Nem Bitcoin (BTC), nem Ethereum (ETH): a melhor criptomoeda de 2025 até aqui subiu mais de 6.000%
Enquanto uns brilharam, outros comeram poeira em meio à volatilidade que marcou o ano — o ativo digital que mais perdeu no período caiu quase 90%; saiba para onde olhar em 2026

O ano de 2025 foi marcado por uma grande oscilação entre as criptomoedas que, notoriamente, são investimentos arriscados, já que seus preços podem disparar ou despencar em questão de minutos. Ainda assim, alguns ativos digitais conseguiram brilhar no período — mas o Bitcoin (BTC) e o Ethereum (ETH) não fazem parte deste grupo.
O pelotão das maiores altas é liderado por uma ilustre desconhecida da maioria dos investidores em ativos digitais: a Pippin (PIPPIN), que subiu 6.378% em 2025, de acordo com dados da CoinMarketCap. Vale lembrar seu crescimento exponencial no ano até aqui não é necessariamente sinônimo de uma boa opção para investir.
Frequentemente categorizada como uma criptomoeda meme que roda na blockchain Solana, o que diferencia a Pippin de outras criptomoedas meme é sua profunda ligação com o mundo da inteligência artificial (IA).
Originalmente um SVG (Scalable Vector Graphics) de unicórnio desenhado usando o modelo do ChatGPT 4, evoluiu para um agente de IA autônomo na plataforma X (antigoTwitter).
A Pippin foi criada por Yohei Nakajima, um renomado inovador na área de IA e capital de risco, que é conhecido por sua abordagem de construção em público.
Nakajima já lançou mais de 100 protótipos baseados em IA, agentes de automação e projetos de código aberto, mas seu trabalho mais famoso é o BabyAGI, reconhecido como o primeiro agente autônomo de código aberto com capacidade de planejamento de tarefas que viralizou.
Na segunda colocação, aparece a AB (AB), que subiu 2.285% no ano até aqui, de acordo com dados da CoinMarketCap.
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A criptomoeda foi construída sobre os alicerces estabelecidos pelo Projeto Newton, lançado em 2018, que tinha como meta criar uma infraestrutura para a Economia Comunitária — cujo princípio era de que "todos devem se beneficiar diretamente da expansão econômica".
Ao longo dos anos, essa visão foi parcialmente concretizada por meio do desenvolvimento de infraestrutura descentralizada que apoia economias impulsionadas pela comunidade. Com a primeira fase dessa jornada concluída, Projeto Newton mudou de nome para AB, sinalizando uma mudança estratégica em direção a um ecossistema blockchain mais avançado.
Vale lembrar que a AB se concentra em infraestrutura blockchain heterogênea, integração de ativos do mundo real e tokenomics otimizada.
Fechando o pódio, aparece a Zcash (ZEC), uma criptomoeda descentralizada focada em privacidade e anonimato, com um ganho acumulado no ano até aqui de 623,20%.
- A maioria das criptomoedas no mercado, incluindo o Bitcoin, não é anônima, mas sim pseudônima; embora não revelem identidades explicitamente, cada usuário possui seu próprio endereço público ou endereços que podem ser rastreados por meio de métodos de ciência de dados e análise forense de blockchain.
A Zcash utiliza a tecnologia de prova de conhecimento zero zk-Snark, que permite que os nós da rede verifiquem as transações sem revelar qualquer informação sensível sobre elas.
Ainda assim, as transações de ZEC precisam ser retransmitidas por meio de um blockchain público, mas, diferentemente das criptomoedas pseudônimas, essas transações não revelam os endereços de envio e recebimento nem o valor enviado.
Confira abaixo o ranking das cinco criptomoedas que mais acumularam ganhos em 2025 até aqui:
| Nome | Valorização no ano* |
|---|---|
| Pippin (PIPPIN) | 6.364,53% |
| AB (AB) | 2.790,88% |
| Zcash (ZEC) | 682,66% |
| Monero (XMR) | 127,60% |
| OKB (OKB) | 120,80% |
As piores criptomoedas
Quem puxa a fila dos derrotados no ano até aqui é a Optimism (OP), com uma perda de 85,03%.
A OP é uma blockchain de segunda camada sobre o Ethereum, que se beneficia da segurança da rede principal do ETH — o que significa que as transações são, em última instância, protegidas no Ethereum.
