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Com foco em grandes eventos, novo empreendimento no Conjunto Nacional, em São Paulo, resgata projeto de antigo jardim de inverno do restaurante Fasano, por onde já passaram nomes como Nat King Cole, Fidel Castro e Dwight Eisenhower

Na noite de 25 de abril de 1959, a esquina da Avenida Paulista com a Rua Augusta era o lugar o mais badalado de São Paulo. Ali, no segundo andar do Conjunto Nacional, Nat King Cole subia ao palco para uma única apresentação brasileira do artista em uma "boite".
Ao menos foi assim que o Fasano anunciou o show. Na realidade, ele ocorreu no jardim de inverno do restaurante, um espaço muitíssimo mais glamuroso do que uma “boite” possa sugerir. Além de King Cole, artistas como Marlene Dietrich e Ginger Rogers passaram por lá. Políticos como Dwight Eisenhower e até um suposto Fidel Castro também.

Se hoje é difícil imaginar é porque, após a saída do Fasano, em 1963, o espaço abrigou por décadas um nada deslumbrante call center. Foi somente nos últimos anos que uma nova movimentação começou por ali. Caso, por exemplo, da instalação do pop-up do Bar Caracol para a Casacor 2023. Ainda faltava, no entanto, quem assumisse para si a missão de resgatar, além da grandeza, um propósito maior para o local. Pelo menos até agora.
Isso porque, a partir de 25 de janeiro, um novo espaço de eventos promete resgatar a sofisticação de outrora para o mezanino do Conjunto Nacional. O que um dia foi o jardim de inverno do Fasano reabre agora com o nome de Jardim Nacional. O novo empreendimento vem com a assinatura de Fernando Ximenes, Thiago Armentano e Thomaz Rothmann, sócios do Parque Mirante.

Com foco em grandes eventos, o empreendimento vai apresentar dois salões, que poderão funcionar de forma independente. Ao todo são 1.500 m². Destes, 500 m² são do hall de entrada, com vista para a Avenida Paulista. Os outros 1.000 m² são de um salão principal, acessado por uma opulenta escadaria que remonta ao desenho original do espaço.
"A localização e a estrutura são muito boas, mas a história do imóvel foi uma das coisas que tocou", explica Fernando Ximenes ao Seu Dinheiro.
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Conhecer o fascínio do trio por locais carregados de apelo visual ou histórico é importante para entender a empreitada de R$ 22 milhões em plena Avenida Paulista. Ximenes, Armentano e Rothmann são os nomes por trás do Parque Mirante, o camarote exclusivo e disputado no mezanino do Allianz Parque, no bairro da Água Branca, em São Paulo.
Foi ali, ao lado da Casa das Caldeiras, que o trio fez seu nome na indústria da hospitalidade. De um lado, o empreendimento tem vista para a Serra da Cantareira. De outro, vira o camarote mais disputado de uma das arenas mais importantes da América Latina. Além dos shows e jogos, o local ainda abriga grandes eventos de marcas como a Meta, por exemplo, beneficiados pela infraestrutura e localização. O sucesso veio e acabou permitindo a ampliação da operação para outros venues de destaque, como o MorumBis e a Mercado Livre Arena Pacaembu.

Na busca por outros “diamantes”, como chamam os espaços únicos, que o trio acabou se envolvendo com o histórico salão na Avenida Paulista. Trata-se, afinal, de um capítulo importante do Conjunto Nacional, clássico edifício paulistano projetado por um jovem David Libeskind e erguido há mais de 70 anos, em 1955.
Hoje a galeria é um endereço novamente destacado na vida cultural da cidade, devido em parte aos filmes do (excelente) Cine Marquise, aos shows bem curados do Blue Note São Paulo ou mesmo às páginas da já saudosa Livraria Cultura, que operou ali por décadas, até 2024. Faltava, no entanto, quem enxergasse possibilidade na estrutura deixada pelo Fasano.

"Conhecemos lá através da Casacor. A maior parte do evento foi no primeiro andar, ele pegou bem pouquinho da nossa área, mas eu vi o potencial que tinha o Conjunto Nacional", descreve Ximenes sobre o contato com o espaço. "Foi amor à primeira vista."
Quando a Casacor deixou o centro em direção ao Parque Água Branca, o trio acabou mergulhando a infraestrutura deixada pelo antigo Fasano no mezanino: um salão com pé direito de seis metros, mas todo adaptado ao funcionamento do antigo call center. "Pra gente enxergar ali foi a gente teve que ter muita vontade de enxergar", brinca o empresário.

A favor de manter o aspecto histórico do empreendimento, o trio se aliou ao arquiteto Bruno Barbato e à professora Ana Marta Ditolvo, docente da FAAP e especialista em preservação do patrimônio histórico. Com o projeto dele e a supervisão dela, o grupo entrou com um pedido de tombamento da fachada, atualmente em fase final junto ao CONPRESP (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo).

"A gente fez um estudo com mais de 1.000 páginas para o CONPRESP. Imagine que a gente raspou o castilho ali tirando foto de cada um até o original, ele pintado nove vezes desde 1958."
Ximenes conta que a proposta de recuperação do antigo jardim de inverno em um novo Jardim Nacional acabou sendo bem recebida por órgãos de tombamento. Trata-se, afinal, do resgate de um espaço transformado em call center à proposta original se salão de eventos, presente no projeto de Libeskind em 1953.
Internamente, com o objetivo de oferecer o espaço mais limpo possível para os diferentes modelos de evento, o time optou por manter estruturas simples de madeira e vidro:

"A gente focou muito no nosso modelo de negócio, então entregamos um espaço vazio. A gente brinca que nossa arquitetura é só chão, parede e teto, sem tem tantos detalhes, porque o nosso objetivo é entregar o maior vão livre possível, sem colunas interferindo, para o cliente."

Entre os dois salões do Jardim Nacional, há diferentes propostas: de um lado há o chamado Salão Nacional, o espaço superior, com 1.000 m², em que uma marca ou cliente pode criar toda a estrutura de um determinado evento. "Um papel em branco", exemplifica Fernando.
De outro, há o hall de entrada, ou Salão Paulista, uma área em formato plug-and-play, já mobiliado, com painel de LED, pensado para eventos menores. "Esse é um espaço que criamos para ter um volume e uma praticidade maior, que já entrega tudo pronto", explica o empresário.
"É a primeira vez que a gente vai fazer isso. A gente sempre operou com salões grandes, modelo vazio e agora a gente tá entrando nesse ramo porque a gente tem muita demanda."

Questionado sobre os objetivos do empreendimento em números, Ximenes destaca as expectativas para cada salão. Enquanto o grupo fixa a meta do dos eventos do Salão Nacional em 100 a 120 por ano, eles estimam uma demanda maior, de 240 eventos anuais para o espaço menor, o Salão Paulista. Cumprido o planejamento, o cálculo é de um retorno de dois a três anos sobre o investimento inicial.

Sobre a aptidão do Jardim Nacional para os grandes espetáculos à la Nat King Cole, o grupo admite a possibilidade, mas defende que, ultimamente, não é o foco. "Imagino que a gente vá fazer até por uma homenagem a tudo que já aconteceu, mas serão pouquíssimos".
Sem dar detalhes do que já está no radar, o sócio afirma que há uma série de eventos fechados para o Jardim Nacional, mesmo antes do lançamento oficial. As propostas incluiriam uma feira e um lançamento na área de montadora de veículos. Porém a ideia é que entrem ainda outros, especialmente após a apresentação oficial para promotores e gestores, programada para o aniversário de São Paulo, dia 25 de janeiro. "A gente sabe que demanda tem."
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