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Segundo os executivos, os juros estão mais relacionados com um momento de mercado, mas há pontos estruturais que precisam de atenção

Não há uma única 'bala de prata' capaz de destravar o desenvolvimento do crédito imobiliário, na visão de Inês Magalhães, vice-presidente de Habitação da Caixa Econômica Federal. Para ela, a questão é ter um crescimento saudável, resiliente e que, ao mesmo tempo, produza habitação adequada ao perfil da nossa população.
Porém, essa meta não é uma tarefa fácil, já que o setor imobiliário enfrenta uma série de gargalos — e Magalhães não é a único a enxergá-los. Executivos do Itaú, Bradesco, Banco do Brasil e Santander destacaram que não basta reduzir a alta taxa de juros, porque o nível de endividamentos das famílias não é o único problema que trava o crescimento do setor.
“A taxa de juros afeta a demanda, mas, no caso do crédito habitacional, ela vai continuar grande, porque o déficit habitacional é elevado. O sonho do imóvel próprio sempre tem um peso maior [que a Selic alta]”, disse Gilson Bittencourt, vice-presidente de agronegócios do Banco do Brasil, durante a Abecip Summit 2026.
Já Flávio Iglesias, diretor do Itaú, avalia que a questão dos juros está mais relacionada com um momento de mercado. Porém, “há pontos que são mais estruturais e que necessitam ser discutidos junto com a indústria", afirmou.
Na visão dos executivos, o problema central está no financiamento. Iglesias defende que o setor ainda necessita de uma oferta de financiamentos de longo prazo, compatíveis com a natureza dos ativos imobiliários, os quais exigem horizontes mais extensos.
Já Bittencourt destaca que, embora a poupança continue importante, não é suficiente para atender à demanda, o que exige novas alternativa para o mercado. “As novas formas que já foram desenvolvidas, como as Letras de Créditos Imobiliários (LCIs), têm contribuído, mas não num nível suficiente”, afirmou.
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Magalhães também coloca o financiamento no centro da discussão, mas vai além. “Os temas da taxa de juros e do funding são estruturais e têm efeitos dominó em outras questões. Porém, o principal obstáculo é em relação à necessidade de diversificação. Só que a renda é tão importante quanto”, comentou.
Segundo a vice-presidente da Caixa, um país menos desigual ajudaria muito a destravar o setor imobiliário. “A distribuição de renda mais equilibrada também é um tema importante”, avaliou.
Já para o executivo do Itaú, a segurança jurídica também dificulta o desenvolvimento do mercado, apesar de enxergar que houve evoluções importantes no país.
Além disso, Iglesias avalia que a eficiência e os custos dos processos são repassados para o cliente, o que impacta a capacidade de crescimento do crédito imobiliário. Ele ainda destaca a questão da estabilidade regulatória.
“É importante termos uma visibilidade de longo prazo sobre o arcabouço que o produto vai operar, seja em capital, seja em compulsório. Assim, as instituições financeiras terão conforto e segurança para continuar acelerando muito o crédito imobiliário”, afirmou.
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