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ATÉ JANEIRO

Bienal de São Paulo 2025: programação e os destaques da maior mostra de arte contemporânea da América Latina

O Pavilhão Ciccillo Matarazzo será ocupado com mostras de mais de 120 artistas de cerca de cinquenta países, além de experiências multissensoriais e com realidade aumentada

Vista da instalação da 36ª Bienal de São Paulo (Levi Fanan / Fundação Bienal)
Vista da instalação da 36ª Bienal de São Paulo (Levi Fanan / Fundação Bienal) - Imagem: Levi Fanan / Fundação Bienal (5)

A Bienal de São Paulo, maior exposição de arte contemporânea da América Latina abre suas portas neste sábado (6), no Parque Ibirapuera. Tradicionalmente, o evento se estende até dezembro. No entanto, nesta edição, a mostra será estendida por mais quatro semanas nesta edição. Ela estará aberta ao público de forma gratuita até 11 de janeiro de 2026.

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Assim, decisão foi tomada pela presidente da Bienal, Andrea Pinheiro, e pela diretoria do evento com o intuito de ampliar ainda mais o alcance da mostra, cobrindo o período de férias escolares. Ao todo, obras de 120 artistas de cerca de 50 países ocuparão o Pavilhão Ciccillo Matarazzo.  

  • É possível visitar a feira de terça à domingo e a entrada para acessá-la é pelo Portão 3 do parque.

A arte como recurso à humanidade

“Há mundos submersos, que só o silêncio da poesia penetra”. É essa reflexão que conclui o poema Da calma e do silêncio, de Conceição Evaristo, e inspira a exposição deste ano.

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Intitulada de Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como prática, a mostra evoca a humanidade em tempos em que o significado de ser humano parece mais distante. Isso é o que aponta o curador geral, o Prof. Dr. Bonaventure Soh Bejeng Ndikung, responsável pelo conceito da exposição, juntamente com os cocuradores Alya Sebti, Anna Roberta Goetz , Thiago de Paula Souza, da curadora at large Keyna Eleison e da consultora de comunicação e estratégia Henriette Gallus.

“A mostra é um convite para pensar e manifestar a humanidade como um verbo e uma prática, bem como encontro(s) e negociações sobre a convergência de mundos variados”, diz o programa da Bienal.

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Vista da instalação de Heitor dos Prazeres durante a 36ª Bienal de São Paulo (Levi Fanan / Fundação Bienal)
Vista da instalação de Heitor dos Prazeres durante a 36ª Bienal de São Paulo (Levi Fanan / Fundação Bienal)

O conceito se reflete na estrutura da exposição, que se dará em três eixos curatoriais principais divididos em seis capítulos – ou setores. Todos eles se entrelaçam sob a metáfora de um estuário, onde correntes de água, filosofias e mitologias se encontram e criam um espaço de coexistência. 

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“Essa Bienal nos oferece um convite para colocar a alegria, a beleza e suas poéticas no centro das forças gravitacionais que mantêm nossos mundos em seus eixos... pois a alegria e a beleza são políticas”, complementa o curador geral.

Artistas

Entre os artistas participantes da mostra estão nomes como o modernista Heitor dos Prazeres e seu retrato vibrante do cotidiano popular carioca; Lídia Lisbôa e suas instalações multiplataforma, que usam do desenho ao crochê; e Marlene Almeida e a pesquisa visual em materiais brasileiros e pigmentos naturais. 

Já os nomes internacionais incluem o britânico-guianense Frank Bowling e o abstracionismo focado na diáspora africana; a jamaicana Camille Turner e sua instalação imersiva, paradoxalmente futurista e ancestral; e as videoartistas Cici Wu e Yuan Yuan em seu curta sobre migração e diáspora.

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Vista da instalação de Marlene Almeida durante a 36ª Bienal de São Paulo (Levi Fanan / Fundação Biena)
Vista da instalação de Marlene Almeida durante a 36ª Bienal de São Paulo (Levi Fanan / Fundação Bienal)

Capítulos

Como antecipado, porém, a Bienal será organizada em seis capítulos, cada um dedicado a um debate e determinadas plataformas.