Em segundo lugar entre as piores criptomoedas do ano está a Stacks (STX), com uma desvalorização de 83,61%, de acordo com a CoinMarketCap.
A Stacks é uma camada Bitcoin para contratos inteligentes — ela permite que contratos inteligentes e aplicativos descentralizados usem BTC como ativo e liquidem transações na blockchain do Bitcoin.
Fechando o pódio, aparece o Virtuals Protocol (VIRTUAL). Negociado em diversas corretoras de criptomoedas importantes, incluindo Bitget, BiKing, Hibt, BitMart e BingX, atraiu bastante atenção, mas patinou em 2025: acumula baixa de 82,43% no ano até aqui.
Entre as possíveis desvantagens da VIRTUAL, especialistas apontam custo, riscos de segurança e limitações na comunicação e colaboração.
Confira abaixo o ranking das cinco criptomoedas que mais acumularam perdas em 2025 até aqui:
| Nome | Desvalorização no ano* |
|---|---|
Optimism (OP) | -85,03% |
| Stacks (STX) | -83,61% |
| Virtuals Protocol (VIRTUAL) | -82,43% |
| Artificial Superintelligence Alliance (FET) | -84,04% |
| Starknet (STRK) | -83,00% |
Bitcoin e Ethereum: fora das melhores e das piores do ano
Não dá para negar que 2025 foi um ano e tanto para as criptomoedas: o bitcoin atingiu recordes sucessivos, o governo norte-americano aprovou legislação sobre stablecoins e a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC) e a Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC) concordaram em trabalhar juntas para fomentar a inovação entre os ativos digitais.
Boa parte do desempenho do BTC em 2025 se deve aos ETFs — fundos que permitem investir na criptomoeda direto em bolsa, sem a necessidade de abrir conta em uma corretora de criptoativos (exchange) ou gerenciar carteiras digitais — e também pela adoção institucional.
- Dados da Bloomberg mostram que os ETFs receberam mais de US$ 25 bilhões, elevando a gestão de ativos para US$ 169 bilhões.
Esse fluxo ajudou a consolidar a narrativa do Bitcoin como um hedge contra inflação, desvalorização monetária e instabilidade política. Mas também é verdade que os últimos meses do ano foram desanimadores em termos de preço para a maioria das criptomoedas.
O Bitcoin, por exemplo, chegou à máxima de US$ 126 mil em outubro deste ano e agora negocia por volta de US$ 90 mil, uma queda de cerca de 30% com relação ao pico. No ano, a perda é de 6,24%.
A venda é fruto de uma combinação: tomada de lucro por investidores de longo prazo, saídas institucionais, liquidação de posições e incerteza macroeconômica.
"O ano de 2025 foi isso: muito choque macroeconômico e discussão de tarifa, que fez o mercado ficar avesso ao risco. O Bitcoin sentiu essa movimentação porque é um ativo de risco", disse Valter Rebelo, especialista em criptomoedas da Empiricus Research.
Ele afirma ainda que “muito da queda do Bitcoin foi provada pelas baleias, que tinham acumulado BTC há um bom tempo e venderam pesadamente” na reta final do ano.
- As baleias são investidores ou entidades e fundos que possuem grandes volumes de uma criptomoeda, com poder suficiente para influenciar significativamente o preço do mercado.
Rebelo, no entanto, acredita que a queda do Bitcoin nos últimos meses não representa uma mudança de tendência, visto que os cortes nos juros nos EUA seguem no radar Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), beneficiando ativos mais arriscados como as criptomoedas.
O Ethereum, por sua vez, acumula perda de 12,40% no ano até aqui, mas há quem diga que a segunda maior criptomoeda do mundo ainda pode voltar aos US$ 5 mil — atualmente, está sendo negociado abaixo de US$ 3 mil.
Segundo a CryptoQuant, apenas quatro vezes nos últimos cinco anos o ETH foi negociado muito próximo ao preço realizado pelas baleias que detêm pelo menos 100 mil ETH. "Duas vezes ocorreram durante o mercado de baixa de 2022, enquanto as duas restantes aconteceram este ano", diz a análise.
Em abril, o preço do ETH se recuperou, registrando uma alta de 260% até atingir a máxima histórica de US$ 5.000.
"O ETH está sendo negociado atualmente ao preço realizado pelos maiores detentores", disse o analista Quentin Francois, acrescentando: "Esta é historicamente uma oportunidade de compra."
