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Mesmo com salários e benefícios mantidos, colaboradores seguem sem trabalhar e esperam por desligamento para não perder direitos trabalhistas
Já faz mais de dois meses desde que o will bank teve a liquidação decretada. No mesmo dia, diversos colaboradores relataram que tiveram os computadores travados, sem possibilidade de continuar o trabalho — algo que nunca mais foi retomado. Ainda assim, as demissões não vieram: eles seguem contratados, com salários e benefícios pagos normalmente.
Muitos temem abrir mão dos direitos rescisórios, que podem ser bastante significativos para quem tem mais tempo do banco. A insegurança é grande, já que não há transparência na comunicação.
Uma funcionária da área de crédito relata ter recebido uma proposta de emprego, mas tenta adiar o início para evitar a perda dos benefícios. “A nova empresa pede a baixa do vínculo anterior, mas eu sigo formalmente empregada no will”, diz ela, que preferiu não se identificar.
“É como se a gente estivesse de ‘férias’, já que os computadores não abriram mais”, diz outro funcionário, que falou com o Seu Dinheiro em condição de anonimato.
Apesar do tom de brincadeira, o clima, segundo ele, é de insegurança geral dentro da empresa. Funcionários relatam falhas na comunicação interna, pouca clareza sobre o que vem pela frente e a sensação de estarem “no limbo”: sem função prática, mas também sem previsão de desligamento para acessar as verbas rescisórias.
Procurado pelo Seu Dinheiro, o Sindicato dos Bancários não havia retornado o contato até o momento de publicação desta matéria. O will bank e seu liquidante também não se posicionaram sobre o tema. O espaço segue aberto.
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De acordo com depoimentos ouvidos pelo Seu Dinheiro, o ambiente interno já vinha pressionado desde 2024, em meio a tentativas de venda da operação e ao desgaste na relação com o controlador, o Banco Master.
Ainda assim, a percepção era de que a situação poderia ser revertida.
O colaborador citado anteriormente, que trabalha na área de crédito, afirma que, antes da liquidação, a comunicação era transparente, com reuniões frequentes com a liderança.
O cenário mudou rapidamente com o agravamento das restrições impostas em janeiro pela Mastercard, responsável pelos cartões — principal produto do banco. “Os cartões do will viraram ‘lixo’”, diz.
No dia seguinte, veio a liquidação. A decisão do Banco Central levou ao bloqueio imediato dos acessos aos sistemas e à interrupção das atividades para a maior parte dos funcionários.
Para o professor de Administração da ESPM, Jorge Ferreira, o cenário descrito é típico de processos de liquidação bancária e ajuda a explicar a ausência de um cronograma claro de desligamentos.
Segundo ele, o liquidante, nomeado pelo Banco Central (BC) para administrar a liquidação extrajudicial de bancos, assume a gestão da instituição com amplos poderes.
Ele se torna responsável por vender os ativos existentes para viabilizar o pagamento aos credores da instituição — e por assumir os deveres do banco enquanto empregador, inclusive o de nomear e demitir funcionários.
“No caso do will bank, foi nomeada a EFB Regimes Especiais de Empresas, que é do Eduardo Félix. Ele é um liquidante muito tradicional no mercado e já operou em outras liquidações de bancos, inclusive do Master”, afirma.
Neste caso, a liquidante também assume o papel de contratar e demitir — mas deve tentar evitar desequilíbrios financeiros.
“Se você mandasse todo mundo embora de uma vez, poderia forçar um caixa que a instituição não tem para pagar os direitos trabalhistas”, explica o professor.
Além disso, algumas funções seguem necessárias, como a apuração de créditos e débitos e a liquidação de passivos.
Ferreira destaca que os trabalhadores têm direito ao pacote completo de uma demissão sem justa causa, incluindo saldo de salário, aviso prévio, 13º proporcional, férias, saque do FGTS com multa de 40% e acesso ao seguro-desemprego.
Ele ressalta ainda que esses créditos têm prioridade no processo de liquidação, mas não há prazo legal específico para a realização dos desligamentos.
Com os canais oficiais comprometidos, a comunicação interna entre funcionários passou a ocorrer principalmente por grupos informais de WhatsApp.
Diretores e lideranças intermediárias repassavam informações obtidas com o liquidante, mas sem detalhamento ou previsões concretas.
“A comunicação foi diminuindo com o tempo. Hoje, a percepção é de pouca transparência”, afirma outro colaborador, da área de desenvolvimento de produtos.
Ele destaca que, mesmo entre lideranças, há pouca visibilidade sobre decisões e cronogramas. “As decisões estão concentradas no liquidante, que não compartilha muitos detalhes.”
O principal ponto de tensão é o que os funcionários descrevem como um “limbo profissional”: embora não exerçam mais suas funções, seguem vinculados ao banco — o que impede ou dificulta a aceitação de novas oportunidades formais.
Isso porque pedir demissão implicaria abrir mão de direitos rescisórios relevantes, especialmente para quem tem mais tempo de casa. “No meu caso, os valores envolvidos não são triviais. Isso pesa muito na decisão”, afirma um colaborador.
