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Carolina Gama

Formada em jornalismo pela Cásper Líbero, já trabalhou em redações de economia de jornais como DCI e em agências de tempo real como a CMA. Já passou por rádios populares e ganhou prêmio em Portugal.

ONDE INVESTIR 2026

O bitcoin morreu ou vai a US$ 175 mil em 2026? Saiba quais são as melhores criptomoedas para investir neste ano

Um trio de especialistas participa do evento Onde Investir, do Seu Dinheiro, e aponta as tendências, os riscos (incluindo as eleições) e as melhores estratégias para obter bons retornos com ativos digitais na primeira metade do ano

Carolina Gama
23 de janeiro de 2026
13:05 - atualizado às 10:42

O bitcoin (BTC) não morreu em 2025, tampouco estamos no velório da maior criptomoeda em 2026. Depois de quebrar recordes e superar a marca de US$ 125 mil no ano passado, o BTC acumulou perdas da ordem de 30% no período, mas este está longe de ser o fim do principal ativo digital do mundo.

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O consenso é de Guilherme Prado, diretor da Bitget para o Brasil; Marcello Cestari, diretor associado de criptoativos da Empiricus Asset; e de Alexandre Vasarhelyi, fundador da B2V Crypto. O trio participou o programa Onde Investir 2026, que trata das principais criptomoedas do mercado.

Esta matéria faz parte de uma série especial do Seu Dinheiro sobre onde investir no primeiro semestre de 2026. Eis a lista completa: 

“Com certeza o bitcoin não morreu. O que houve foi uma mudança de humor e uma frustração entre aqueles que tinham uma estratégia ou uma expectativa um pouco mais linear. O bitcoin continua sendo o mesmo, e a projeção também”, disse Prado, acrescentado que quedas abruptas sob esse cenário podem ser comuns.

Vasarhelyi lembra de perdas mais acentuadas do bitcoin, como em 2018, quando o tombo chegou a 80%. E, por isso, o fundador da B2V Crypto é categórico: “30% de queda para o bitcoin não pode ser nem considerado o início de um movimento acentuado de perdas”.

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“Anualmente, tínhamos duas ou três quedas de 50%, e ano passado não tivemos isso, então, para quem está há mais tempo nesse mercado, fica claro que o bitcoin está se tornando um ativo muito mais consolidado, com volatidade caindo e institucional entrando. Para mim, 2025 foi a formatura do ativo.”

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Para além dos números, Cestari chama atenção para a regulação do mercado de criptomoedas — que ele considera um dos pontos altos de 2025.

“A regulamentação foi muito positiva para o mercado de criptomoedas, que passou por realização de lucro e algumas correções. Em termos de preço, claro, não foi um ano positivo para o bitcoin e para o mercado de cripto em geral”, afirmou o diretor da Empiricus Asset.

Se o bitcoin não morreu, o que esperar das criptomoedas em 2026?

Já que o bitcoin segue mais vivo do que nunca, os especialistas que participaram do Onde Investir dizem para onde olhar no mercado de criptomoedas em 2026.

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A primeira parada do investidor, segundo o trio, deve ser a Polymarket, uma plataforma de previsões construída em blockchain — a tecnologia por trás do BTC e de outras criptos — que permite aos usuários apostar em resultados de eventos futuros, não somente em eleições, mas em assuntos variados como esporte ou entretenimento.

Entre os apoiadores do projeto estão o bilionário da tecnologia Peter Thiel, cofundador do PayPal, e Vitalik Buterin, criador do ethereum (ETH).

“O Polymarket é um produto cripto, e isso mostra que temos hoje vários mercados nos quais os ativos digitais se fazem presentes, em uma demonstração de possibilidades e capacidade de entrar em outros mercados”, disse Vasarhelyi, da B2V Crypto.

Cestari, da Empiricus Asset, aponta também as stablecoins, aqueles ativos digitais com lastro em ativos reais, como promissoras em 2026.

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“Foi a narrativa do ano passado, mas acho que vai se perpetuar ao longo desse ano também. Basta observar que [Donald] Trump tem interesse estratégico em investir em stablecoins. Não é à toa que ele deu as bênçãos ao Genius Act, em uma demonstração positiva de que não há apenas interesse institucional como também governamental”, disse.

  • Genius Act é a primeira lei federal norte-americana que regula stablecoins (lastreadas em dólar) e que foi sancionada no ano passado.

Entre os setores para ficar de olho em 2026, Prado, da Bitget, fez sua previsão: a consolidação do mercado financeiro com o mercado de criptomoedas.

“De olho nisso, a Bitget não deixou de ser uma exchange centralizada, mas agora também é uma UAX. Com isso, temos além dos criptoativos, o forex (dólar) e as ações tokenizadas”, disse.

  • UEX, ou Universal Exchange, refere-se, na Bitget, à estratégia de se tornar uma plataforma que oferece acesso a uma ampla gama de ativos, não apenas criptomoedas, mas ações, ETFs, forex e commodities, permitindo que usuários negociem tudo em um só lugar usando stablecoins.

