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Thiago Maffra afirma que foco excessivo na renda fixa pode comprometer a construção de patrimônio quando isso acontecer; confira

O CEO da XP, Thiago Maffra, vê um risco crescente na forma como os brasileiros estão investindo — e acredita que a conta pode chegar quando o ciclo de juros virar. Embora a Selic ainda permaneça em patamar elevado, a maior parte dos investidores continua concentrando suas aplicações em ativos pós-fixados atrelados ao CDI.
Esse movimento, na avaliação da instituição, pode comprometer a construção de patrimônio no longo prazo.
Hoje, cerca de 90% do dinheiro que entra na plataforma da XP é direcionado para aplicações com liquidez diária referenciadas ao CDI, segundo o CEO do Banco XP, José Berenguer.
Para o executivo, esse comportamento reflete um mercado ainda excessivamente dependente da renda fixa pós-fixada e pouco diversificado.
O problema, na visão de Maffra, é que muitos investidores continuam usando o indicador errado para medir seu sucesso financeiro.
“O benchmark para o longo prazo não deveria ser o CDI. Deveria ser o IPCA”, afirmou, durante entrevista coletiva na Expert XP, nesta quinta-feira (23).
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Na visão do executivo, quando a taxa básica de juros começar a recuar, quem permanecer excessivamente concentrado em ativos atrelados ao CDI precisará acumular um patrimônio muito maior para manter o mesmo padrão de vida.
Embora reconheça que a Selic elevada justifique a preferência atual pelos pós-fixados, a XP acredita que esse comportamento tende a mudar conforme a política monetária iniciar um novo ciclo de afrouxamento.
“À medida que a taxa de juros cair, o cliente começará a migrar para renda variável e fundos alternativos”, afirmou Berenguer.
Entre as tendências estruturais para os próximos anos, Maffra destacou o crescimento dos ETFs, segmento no qual a XP já concentra cerca de metade do mercado brasileiro.
“Acreditamos que essa classe de ativos ganhará muito mercado no país.”
Outra aposta da instituição é o aumento da exposição internacional das carteiras.
Atualmente, os clientes mantêm, em média, cerca de 7% do patrimônio investido no exterior, percentual que a XP recomenda elevar para aproximadamente 15%, como forma de ampliar a diversificação geográfica.
O crédito também passa a ocupar papel mais relevante na estratégia da companhia.
Segundo Maffra, muitos clientes mantêm patrimônio significativo investido na XP, mas continuam contratando crédito pessoal em outras instituições pagando taxas elevadas.
“Os nossos clientes tomam, em média, R$ 1,6 bilhão por mês em crédito pessoal no mercado, muitas vezes com taxas altíssimas, mesmo tendo investimentos conosco.”
A proposta é utilizar os ativos financeiros como garantia para reduzir o custo dessas operações.
A XP ainda vê um cenário bastante desafiador para o mercado de capitais brasileiro.
Segundo Berenguer, o mercado de ofertas de ações permanece praticamente fechado e dificilmente ganhará força antes de 2026. “O pipeline de renda variável hoje é praticamente zero.”
Caso novas operações ocorram, a expectativa é de que sejam emissões pontuais e de menor porte.
Na renda fixa, o ambiente segue mais resiliente, mas ainda distante do ritmo observado nos últimos anos.“As empresas continuam refinanciando suas dívidas, mas vejo poucos projetos novos.”
Para o executivo, a proximidade das eleições deve manter empresas e investidores em compasso de espera.
“Independentemente de quem vencer, a discussão fiscal terá que vir à mesa. A trajetória da dívida está se acelerando e a taxa de juros real está muito alta”, afirmou.
Os executivos da XP também trouxeram novas projeções de crescimento de longo prazo na companhia.
Hoje, a empresa responde por cerca de 11% do mercado brasileiro de investimentos e pretende elevar essa participação para aproximadamente 20% até 2033.
“Não queremos crescer as novas verticais em detrimento do nosso core. Elas existem justamente para fortalecer nosso negócio principal de investimentos”, disse Maffra.
Uma das principais apostas para essa expansão está no segmento de pequenas e médias empresas (PMEs).
Recentemente, a instituição reforçou sua atuação no mercado PJ, passando a oferecer soluções como maquininha de cartões, conta empresarial e crédito para empresas de menor porte.
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