O primeiro capítulo, chamado “Frequências de chegadas e pertencimentos”, reúne obras com pedras, raízes e pigmentos naturais que refletem a ligação entre o corpo, a terra e a memória. Já o segundo, com o título de “Gramáticas de insurgências”, é focado na resistência à desumanização. Aqui, a proposta é a de um mergulho multissensorial, com vídeos, instalações sobre extrativismo e esculturas que recontam histórias silenciadas.

O capítulo “Sobre ritmos espaciais e narrações”, por sua vez, abriga mapas, fotografias e filmes que registram rotas de migração forçada e mudanças na arquitetura das cidades. Em seguida, o capítulo "Fluxos de cuidado e cosmologias plurais”, apresenta trabalhos que questionam modelos de cuidado coloniais e patriarcais. Neste espaço, será possível contemplar instalações com ervas e objetos rituais, além de performances sobre práticas de cura e mitologias.

Vista da instalação de Frank Bowling durante a 36ª Bienal de São Paulo (Levi Fanan / Fundação Bienal)
Vista da instalação de Frank Bowling durante a 36ª Bienal de São Paulo (Levi Fanan / Fundação Bienal)

Em “Cadências de transformação”, penúltimo capítulo, a mudança é o tema central. Nele, obras cinéticas e trabalhos que se alteram ao longo da exposição exploram a transformação como algo vivo e contínuo.

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A mostra finaliza com o capítulo “A intratável beleza do mundo”, que celebra a beleza como um ato de resistência. Pinturas com pigmentos de terra, fotografias de paisagens fragmentadas e esculturas com materiais reaproveitados ocupam o local. Por meio delas, a ideia é demonstrar que a beleza existe também no inacabado e naquilo que resiste.

Bienal pela cidade e pelo mundo 

Além da exposição, a Bienal conta com o programa público “Conjugações”, que inclui  uma série de debates, encontros, performances e ativações. Algumas, desenvolvidas em colaboração com instituições culturais de diferentes partes do mundo. Entre elas, estão a 32° East, de Kampala, na Uganda; a Más Arte Más Acción, de Chocó, na Colômbia; e a SAVVY Contemporary, de Berlim, na Alemanha. Isso além das brasileiras Afrotonizar, de Salvador, e a Festa Literária das Periferias (FLUP), do Rio de Janeiro. 

As Conjugações serão apresentadas no Pavilhão da Bienal ao longo dos quatro meses de duração da exposição. O objetivo do programa é explorar como essas instituições, situadas em geografias diferentes, compartilham a ideia de humanidade a partir de suas práticas cotidianas.  

Aparições, Juliana dos Santos, Bienal de São Paulo e WAVA
Aparições, Juliana dos Santos, Bienal de São Paulo e WAVA

Outra iniciativa desta edição que busca conectar o local ao global é “Aparições”, inédita na história da Bienal de São Paulo. 

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Desenvolvida em parceria com a plataforma WAVA, ela permite, por meio de realidade aumentada, com que partes das obras (fragmentos, ecos, extensões) apareçam virtualmente em lugares  pelo mundo. Entre os espaços retratados estão o Parque Ibirapuera, as margens do Rio Congo, a fronteira México–EUA, além de parques de São Paulo e cidades da África e da Ásia.

O diferencial é que só quem estiver fisicamente nesses lugares vai poder visualizar essas obras, acessando-as pelo aplicativo da Bienal.

Serviço: 36ª Bienal de São Paulo

Data: 6 de setembro de 2025 a 11 janeiro de 2026

Horário: terça à sexa e domingo, das 10h às 18h (última entrada: 17h30) e sábado das 10h às 19h (última entrada: 18h30)

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Endereço: Av. Pedro Álvares Cabral, São Paulo - SP - Parque Ibirapuera, Portão 3 - Pavilhão Ciccillo Matarazzo

Ingressos: entrada gratuita

Site: https://36.bienal.org.br/

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