9 livros que ganharam o debate e a crítica no exterior, mas ainda não foram publicados em português
De romance psicológico à análise econômica, estes títulos representam os livros mais comentados e influentes do momento no exterior e que ainda não foram traduzidos no Brasil

Entre roteiros literários e ensaios sobre economia, política e tecnologia, alguns dos livros mais comentados de 2025 ainda não foram publicados em português. No entanto, são obras que merecem entrar no radar de quem, por acaso, lê em outros idiomas.
Seja pela presença em premiações ou pela apuração de seus relatos, o Seu Dinheiro selecionou nove livros. São quatro de ficção e cinco de não ficção, com base nas listas do New York Times e The New Yorker. Lançamentos ainda fora do mercado editorial brasileiro, é verdade, mas que já dominam o debate cultural e intelectual internacional. Além disso, são títulos que marcam presença em críticas e listas de mais vendidos no exterior.
Em ficção, temos três indicados ao Booker Prize. Começando por Audition (Katie Kitamura), The Loneliness of Sonia and Sunny (Kiran Desai), Flashlight (Susan Choi) – este último, finalista do prêmio. Os romances que exploram identidade, memória, relações familiares e sociais, acompanhando protagonistas em jornadas íntimas. Já Flesh (David Szalay), o vencedor do Booker Prize de 2025, narra a vida de um jovem húngaro que ascende à alta sociedade londrina.
Entre os destaques de não ficção, Buckley (Sam Tanenhaus) retrata a trajetória de William F. Buckley Jr., um dos maiores expoentes do pensamento conservador americano. Abundance (Ezra Klein & Derek Thompson), por outro lado, propõe reformas práticas e pragmáticas para destravar infraestrutura e inovação, defendendo uma agenda de “abundância” baseada em gestão eficiente, produtividade e resultados concretos.
Apple in China (Patrick McGee), por sua vez, investiga a relação complexa entre a Apple, seus parceiros de produção e o Estado chinês. In This Economy? (Kyla Scanlon) explica economia para a Geração Z. Por fim, Dead and Alive (Zadie Smith) reúne ensaios sobre arte, política e cultura.
Confira os detalhes das nove obras selecionadas abaixo:
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Ficção
Audition, Katie Kitamura (Riverhead, 2025)
Uma jovem atriz em Nova York vive sobre a tênue linha entre performance e realidade, envolvida em um encontro estranho com um homem que diz ser seu filho. A prosa contida de Kitamura transmite a alienação e a curiosidade da protagonista enquanto sua vida se desenrola como uma peça, com cenários repetidos e perspectivas espelhadas que desafiam o que podemos conhecer sobre identidade, memória e desejo.

Nomeado um dos livros essenciais de 2025 pela revista The New Yorker, Audition desafia nossas preconcepções sobre amor, arte e identidade. Assim, Kitamura nos lembra que nunca deixamos de fazer audições para os nossos próprios papéis.
Flashlight, Susan Choi (Farrar, Straus & Giroux, 2025)
Uma garota de dez anos sobrevive ao misterioso incidente na praia que tira seu pai de sua vida, mas consequências moldam as relações da família durante décadas. A prosa precisa e empática de Choi permite habitar as forças íntimas e geopolíticas que governam a vida de seus personagens, explorando, contudo, memória, ausência e o encontro da história pessoal com os eventos globais.

Finalista do Booker Prize, Flashlight foi descrito pela Vox como “um dos romances mais instigantes de 2025” em sua lista de melhores do ano.
The Loneliness of Sonia and Sunny, Kiran Desai (Hogarth, 2025)
Sonia, aspirante a romancista, retorna à Índia após um relacionamento disfuncional em Nova York. Sunny, jornalista nova-iorquino, reencontra-a em um trem, e o que começa como amizade se transforma em romance. A narrativa vívida e entrelaçada de Desai captura as lutas artísticas de Sonia e a busca por identidade de Sunn, nos fazendo sentir, assim, o peso da solidão e da natureza transitória do pertencimento.

Para a The New York Times Book Review, o livro confirma a ambição literária de Desai como uma das mais importantes romancistas contemporâneas.
Flesh, David Szalay (Scribner, 2025)
Um jovem solitário, István, cresce em um conjunto habitacional na Hungria e é levado até os círculos mais altos da sociedade britânica. Szalay faz com que o leitor sinta o anseio de István por significado, experiência e pertencimento. Isso enquanto o personagem transita por altos e baixos, num ciclo de descoberta e alienação.

