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O contraste do passado industrial com a atual vida noturna agitada e pluralidade de estabelecimentos gastronômicos e culturais definem o destino classificado

Boates cult, cafés descolados e galerias de arte ocupam um bairro brasileiro que antes já foi um complexo industrial. É justamente esse contraste que define a Barra Funda, em São Paulo, eleita como o 3º bairro mais cool do mundo pelo ranking anual da revista Time Out.
Para criar a lista, o veículo se baseia nas maiores cidades do mundo e afirma que os locais classificados representam a alma dessas metrópoles. “A maior lição do ranking da Time Out deste ano é o quanto nossos bairros são moldados por e para suas comunidades locais”, disse a editora de viagens da revista, Grace Beard, à CNN Travel.
Nos destinos destacados, como aponta a Time Out, vida noturna, arte, cultura, além de comes e bebes acessíveis são encontrados em cada canto. Além disso, a pluralidade é evidente, com moradores, visitantes e empreendedores expressando de forma clara suas identidades. Entre os negócios, prosperam desde estabelecimentos tradicionais até aqueles menores e recém-inaugurados.
O ranking da Time Out é construído com base na indicação da rede global de escritores e editores do veículo. Cada um nomeou o bairro mais cool da sua cidade natal atualmente. Em seguida, a revista classificou os destinos a partir de critérios como cultura, comunidade, qualidade de vida, vida noturna, gastronomia, “vida nas ruas” e atualidade.
Confira, a seguir, quais componentes do bairro da Barra Funda o levaram ao 3º lugar entre os bairros mais cool do mundo.
Ao longo das primeiras décadas do século 20, a Barra Funda se consolidou como polo industrial. Grandes e pequenas fábricas, olarias e oficinas passaram a ocupar a área, que se tornou também um importante endereço operário da cidade.
No entanto, crises econômicas ligadas à descentralização industrial, fizeram o bairro perder gradativamente suas grandes fábricas, e, inclusive, enfrentar períodos de decadência urbana no final do século 20.

No entanto, com o passar dos anos 2000, a situação foi, aos poucos, revertida por processos de revitalização e reaproveitamento dos espaços industriais. Isso conferiu ao bairro um legado arquitetônico: antigos galpões e armazéns passaram a abrigar cafés, ateliês, bares, casas noturnas e espaços culturais, dando à Barra Funda sua identidade criativa e vibrante e estética fabril.
A Time Out define a Barra Funda como “a alma alternativa de São Paulo, onde a história industrial encontra uma vibe inegavelmente descolada e criativa”. Entre os destaques pontuados pela revista está a galeria Mendes Wood, que expõe artistas brasileiros e estrangeiros reconhecidos mundialmente, e tem presença internacional com unidades em Bruxelas, Nova York e Paris.
Para quem busca uma vida noturna agitada e culinária contemporânea, as recomendações são o Sururu, o Caracol e o Komah. Com cardápio focado em petiscos brasileiros ao estilo praiano e drinks autorais, o Sururu conecta o espírito de boteco do litoral ao ambiente urbano.
Já o Caracol, que ocupa um prédio de dois andares, combina restaurante no térreo com pista de dança no piso superior. O espaço tem sempre uma programação com DJs, festas e eventos multiculturais. O Komah, por sua vez, é um restaurante coreano premiado com a distinção Bib Gourmand do Guia Michelin, dada a restaurantes que oferecem comida de alta qualidade a preços acessíveis.
Se a ideia for apreciar uma experiência de cafés com perfil sensorial caseiro e rotativo, o descolado Ronin é a opção evidenciada pela revista. Inclusive, o estabelecimento não serve a opção de expresso. O foco, inclusive, é em cafés filtrados no V60 (coador cônico criado pela marca japonesa Hario), com grãos especiais brasileiros.
A revista indica começar o dia com um passeio pela Via Elevada Presidente João Goulart, o Minhocão. Depois, um café da manhã n’A Baianeira, que também recebeu a distinção Bib Gourmand do Guia Michelin. Entre as opções para saborear na primeira refeição, estão pão de queijo mineiro artesanal, bolinho de fubá com goiabada, tapiocas, cuscuz, entre outros.
De lá, a ideia é partir para a galeria Mendes Wood, e depois, visitar à Verniz , uma loja repleta de peças de mobiliário brasileiro moderno. Para o almoço, a indicação é o restaurante Mescla, com destaque para o arroz de camarão e o famoso pudim da casa de sobremesa.
À noite, a Time Out recomenda um drinque no Mamãe Bar, destacado como “uma parada obrigatória que lota com um público jovem e animado”. Ou então, os coquetéis no novo e badalado point Água e Biscoito, inaugurado em março deste ano.
O 1º lugar da lista ficou com o bairro Jimbōchō, em Tóquio, descrito pela Time Out como o ponto de encontro preferido das gerações de intelectuais da metrópole. Na 2ª posição, Borgerhout, é destacado como o coração criativo da cidade da Antuérpia, na Bélgica. Em 4º, ficou classificado Camberwell, em Londres, por sua “vibe jovem, espírito independente e o multiculturalismo".

Na 5ª colocação está Avondale, em Chicago, que, segundo a Time Out, é conhecido por suas históricas populações polonesa e latina. O 6º lugar ficou com Mullae-dong, em Seul, que se configura como um antigo epicentro da indústria siderúrgica e metalúrgica da cidade, transformado em um polo artístico. Na 7ª posição, está Ménilmontant, em Paris, que mantém uma vida noturna eclética e charme bucólico.
No 8º lugar, está Nakatsu, em Osaka, o centro comercial e de negócios da cidade japonesa. Na 9º posição, Vallila, em Helsinque, na Finlândia, é outro bairro que abrigava galpões industriais e oficinas mecânicas e onde agora borbulham restaurantes, bares e casas noturnas. Por fim, o 10º lugar ficou com Labone, no distrito de Acra, em Gana, que agrupa uma série de pubs de para happy hour, galerias, bares de vinho e lojas de luxo.
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