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Depois de passar por uma fase bastante difícil “na carreira”, a Cosan ainda tem muito valor a destravar no período que antecede sua retirada dos gramados — mas atenção à volatilidade

Independentemente de sua nacionalidade ou seleção de futebol para a qual você torça, o mundial da Fifa de 2026 oferecerá a todos nós a última chance de testemunhar Messi, Cristiano Ronaldo e Neymar em uma Copa do Mundo.
Apesar de já sentir uma certa saudade, nos resta saber apreciar aquela que deve ser a última dança de três dos maiores ícones do esporte mais popular do mundo.
Outro ícone que começou a se despedir — da Bolsa, neste caso — é a Cosan (CSAN3), mas não se assuste, porque isso pode ser boa notícia para os acionistas.
Na teleconferência de resultados do primeiro trimestre, o CEO Marcelo Martins disse ser “bastante razoável” assumir que a Cosan deixaria de existir em um horizonte de 3 a 5 anos. Para entender o motivo, precisamos voltar alguns anos para compreender como a companhia chegou nesta situação.
A história pós-IPO da Cosan é marcada por dois períodos bastante distintos. O primeiro, a partir de 2007, iniciou o processo de expansão e diversificação com os investimentos na Rumo, Radar, Esso (que depois viraria Shell/Raízen), Comgás (que depois seria absorvida pela Compass) e, por fim, a compra de ações da Vale.
A estratégia era relativamente simples: levantar capital através de dividendos das subsidiárias ou captação de dívidas e comprar participações em novas empresas, aumentando cada vez mais o conglomerado.
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Aqui vale um esclarecimento importante: na condição de uma holding que toma decisões “arriscadas” de investimento, se faz necessário um desconto para os ativos detidos (desconto de holding) que reflita a possibilidade de eventuais erros na alocação de capital. Essa estratégia deu bastante certo até o início desta década, quando entramos em um ciclo de forte aperto da Selic.

A combinação de alto endividamento, juros elevados e um ciclo pesado de capex, especialmente em Rumo e Raízen, já seriam muito ruins para o negócio. Mas ainda tivemos queimadas de canaviais que atrapalharam bastante a produtividade da cana-de-açúcar, um aporte bilionário na Vale em um timing desfavorável, investimentos em etanol de segunda geração com retornos muito baixos, aumento de competição de grupos sonegadores no segmento de distribuição de combustíveis e um incêndio que destruiu a maior planta de lubrificantes da Moove.
A tempestade perfeita acabou de vez com as ambições da Cosan de continuar crescendo. Os dividendos das subsidiárias já não cobriam mais os juros da dívida e a solução foi começar a vender ativos, ainda que em um timing desfavorável.
Aqui vale uma observação importante: a solução para os problemas da Cosan passa pela venda de ativos, o que significa que daqui em diante testemunharemos um encolhimento da holding até o momento em que ela não terá mais razão de existir.
Primeiro porque a Cosan negocia atualmente com um desconto de quase 30% para o valor de suas participações. Mas em um contexto de redução do conglomerado e venda de participações, esse desconto deveria reduzir drasticamente, dado o baixo risco de alocação de capital — eventualmente, podemos até ver participações da Cosan sendo vendidas com um prêmio de controle para o preço de tela, o que ajudaria a reduzir ainda mais a percepção de necessidade de desconto de holding.
O segundo motivo para investir em Cosan é que suas próprias subsidiárias estão negociando por preços bem abaixo do que entendemos serem seus preços justos.
Por exemplo, na quarta-feira (17) a Compass foi iniciada por cinco bancos de investimento com recomendação de compra por todos e preço-alvo entre R$ 34 e R$ 38, cerca de 45% de upside para os preços atuais.
As ações da Rumo negociam por volta de R$ 12,50, enquanto a média dos preços-alvo para os papéis é de R$ 20 (potencial de 60%). Os resultados da Moove devem continuar melhorando pós-incêndio, o que também implicará em um valuation mais alto do que o mercado considera hoje (pelo menos, 10% em nossas contas). Com esses três ajustes, o valor justo de Cosan deveria subir para perto de R$ 7,50.
Outra surpresa positiva pode vir da gestora de terras Radar, e o anúncio desta semana apenas reforça esse ponto: venda de 12% do portfólio por R$ 1,85 bilhão (R$ 586 milhões referentes à participação da Cosan). O desconto de apenas 10% para o que a própria Cosan dizia ser o valor justo afasta receios de que as terras estivessem “sobreavaliadas”.
Além de a venda reforçar que a companhia está no caminho certo, a forte alta de 6% de CSAN3 na quarta-feira (mesmo com a Bolsa caindo) dá um gostinho do que deve ser a dinâmica dos papéis daqui para frente, com cada venda de participação/ativo sendo associada a uma redução da alavancagem e do desconto de holding, com consequente valorização dos papéis.
Não será uma trajetória fácil e os papéis devem continuar muito voláteis, sendo imprescindível que o investidor tenha uma exposição pequena do portfólio a esta tese.
Mas depois de passar por uma fase bastante difícil “na carreira”, a Cosan ainda tem muito valor a destravar no período que antecede sua retirada dos gramados.
Por esse motivo, CSAN3 faz parte das séries Empiricus Ações e Oportunidades de Uma Vida. Com o Empiricus+ você tem acesso a essas e diversas outras carteiras pelo preço de uma só. Confira mais detalhes aqui.
Um abraço e até a próxima,
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