente essa dinâmica.

A preocupação é que déficits elevados nas contas públicas e crescimento acelerado da dívida reduzam a confiança dos investidores, aumentando a demanda por dólar e pressionando a taxa de câmbio.

Embora reconheça que o processo eleitoral de 2026 deve elevar a volatilidade dos mercados e o prêmio de risco dos ativos brasileiros, Serrano considera a questão fiscal um problema mais relevante por seu caráter estrutural.

Na visão do economista, sem uma melhora consistente das contas públicas, inflação elevada e juros altos podem permanecer como obstáculos ao crescimento do país.

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Touros e ursos da semana

No quadro que dá nome ao podcast, Serrano escolheu o petróleo como seu “urso” (destaque negativo) da semana. A justificativa foi o impacto da commodity sobre diferentes setores da economia, dos combustíveis aos alimentos.

Já o “touro” (destaque positivo) foi para as taxas de juros oferecidas atualmente ao investidor de renda fixa, especialmente nos títulos do Tesouro Direto.

Outros destaques escolhidos foram o senador Jaques Wagner (PT/BA) como urso, após as investigações da Polícia Federal revelarem possíveis vantagens indevidas no caso Master.

Já a Compass (PASS3) ganhou o touro por ser o primeiro IPO na bolsa brasileira desde 2021. Apesar da queda das ações após a estreia, analistas veem potencial de valorização de até 50% nos próximos meses.

Confira o episódio completo do Touros e Ursos

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