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SEM ‘BALA DE PRATA’

A Selic não é a única vilã: Caixa, Itaú, BB e outros bancos revelam o que falta para destravar o crédito imobiliário no Brasil

Segundo os executivos, os juros estão mais relacionados com um momento de mercado, mas há pontos estruturais que precisam de atenção

Da esquerda para direita: Maria Luiza Filgueiras, editora do Pipeline Valor; Ede Viani, vice-presidente executivo do Santander; Flávio Iglesias, diretor do Itaú; Gilson Bittencourt, vice-presidente de agronegócios do Banco do Brasil; Inês Magalhães, vice-presidente da Caixa; e Rocha, vice-presidente executivo do Bradesco. - Imagem: Dani Alvarenga

Não há uma única 'bala de prata' capaz de destravar o desenvolvimento do crédito imobiliário, na visão de Inês Magalhães, vice-presidente de Habitação da Caixa Econômica Federal. Para ela, a questão é ter um crescimento saudável, resiliente e que, ao mesmo tempo, produza habitação adequada ao perfil da nossa população. 

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Porém, essa meta não é uma tarefa fácil, já que o setor imobiliário enfrenta uma série de gargalos — e Magalhães não é a único a enxergá-los. Executivos do Itaú, Bradesco, Banco do Brasil e Santander destacaram que não basta reduzir a alta taxa de juros, porque o nível de endividamentos das famílias não é o único problema que trava o crescimento do setor. 

“A taxa de juros afeta a demanda, mas, no caso do crédito habitacional, ela vai continuar grande, porque o déficit habitacional é elevado. O sonho do imóvel próprio sempre tem um peso maior [que a Selic alta]”, disse Gilson Bittencourt, vice-presidente de agronegócios do Banco do Brasil, durante a Abecip Summit 2026. 

Já Flávio Iglesias, diretor do Itaú, avalia que a questão dos juros está mais relacionada com um momento de mercado. Porém, “há pontos que são mais estruturais e que necessitam ser discutidos junto com a indústria", afirmou. 

O peso do funding no crédito imobiliário 

Na visão dos executivos, o problema central está no financiamento. Iglesias defende que o setor ainda necessita de uma oferta de financiamentos de longo prazo, compatíveis com a natureza dos ativos imobiliários, os quais exigem horizontes mais extensos. 

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Já Bittencourt destaca que, embora a poupança continue importante, não é suficiente para atender à demanda, o que exige novas alternativa para o mercado. “As novas formas que já foram desenvolvidas, como as Letras de Créditos Imobiliários (LCIs), têm contribuído, mas não num nível suficiente”, afirmou. 

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Magalhães também coloca o financiamento no centro da discussão, mas vai além. “Os temas da taxa de juros e do funding são estruturais e têm efeitos dominó em outras questões. Porém, o principal obstáculo é em relação à necessidade de diversificação. Só que a renda é tão importante quanto”, comentou.

Muito além do financiamento 

Segundo a vice-presidente da Caixa, um país menos desigual ajudaria muito a destravar o setor imobiliário. “A distribuição de renda mais equilibrada também é um tema importante”, avaliou. 

Já para o executivo do Itaú, a segurança jurídica também dificulta o desenvolvimento do mercado, apesar de enxergar que houve evoluções importantes no país.  

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Além disso, Iglesias avalia que a eficiência e os custos dos processos são repassados para o cliente, o que impacta a capacidade de crescimento do crédito imobiliário. Ele ainda destaca a questão da estabilidade regulatória.  

“É importante termos uma visibilidade de longo prazo sobre o arcabouço que o produto vai operar, seja em capital, seja em compulsório. Assim, as instituições financeiras terão conforto e segurança para continuar acelerando muito o crédito imobiliário”, afirmou. 

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