Se a história se repetir, segundo Francois, o ETH poderá subir para até US$ 5.000, impulsionado pelo aumento da demanda de empresas de tesouraria e pelo retorno dos fluxos de entrada de ETFs à vista.
Criptomoedas: o que esperar para 2026
Qualquer previsão relacionada ao mercado financeiro é arriscada, pior ainda quando estamos falando das criptomoedas. Embora seja difícil estimar o comportamento de ativos tão voláteis, especialistas destacam três pontos para ficar de olho em 2026:
1 - O uso de stablecoins
As stablecoins oferecem os benefícios do blockchain — liquidações quase instantâneas a baixo custo — sem a volatilidade das criptomoedas.
No entanto, existem riscos na criação de versões em blockchain do dólar ou do euro. Principalmente, o risco de as moedas entrarem em colapso se perderem sua paridade cambial ou não mantiverem reservas suficientes.
Este ano, os legisladores enfrentaram alguns desses riscos de frente, criando estruturas claras para a emissão de stablecoins, incluindo regras sobre os requisitos de reserva. Agora, varejistas, bancos, empresas de tecnologia e provedores de pagamento estão buscando maneiras de integrar as stablecoins em suas operações. Podemos esperar que essa tendência continue em 2026 e nos anos seguintes.
Para os investidores, isso significa que o dinheiro digital está mudando. A consultoria McKinsey estima que as transações com stablecoins poderão ultrapassar as tradicionais em menos de dez anos — a previsão é de que o valor do mercado de stablecoins cresça de cerca de US$ 250 bilhões atualmente para US$ 2 trilhões até 2028.
De acordo com especialistas, investidores em criptomoedas podem tentar aproveitar essa tendência comprando criptomoedas baseadas em contratos inteligentes, como Ethereum e Solana — se as stablecoins forem emitidas em blockchains públicas em vez de privadas, essas duas estão atualmente na liderança.
“Existem projeções que indicam que as stablecoin vão de dobrar de tamanho de mercado ou triplicar até 2026, e até 2030 esse mercado pode chegar a US$ 2 trilhões, de acordo com dados do próprio Fed”, afirma Rebelo, da Empiricus.
Mas fica um alerta: para quem investe em ações do setor financeiro, a ascensão das stablecoins pode ameaçar o status quo.
Embora os grandes bancos estejam explorando as oportunidades potenciais das stablecoins, qualquer disrupção apresenta tanto oportunidades quanto ameaças — não está claro, por exemplo, se as stablecoins pressionarão os depósitos bancários.
2- Criptomoeda como valor mobiliário ou commodity
Os EUA deram o pontapé para a regulação das criptomoedas, mas a clareza regulatória para criptomoedas não veio em 2025. Especialistas e o mercado, no entanto, entendem que há chances de isso acontecer no ano que vem.
Qualquer estrutura que tire os ativos digitais da atual zona cinzenta é poderosa. Além disso, permitirá que os investidores saibam qual é a sua situação — o mercado de criptomoedas poderia crescer sem o receio de que as autoridades mudem as regras do jogo.
Regras consistentes também poderiam ajudar a reduzir os usos ilícitos de criptomoedas e dar aos reguladores mais poder para combater fraudes. Também podem tornar o setor mais atraente para investidores institucionais que precisam cumprir requisitos de conformidade.
Por outro lado, regras mais rígidas podem ser onerosas para as empresas de criptomoedas e pode haver consequências fiscais para os investidores.
3 - Tokenização de ativos do mundo real
A tokenização de ativos do mundo real (RWA, na sigla em inglês) é uma forma de registrar a propriedade física no blockchain. Ela pode ser aplicada a todos os tipos de ativos, incluindo ações, títulos, obras de arte, imóveis e muito mais. Stablecoins são uma forma de propriedade tokenizada.
Os tokens de blockchain são fáceis de negociar. Os ativos podem ser divididos em pequenas frações e os contratos inteligentes podem automatizar processos como geração de rendimento e distribuição de dividendos.
Para os investidores, esse avanço pode mudar a forma como se compra, vende e se mantém diversos ativos. Também pode abrir o acesso a investimentos alternativos, incluindo capital privado, que geralmente estão disponíveis apenas para investidores qualificados.
“O mercado também acredita em tokenização e ativos, e essa é uma movimentação que deve crescer mais em 2026”, disse Rebelo, da Empiricus.
No entanto, os investidores podem não ter as mesmas proteções — é fundamental verificar se cada token é lastreado por algo concreto no mundo real.
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