A revolução do Pix ficou maior do que o próprio Pix? Brasil deixou o dinheiro vivo para trás — e agora lidera a transformação dos pagamentos
Pix, carteiras digitais e bancarização recorde colocam o Brasil entre os líderes globais da transformação financeira; entenda

O brasileiro pode até continuar carregando cartões na carteira, mas a forma como paga contas, faz compras e movimenta dinheiro mudou totalmente nos últimos anos. O dinheiro físico perdeu espaço de forma acelerada, enquanto pagamentos instantâneos, carteiras digitais e transações feitas pelo celular passaram a ocupar o centro da rotina de consumidores e empresas.
Segundo a edição de 2026 do Global Payments Report, da Global Payments, o Brasil se consolidou como um dos mercados mais avançados do mundo em pagamentos digitais.
A transformação foi impulsionada pelo avanço da bancarização, pela popularização das carteiras digitais e, principalmente, pela expansão do Pix.
Com 96,4% da população bancarizada, o país passou a ocupar uma posição de destaque em um setor que vem redefinindo a relação entre consumo, tecnologia e serviços financeiros.
Na avaliação da Global Payments, a combinação entre inclusão financeira, adoção tecnológica e inovação regulatória criou no Brasil um ambiente que poucos países conseguiram replicar na mesma velocidade.
Para Juan Pablo D'Antiochia, gerente-geral de Enterprise da Global Payments para a América Latina, a mudança reflete uma nova expectativa do consumidor em relação à experiência financeira.
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"O consumidor é o principal motor dessa mudança. Uma vez que ele experiencia uma jornada mais simples e segura, não há retorno ao passado. Ao contrário, a pressão por inovação só aumenta", afirma o executivo, em nota.
Pix como motor da transformação dos pagamentos digitais
Lançado pelo Banco Central há pouco mais de cinco anos, o Pix deixou de ser apenas uma alternativa às transferências bancárias para se tornar um dos principais meios de pagamento do país, tanto no ambiente digital quanto no comércio físico.
Segundo o Global Payments Report 2026, o sistema respondeu por 42% do valor transacionado no e-commerce brasileiro em 2025 e por 34% do volume movimentado nos pontos de venda (PDVs) físicos.
Além de simplificar a experiência do consumidor, o sistema reduziu custos, acelerou recebimentos e ampliou a eficiência operacional para comerciantes de diferentes portes.
Na avaliação da Global Payments, a evolução da plataforma do BC tem sido um dos fatores que sustentam esse crescimento.
A incorporação de novas funcionalidades e a ampliação dos casos de uso vêm expandindo o alcance do sistema para além das transferências entre pessoas.
"O consumidor é o principal motor dessa mudança. Uma vez que ele experiencia uma jornada mais simples e segura, não há retorno ao passado. Ao contrário, a pressão por inovação só aumenta", afirma D'Antiochia.
Além disso, a influência do Pix começou a ultrapassar as fronteiras brasileiras. Por meio de parcerias internacionais, o sistema já pode ser utilizado por brasileiros em mercados como Argentina, Chile, Portugal, Espanha e Estados Unidos.
Ao mesmo tempo, turistas estrangeiros encontram cada vez mais opções para realizar pagamentos via Pix em estabelecimentos no Brasil.
Além do Pix: cartão de crédito continua relevante — mas em novo formato
Embora o Pix seja o principal motor da transformação dos pagamentos no Brasil, o avanço dos meios digitais não significou a perda de relevância do cartão de crédito.
Mesmo diante do crescimento acelerado dos pagamentos conta a conta (A2A), o cartão segue desempenhando papel importante na jornada de consumo dos brasileiros.
No e-commerce, ele ainda responde por cerca de 40% das transações, segundo o relatório.
Para a Global Payments, a resiliência do cartão está ligada a características que continuam difíceis de substituir, como programas de fidelidade, acúmulo de pontos e milhas e, principalmente, a possibilidade de parcelamento das compras..
O que vem mudando, porém, é a forma como o cartão é utilizado. Cada vez mais consumidores deixam o plástico na carteira e migram seus meios de pagamento para carteiras digitais (wallets), como Apple Pay, Google Wallet e Mercado Pago.
Para a Global Payments, a expansão das wallets representa uma das próximas etapas da digitalização dos meios de pagamento, aproximando ainda mais consumidores, bancos e varejistas dentro de ecossistemas integrados.
Adeus, dinheiro físico?
A transformação dos hábitos de pagamento também aparece na queda acelerada do uso de dinheiro em espécie.
Enquanto parte da América Latina ainda mantém forte dependência das cédulas e moedas, o Brasil passou a apresentar indicadores mais próximos dos observados em economias desenvolvidas.
O relatório destaca que o dinheiro físico respondeu por apenas 12% das transações realizadas em pontos de venda em 2025.
Para efeito de comparação, o México ainda registra cerca de 40% das transações presenciais realizadas em espécie.
O movimento aproxima o Brasil de mercados como Reino Unido e Estados Unidos, onde os meios digitais já dominam boa parte das transações de varejo.
Transformação ainda está longe do fim
Embora a digitalização dos pagamentos tenha avançado rapidamente nos últimos anos, a avaliação da Global Payments é que o processo ainda está em curso.
Novas soluções de pagamento, maior integração entre serviços financeiros e comércio eletrônico e a expansão de modelos digitais devem continuar remodelando a forma como consumidores e empresas se relacionam com o dinheiro.
"Este é um momento de possibilidades significativas para os estabelecimentos comerciais e para toda a indústria de pagamentos que os conecta", afirma D'Antiochia.
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