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O Seu Dinheiro destacou os principais pontos da liderança do pontífice argentino nos 12 anos à frente da igreja católica e também resumo as vitórias e polêmicas do período
Passava um pouco de 2h35 (pelo horário de Brasília, 7h35 pelo horário local) quando o Vaticano confirmou a morte do papa Francisco. Nascido em 17 de dezembro de 1936, em Buenos Aires, Jorge Mario Bergoglio sofria de uma doença pulmonar crônica e estava internado desde 14 de fevereiro devido a uma crise respiratória.
Dono de uma trajetória marcada pela humildade, Francisco foi eleito papa em março de 2013 em um cenário inédito nos últimos séculos: sucedeu a um sumo pontífice ainda vivo, Bento XVI (1927-2022), que renunciou em um momento de profunda crise na cúpula da igreja.
A escolha de Francisco foi uma quebra de paradigma: ele foi o primeiro comandante da igreja católica de fora da Europa em mais de 1,2 mil anos, o primeiro pontífice das Américas e o primeiro papa jesuíta da história.
Assim como sua trajetória, a escolha do nome foi emblemática — e contou com a ajuda de um brasileiro: foi o primeiro chefe do Vaticano a assumir o nome Francisco em toda a história da Igreja. Fez isso porque o cardeal brasileiro Cláudio Hummes (1934-2022), muito amigo e franciscano, pediu a ele que não se esquecesse dos mais pobres.
E não foi apenas pela quebra de inúmeros paradigmas que a trajetória de Francisco marcou os 12 anos em que esteve no comando da igreja católica. Ele também chamou atenção do mundo com um estilo humilde e preocupação com os pobres.
Ainda assim, não deixou de enfrentar conflitos dentro da própria Igreja Católica ao criticar o capitalismo e adotar um discurso de inclusão da população LGBTQIAPN+.
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Por princípio, todo papa é do povo, mas é inegável que a visão de Francisco sobre o povo tenha marcado muito a igreja, especialmente pelo cuidado com os empobrecidos.
Em um momento em que a política no mundo viu populismos pipocando aqui e ali, foi o pontífice argentino que colocou em destaque a ideia do povo de Deus.
Muitos historiadores também dizem que foi ele o responsável foi colocar a igreja católica de fato no século 21, mudando o posicionamento do eurocentrismo para um posicionamento mais universal.
Essa mudança estrutural foi visível: o pontificado do argentino foi o primeiro da história do catolicismo em que a proporção de europeus deixou de ser a maioria absoluta.
Na virada do século 19 para o século 20, mais de 98% dos cardeais eram europeus. Quando Francisco assumiu o trono de Pedro, a Europa tinha 61% dos representantes da alta cúpula da igreja. Em 2019, quando ele nomeou 13 novos nomes, a Europa tinha 43% dos representantes.
Francisco também foi o responsável por jogar luz em muitas questões espinhosas que, até então, eram jogadas para debaixo do tapete.
Foi ele que cortou na carne os erros e crimes, especialmente ligados à pedofilia, cometidos por padres e bispos — e, para muitos especialistas, este é o grande legado deixado pelo argentino.
O papa também deixa sua marca na administração da igreja. Ele alterou inúmeros procedimentos jurídicos ligados à questão da pedofilia entre os clérigos católicos, propôs novas funções dos serviços da Cúria Romana reagrupando dicastérios, limitou o número de títulos honoríficos na instituição católica, criou a comissão de controle do Instituto para as Obras de Religião (IOR) e balancetes transparentes das contas da Santa Sé.
Agora que Francisco morreu, a igreja católica entra em período de Sé Vacante.
Caberá ao camerlengo, cardeal responsável pela administração dos bens e Tesouro do Vaticano, o governo temporário e a transição de poder.
Atualmente, o cargo é ocupado pelo irlandês Kevin Joseph Farrell. Entre outras funções, ele irá organizar o conclave para eleição do novo papa.
E essa escolha terá influência direta das mudanças promovidas por Francisco enquanto esteve no comando da igreja católico.
Desde 7 de dezembro, quando ocorreu o último consistório, o Colégio Cardinalício é composto por 252 membros, dos quais 137 eleitores e 115 não eleitores.
Em dez reuniões do gênero, Francisco nomeou 150 cardeais. Na prática, apenas 2 em cada dez eleitores não devem seu título ao pontífice argentino, o que deve influenciar fortemente sua sucessão.
