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O Pavilhão Ciccillo Matarazzo será ocupado com mostras de mais de 120 artistas de cerca de cinquenta países, além de experiências multissensoriais e com realidade aumentada

A Bienal de São Paulo, maior exposição de arte contemporânea da América Latina abre suas portas neste sábado (6), no Parque Ibirapuera. Tradicionalmente, o evento se estende até dezembro. No entanto, nesta edição, a mostra será estendida por mais quatro semanas nesta edição. Ela estará aberta ao público de forma gratuita até 11 de janeiro de 2026.
Assim, decisão foi tomada pela presidente da Bienal, Andrea Pinheiro, e pela diretoria do evento com o intuito de ampliar ainda mais o alcance da mostra, cobrindo o período de férias escolares. Ao todo, obras de 120 artistas de cerca de 50 países ocuparão o Pavilhão Ciccillo Matarazzo.
“Há mundos submersos, que só o silêncio da poesia penetra”. É essa reflexão que conclui o poema Da calma e do silêncio, de Conceição Evaristo, e inspira a exposição deste ano.
Intitulada de Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como prática, a mostra evoca a humanidade em tempos em que o significado de ser humano parece mais distante. Isso é o que aponta o curador geral, o Prof. Dr. Bonaventure Soh Bejeng Ndikung, responsável pelo conceito da exposição, juntamente com os cocuradores Alya Sebti, Anna Roberta Goetz , Thiago de Paula Souza, da curadora at large Keyna Eleison e da consultora de comunicação e estratégia Henriette Gallus.
“A mostra é um convite para pensar e manifestar a humanidade como um verbo e uma prática, bem como encontro(s) e negociações sobre a convergência de mundos variados”, diz o programa da Bienal.

O conceito se reflete na estrutura da exposição, que se dará em três eixos curatoriais principais divididos em seis capítulos – ou setores. Todos eles se entrelaçam sob a metáfora de um estuário, onde correntes de água, filosofias e mitologias se encontram e criam um espaço de coexistência.
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“Essa Bienal nos oferece um convite para colocar a alegria, a beleza e suas poéticas no centro das forças gravitacionais que mantêm nossos mundos em seus eixos... pois a alegria e a beleza são políticas”, complementa o curador geral.
Entre os artistas participantes da mostra estão nomes como o modernista Heitor dos Prazeres e seu retrato vibrante do cotidiano popular carioca; Lídia Lisbôa e suas instalações multiplataforma, que usam do desenho ao crochê; e Marlene Almeida e a pesquisa visual em materiais brasileiros e pigmentos naturais.
Já os nomes internacionais incluem o britânico-guianense Frank Bowling e o abstracionismo focado na diáspora africana; a jamaicana Camille Turner e sua instalação imersiva, paradoxalmente futurista e ancestral; e as videoartistas Cici Wu e Yuan Yuan em seu curta sobre migração e diáspora.

Como antecipado, porém, a Bienal será organizada em seis capítulos, cada um dedicado a um debate e determinadas plataformas.
O primeiro capítulo, chamado “Frequências de chegadas e pertencimentos”, reúne obras com pedras, raízes e pigmentos naturais que refletem a ligação entre o corpo, a terra e a memória. Já o segundo, com o título de “Gramáticas de insurgências”, é focado na resistência à desumanização. Aqui, a proposta é a de um mergulho multissensorial, com vídeos, instalações sobre extrativismo e esculturas que recontam histórias silenciadas.
O capítulo “Sobre ritmos espaciais e narrações”, por sua vez, abriga mapas, fotografias e filmes que registram rotas de migração forçada e mudanças na arquitetura das cidades. Em seguida, o capítulo "Fluxos de cuidado e cosmologias plurais”, apresenta trabalhos que questionam modelos de cuidado coloniais e patriarcais. Neste espaço, será possível contemplar instalações com ervas e objetos rituais, além de performances sobre práticas de cura e mitologias.

Em “Cadências de transformação”, penúltimo capítulo, a mudança é o tema central. Nele, obras cinéticas e trabalhos que se alteram ao longo da exposição exploram a transformação como algo vivo e contínuo.
A mostra finaliza com o capítulo “A intratável beleza do mundo”, que celebra a beleza como um ato de resistência. Pinturas com pigmentos de terra, fotografias de paisagens fragmentadas e esculturas com materiais reaproveitados ocupam o local. Por meio delas, a ideia é demonstrar que a beleza existe também no inacabado e naquilo que resiste.
Além da exposição, a Bienal conta com o programa público “Conjugações”, que inclui uma série de debates, encontros, performances e ativações. Algumas, desenvolvidas em colaboração com instituições culturais de diferentes partes do mundo. Entre elas, estão a 32° East, de Kampala, na Uganda; a Más Arte Más Acción, de Chocó, na Colômbia; e a SAVVY Contemporary, de Berlim, na Alemanha. Isso além das brasileiras Afrotonizar, de Salvador, e a Festa Literária das Periferias (FLUP), do Rio de Janeiro.
As Conjugações serão apresentadas no Pavilhão da Bienal ao longo dos quatro meses de duração da exposição. O objetivo do programa é explorar como essas instituições, situadas em geografias diferentes, compartilham a ideia de humanidade a partir de suas práticas cotidianas.

Outra iniciativa desta edição que busca conectar o local ao global é “Aparições”, inédita na história da Bienal de São Paulo.
Desenvolvida em parceria com a plataforma WAVA, ela permite, por meio de realidade aumentada, com que partes das obras (fragmentos, ecos, extensões) apareçam virtualmente em lugares pelo mundo. Entre os espaços retratados estão o Parque Ibirapuera, as margens do Rio Congo, a fronteira México–EUA, além de parques de São Paulo e cidades da África e da Ásia.
O diferencial é que só quem estiver fisicamente nesses lugares vai poder visualizar essas obras, acessando-as pelo aplicativo da Bienal.
Data: 6 de setembro de 2025 a 11 janeiro de 2026
Horário: terça à sexa e domingo, das 10h às 18h (última entrada: 17h30) e sábado das 10h às 19h (última entrada: 18h30)
Endereço: Av. Pedro Álvares Cabral, São Paulo - SP - Parque Ibirapuera, Portão 3 - Pavilhão Ciccillo Matarazzo
Ingressos: entrada gratuita
Site: https://36.bienal.org.br/
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