Vencedor do Booker Prize de 2025, foi descrito pelos organizadores do prêmio como “uma obra de prosa austera e impacto marcante”. “Um romance singular que explora a vida como acontecimento físico e emocional antes de ser enunciada em palavras.”
Não ficção
Buckley, Sam Tanenhaus (Random House, 2025)
Uma biografia extensa de William F. Buckley Jr., figura central na formação do conservadorismo americano moderno. Tanenhaus vai dos seus primeiros anos até a ascensão como fundador da National Review e apresentador do programa de debates Firing Line, quando se tornou o primeiro “intellectual entertainer”.

Explorando sua influência duradoura na política e na mídia, Tanenhaus revela um homem brilhante, carismático e contraditório, que navegava entre ideais clássicos e compromissos pragmáticos que moldaram a direita americana do século 20. A obra revela como sua vida pessoal e política se entrelaçam com os principais debates ideológicos dos seus tempos.
O The Washington Post considerou a biografia como “o relato mais completo até hoje de um ícone conservador fascinante e que é, ao mesmo tempo, exasperante”.
Abundance: What Progress Takes, Ezra Klein & Derek Thompson (Simon & Schuster, 2025)
Aqui, Ezra Klein e Derek Thompson argumentam que os maiores problemas dos Estados Unidos – crise habitacional, infraestrutura deficiente e estagnação tecnológica – não são fruto de escassez real, mas sim de uma “escassez escolhida” imposta por regulações rígidas e burocracia que travam a inovação e o crescimento.

Klein é colunista do New York Times e autor de Why We’re Polarized, e Thompson é jornalista econômico da The Atlantic e autor de Hit Makers. Juntos, eles combinam dados, política e narrativa acessível para mostrar como instituições bem‑intencionadas diagnosticam problemas, mas falham em resolvê‑los.
O livro propõe uma “agenda de abundância”, defendendo reformas políticas e culturais capazes de gerar mais habitação, infraestrutura, tecnologia e, por fim, bem‑estar social. No horizonte, apontam uma perspectiva de progressismo voltado à produção e à eficiência. Um conceito de abundância, que vem sendo debatido tanto por críticos da esquerda quanto da direita americana.
O ex-presidente americano Barack Obama descreveu o livro como “um chamado para renovar uma política de abundância, capaz de mudar paradigmas, daqueles que acontecem uma vez em cada geração”.
Apple in China: The Capture of the World’s Greatest Company, Patrick McGee (Simon and Schuster, 2025)
Um relato detalhado sobre como a Apple, buscando eficiência e escala, escolheu investir na China como base de produção e mercado, contribuindo para a ascensão tecnológica e industrial chinesa.

McGee explora as relações complexas entre a Apple, seus parceiros de fabricação e o Estado chinês, revelando como a dependência mútua democratizou capacidades industriais locais, gerou milhões de empregos e, ao mesmo tempo, expôs vulnerabilidades geopolíticas e éticas na cadeia tecnológica global.
O The New York Times avaliou o livro como “inteligente e abrangente, mostrando como a expansão da Apple na China transformou a empresa e remodelou todo o setor tecnológico do país”.
In This Economy?: How Money and Markets Really Work, Kyla Scanlon (Crown Currency, 2025)
Um guia acessível sobre como a economia e os mercados funcionam, escrito por Kyla Scanlon, comentarista econômica e colaboradora da Bloomberg que ganhou notoriedade explicando conceitos econômicos complexos no TikTok.

Scanlon desmonta mitos comuns e jargões confusos e usa analogias criativas para traduzir conceitos centrais como dívida nacional, recessão moderada, mercado de trabalho, política monetária e os fatores que influenciam preços, salários e decisões financeiras cotidianas.
A obra é uma porta de entrada para leitores que querem compreender melhor economia sem jargão técnico, ressoando especialmente com a Geração Z.
Dead and Alive: Essays, Zadie Smith (Penguin, 2025)
Uma coletânea de ensaios que atravessa quase uma década, em que Zadie Smith reflete sobre arte, política, cultura e identidade com perspicácia e humor. De anedotas pessoais à crítica literária e ao comentário cultural, os textos nos fazem sentir a curiosidade intelectual e o engajamento da autora diante das ansiedades contemporâneas, mostrando como reflexão e observação iluminam a experiência humana.

Para a Publishers Weekly, o livro é “uma coletânea profunda e humana; Smith reafirma sua posição como uma das ensaístas mais importantes de sua geração, interligando política, cultura e experiência pessoal com brilho e autoridade”.
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