Diante do impasse, alguns passaram a considerar alternativas como manter dois vínculos CLT simultaneamente.
É o caso do colaborador da área de crédito — segmento que, segundo ele, segue aquecido no mercado. Ele se recolocou rapidamente no mercado.
A experiência no will bank, especialmente no atendimento às classes C, D e E, foi percebida como um diferencial por recrutadores, por indicar familiaridade com um público considerado estratégico e de maior risco.
Além disso, o fato de não ter sido demitido individualmente, mas sim impactado pela liquidação da instituição, também pesou a seu favor, por não sinalizar problemas de desempenho.
O profissional relata que, logo após a notícia da liquidação, passou a receber diversos convites para processos seletivos, chegando a participar de duas entrevistas por dia. Antes do Carnaval, já havia recebido uma proposta, mas se deparou com um impasse: não queria pedir demissão do will bank e abrir mão dos direitos trabalhistas.
Após negociações com a nova empresa, e diante da possibilidade de manter dois vínculos formais simultaneamente — já que seu contrato com o will não previa jornada fixa —, foi encontrada uma alternativa para viabilizar a contratação e manter os dois vínculos ativos.
Segundo Taunai Moreira, advogado trabalhista e sócio do escritório Bruno Boris Advogados, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) não proíbe que um trabalhador mantenha dois vínculos formais ao mesmo tempo, desde que não haja conflito de jornada, sobreposição de horários ou cláusulas contratuais que impeçam essa coexistência.
“O principal ponto de atenção é o imposto de renda: como cada empregador calcula a retenção separadamente, a soma dos salários pode gerar imposto a pagar no ajuste anual da declaração”, afirma.
É preciso destacar que, embora a legislação não breque contratos de trabalhos simultâneos, ela proíbe o trabalhador de atuar em empresas concorrentes do mesmo segmento, destaca Wallace Silva, mestre em direito do trabalho e sócio do WGA Advogados.
Em caso de conflito de interesses, a empresa — no caso, o will bank — poderia alegar uma eventual quebra de confiança e de confidencialidade, o que poderia causar até demissão por justa causa.
Um outro colaborador ainda não aceitou uma proposta de trabalho, mas cogita recorrer à Justiça para pedir rescisão indireta — quando o encerramento do contrato ocorre por descumprimento de obrigações por parte do empregador.
Os funcionários relatam ainda que, ao acionar o RH, recebem respostas padronizadas por e-mail:
“Até o presente momento não há previsão de desligamento, tampouco confirmação de que o desligamento ocorrerá, estando a decisão condicionada à análise da equipe de liquidação. Ressalta-se que o colaborador poderá, caso deseje, solicitar o desligamento por iniciativa própria.”
Para os funcionários, a orientação é frustrante. “Não foi uma decisão minha sair da empresa, então não entendo que é meu papel pedir o desligamento”, afirma um deles.
A demora nas definições pode trazer riscos adicionais, como atrasos ou até pagamento parcial das verbas rescisórias, dependendo do caixa e do patrimônio da instituição. “Pode não ser possível pagar todos integralmente, o que pode gerar litígios futuros”, afirma o especialista.
Diante disso, a recomendação é que os funcionários organizem a documentação do vínculo — como contratos, holerites, extratos e comunicações internas — e mantenham contato com o sindicato.
O Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região informou ter enviado, em 18 de março, um novo ofício ao liquidante dos bancos Master e will bank solicitando esclarecimentos sobre a situação dos trabalhadores.
Segundo a entidade, não houve retorno desde a liquidação. “A falta de transparência sobre os próximos passos e sobre a garantia de direitos trabalhistas tem gerado apreensão crescente na categoria”, diz a nota.
Até o momento, os desligamentos ocorreram de forma pontual, com foco inicial em cargos de diretoria.
Sem informações claras, funcionários relatam que passaram a interpretar sinais isolados — como mudanças em benefícios ou despedidas informais de executivos — para tentar antecipar quando poderão ser desligados.
O fato de que salários e benefícios seguem sendo pagos tranquilizam os funcionários, até certo ponto. Ainda assim, há dúvidas operacionais.
Uma funcionária relata que não consegue verificar seus holerites desde a liquidação. “É um valor que é similar ao que eu recebia antes, então acredito que está certo, mas não consigo checar”, afirma.
Segundo a advogada trabalhista Karina Alves, sócia de direito trabalhista no TSA Advogados, a empresa continua obrigada a fornecer esses comprovantes, mesmo durante a liquidação extrajudicial.
Em caso de falhas operacionais, que podem ocorrer, o trabalhador pode solicitar diretamente ao RH. “É um direito do trabalhador, e a empresa deve continuar fornecendo o demonstrativo de pagamento”, afirma.
Segundo ela, o processo de liquidação é conduzido sob um rito específico, com supervisão do Banco Central, e pode inclusive resultar em cenários alternativos, como a venda da operação para outra instituição, com eventual sucessão dos contratos de trabalho.
Diante desse contexto, a orientação é de cautela, e não é necessário entrar na Justiça neste momento. Mesmo assim, os funcionários seguem à espera de uma definição — e ainda não decidiram se vão pedir demissão caso a situação se prolongue nas próximas semanas.
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