Entre as vantagens da consolidação, os especialistas dizem que, em um futuro próximo, será possível comprar títulos de dívida tokenizados de governos como o dos EUA em qualquer lugar do mundo, com apenas um clique, eliminando o intermediário e simplificando ainda mais os investimentos.

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Bitcoin: o novo ouro digital?

Guerra da Rússia contra a Ucrânia, Hamas contra Israel, as turbulências no Irã e a invasão dos EUA à Venezuela — todos esses eventos recentes forçaram os investidores a buscar abrigo em ativos considerados mais seguros, em especial, o ouro.

O metal precioso acumulou ganho de mais de 60% em dólares no ano passado, despontando como o melhor investimento de 2025. Segundo os especialistas do Onde Investir, o ouro tem um forte concorrente: o bitcoin, mesmo a maior criptomoeda do mundo sendo considerada um ativo de risco.

“No meu ponto de vista, o bitcoin já é o ouro digital. Claro, é uma alternativa. Ele não vai substituir o ouro. É como se houvesse um novo ingrediente no bolo”, diz Prado, da Bitget.

Cestari, da Empiricus Research, enxerga o bitcoin como hedge contra a inflação. Ele lembra que a inflação do ouro é maior do que a do BTC — 1,2% a 1,4% do metal precioso contra 0,8% da criptomoeda.

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“Eu enxergo o bitcoin hoje como hedge contra a inflação. Cada vez mais empresas e governos comprarão bitcoin, e quem já estiver nesse mercado vai chegar na frente de quem entrar por último nessa corrida”, disse.

Questionado sobre o papel das criptomoedas no cenário geopolítico global, Vasarhelyi, da B2V Crypto, respondeu: “O mundo está menos globalista. Se vai ficar mais isolacionista eu ainda não sei. Mas imaginemos que a gente tenha um bloco dos EUA, outro da Rússia e outro da China. Como esses blocos vão se falar? Não sei, mas eu sei que o bitcoin fala com todo mundo”.

Segundo ele, o mundo tem hoje cerca de 180 moedas, e o BTC tem par com 175 delas, já sendo usado por cinco países.

“Se você é o cara que conversa com todo mundo em um mundo no qual ninguém se conversa, sua vantagem competitiva é gigantesca. Eu nunca vi ninguém comprar nada com moeda de ouro, mas com bitcoin eu já vi”, disse Vasarhelyi.

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Onde investir em 2026 no mundo cripto?

Depois de derrapar em 2025, mas com um futuro promissor, a pergunta que muito investidor deve estar se fazendo é: onde investir em criptomoedas em 2026?

Vasarhelyi logo dá um aviso: em meio ao movimento de consolidação que estamos vendo, agora não é a hora de colocar pimenta no portfólio e sim apostar nas criptomoedas já consolidadas.

“Nós, da B2V, somos uma casa conservadora, então olhamos para as 20 maiores criptomoedas do mundo neste momento. Se a janela se abrir e a consolidação terminar, podemos escancarar as portas para outros ativos digitais”, disse.

Perguntado sobre projeções de preços para o bitcoin, Vasarhelyi vê o BTC encerrar 2026 em US$ 175 mil. Atualmente, a maior criptomoeda do mundo está cotada na casa de US$ 95 mil.

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Para além da tese do BTC, o fundador da B2V também vê o ethereum com bons olhos. “É o blockchain mais maduro e, se a tese da stablecoin prevalecer, é o que vai captar mais valor”.

O fundador da B2V Crypto chama atenção ainda para o fato de 2026 ser um ano eleitoral.

“No Brasil, toda vez que você tem eleição, há um risco muito grande para os investimentos. Os criptoativos, no entanto, trabalham em outra frequência. Então eu recomendo que os investidores peguem seus riscos, retirem um pouco do risco do Brasil e usem esses riscos em criptoativos, ou dólar ou bolsa norte-americana; é uma boa estratégia para o portfólio”.

Cestari, por sua vez, diz que a Empiricus Gestão reduziu a carteira para seis a oito criptoativos, considerando apenas os maiores do mercado.

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“São ativos mais consolidados e com maior participação do institucional. Hoje temos mais tokens e menos liquidez, então fica mais difícil capturar valor com ativos menores. Acho que a virada de mão não começou ainda”, afirmou.

Sob essa óptica, Cestari cita o bitcoin, ativos ligados às stablecoins e os maiores ativos do mercado digital que estão interligados com o institucional.

Sobre preços, ele projeta US$ 150 mil para o BTC até o final do ano.

Prado, da Bitget, também dá seu conselho ao investidor: “o momento não é de loucura e de apostar em teses alternativas no mercado de ativos digitais”.

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“Eu vou ser mais conservador ainda: acho que o investidor deve ficar nas dez maiores moedas digitais neste momento, e entender como fazer dinheiro em cima desses ativos”, disse.

Nesse sentido, ele indica, além do bitcoin, o ethereum e a solana (SOL) como possibilidades de investimentos para quem quer ter exposição às criptomoedas, lembrando sempre que é um ativo de risco e implica em perdas.

Prado também foi o mais conservador do trio e projetou o BTC em US$ 125 mil — a mesma máxima superada em 2025 — para este ano.

Confira a seguir na íntegra o evento Onde Investir 2026

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