Aria Drolma, a modelo indiana famosa mundialmente que deixou para trás uma vida de luxo e glamour para ir em busca de iluminação
Ela levava uma vida invejada por muitos, mas ainda assim encontrou motivos para abrir mão dos luxos e descobrir a sua verdade interior

Ela tinha tudo do bom e do melhor. Morava em Nova York, modelava para grifes de luxo, viajava ao redor do mundo, frequentava os melhores restaurantes, era figurinha carimbada nas festas e eventos mais exclusivos, vestia roupas de alta costura, tinha mais de cem pares de sapatos.
Era uma vida invejada por muitos que a olhavam de fora.
Mas, debaixo da beleza e do glamour, ela ainda sentia que algo estava faltando. O sentimento se intensificou após a morte da mãe, no início de seus vinte anos. Foi quando percebeu que toda essa ostentação era meramente passageira.
Essa é a história de Aria Das, uma modelo indiana que largou tudo para trilhar um caminho de iluminação e hoje é conhecida como lama Aria Drolma.
Aria raspou o cabelo, começou a utilizar tradicionais vestes de monja e limitou os seus pertences a apenas o essencial. Passou três anos e meio em um retiro budista tibetano e hoje vive em um mosteiro novaiorquino.
Atualmente, a lama Aria Drolma é professora e palestrante internacionalmente reconhecida, trabalhando com meditação mindfulness. E afirma ser mais feliz do que nunca. O que estaria por trás da renúncia a uma vida bem-sucedida em nome da devoção religiosa?
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A vida antiga
Aria diz que sua atração pelo budismo não ocorreu em um único momento. Na verdade, aconteceu aos poucos, como um chamado interior cármico — um sentimento inevitável, que pode aparecer nesta vida ou em vidas futuras.
As bases de seu despertar espiritual foram fundadas após o desaparecimento do pai, que também renunciou aos prazeres materiais para viver sob os mandamentos do hinduísmo. Mas o chamado teria sido engolido pelo mundo material até o falecimento da mãe.
Aos 17 anos, Aria Das venceu um concurso intercolegial de beleza. O episódio deu início a uma carreira de modelo. Ao mesmo tempo, ingressou como comissária de bordo na Cathay Pacific, permitindo que viajasse pelo mundo enquanto modelava.
Não demorou muito para que Aria ficasse famosa. Em entrevista ao portal India Today, ela contou que vivia cercada de luxo, como muitas jovens sonham. Teve a oportunidade de conhecer o mundo e explorar diferentes culturas, o que moldou sua compreensão do mundo e da natureza humana.
Mas ela ainda não se sentia realizada. Era como se, por baixo dessa “bela ilusão” — guiada pelas aparências externas e pela empolgação constante —, faltasse uma verdadeira profundidade, ou uma nova experiência que tornasse as anteriores significativas.
Os seus ensinamentos
Ciente do que sentia, Aria começou a visitar centros budistas em Nova York e, lentamente, foi renunciando à vida “mundana”. Ela diz que esse processo não foi sacrificante, mas apenas uma mudança natural do externo para o interno.
Com a formação budista, a lama afirma que o verdadeiro desafio não é o materialismo, mas o apego inconsciente a ele — um padrão que pode ser transformado por meio das práticas de mindfulness, ou atenção plena.
Para quem está em busca desse caminho, ela sugere uma mudança de perspectiva, na qual a pergunta norteadora deixa de ser “O que mais eu posso ter?” para se tornar “O que é suficiente?”. Acrescenta ainda que, embora tenha sido radical em sua própria trajetória, esse processo não exige a renúncia à ambição ou ao sucesso.
Atualmente, Aria afirma que sua intenção é compartilhar o que aprendeu para contribuir com a construção de um mundo mais harmonioso, ensinando uma liderança ética enraizada na compaixão e na consciência.
"É muito simples. Se você quer paz e felicidade, comece a olhar para dentro, tudo está dentro de você. Quando alguém olha para fora, em busca de felicidade, ela nunca é permanente, porque a natureza de tudo é a impermanência.", afirma.
*Sob supervisão de Ricardo Gozzi.
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