Hoje, 109 dos futuros eleitores em um eventual conclave terão sido escolhidos por Francisco, 23 por Bento XVI e apenas 5 por João Paulo II.
Desde 2013, quando os cardeais eleitores da Europa representavam 56% do total, Francisco buscou as chamadas periferias da igreja, com foco sobretudo na África, na Ásia e na Oceania — então com 22 cardeais eleitores na soma dos três continentes.
Agora, a Europa tem 53 (38%) dos votantes (alguns dos quais com responsabilidades eclesiais noutros continentes), a América tem 38, a Ásia tem 24, África tem 18 e a Oceania tem 3.
Só no último consistório, em dezembro, foram 11 europeus, dos quais 5 italianos; 6 do continente americano, dos quais 5 sul-americanos, 3 asiáticos e 1 africano.
Francisco ainda ampliou o grupo de eleitores, que havia sido definido em 120 por Paulo VI em 1970. Foi ele quem definiu a idade de 80 anos para eleitores, o que permitiu a Francisco ampliar esse colégio.
A escolha de um novo papa segue um processo rigoroso chamado conclave, que ocorre na Capela Sistina, no Vaticano, reunindo os cardeais eleitores com menos de 80 anos. Eles fazem um juramento de sigilo absoluto e iniciam as votações secretas para eleger o novo pontífice.
Os cardeais votam em rodadas sucessivas até que um candidato obtenha dois terços dos votos. Caso não haja consenso nas primeiras votações, novas rodadas são realizadas, intercaladas por momentos de oração e reflexão.
Após cada votação, as cédulas são queimadas. Se ninguém for eleito, a fumaça que sai da chaminé da Capela Sistina é preta. Quando um papa é escolhido, a fumaça torna-se branca.
O velório de um papa leva nove dias, mas Francisco simplificou os ritos no ano passado.
Pela primeira vez em mais de um século, o pontífice argentino será enterrado em um caixão simples de madeira e fora do Vaticano.
Assim, Francisco renunciou a uma prática secular, segundo a qual o chefe da igreja é enterrado em três caixões interligados feitos de cipreste, chumbo e carvalho. Em vez disso, Francisco será enterrado em um único caixão de madeira revestido de zinco.
O uso de uma plataforma elevada na Basílica de São Pedro para o velório, como aconteceu com os pontífices anteriores, também foi abolido. Os fiéis serão convidados a prestar suas homenagens enquanto o corpo de Francisco ficará dentro do caixão, com a tampa aberta.
Segundo informações do Vaticano, ele optou pelo enterro na Igreja de Santa Maria Maior em Roma, em vez da Basílica de São Pedro, que abriga mais de 90 papas.
A escolha tem razão: foi a igreja que Francisco tradicionalmente frequentava para fazer orações em Roma — diocese da qual era, oficialmente, o bispo. Antes dele, Leão XIII, em 1903, havia optado pelo enterro na igreja de São João de Latrão.
Muitas são as reações dos líderes internacionais à morte de Francisco, mas uma das que mais chama atenção é a do vice-presidente dos EUA, JD Vance.
Poucos dias antes de ser hospitalizado, em fevereiro, Francisco criticou duramente os planos de deportação do governo de Donald Trump, alertando que eles privariam os imigrantes de sua dignidade inerente.
Em uma carta aos bispos dos Estados Unidos, o papa também pareceu responder diretamente a Vance por ter afirmado que a doutrina católica justifica tais políticas.
Vance, que esteve no dia anterior com o papa Francisco no Vaticano, disse: "Acabei de saber do falecimento do Papa Francisco. Meu coração está com os milhões de cristãos ao redor do mundo que o amavam. Fiquei feliz por tê-lo visto ontem, embora ele estivesse obviamente muito doente. Mas sempre me lembrarei dele pela homilia que ele fez nos primeiros dias da covid. Foi realmente muito bonita. Que Deus descanse sua alma."
Horas depois, foi a vez de Trump prestar condolências ao papa Francisco, em mensagem bem curta divulgada na rede Truth Social. "Descanse em paz, papa Francisco! Que Deus o abençoe e aos que o amavam", escreveu o republicano.
O presidente da Argentina, Javier Milei, disse que recebeu com "profunda dor" a notícia da morte do papa Francisco. O governo argentino decretou luto de sete dias pelo falecimento do pontífice.
"Apesar de diferenças que hoje parecem menores, ter podido conhecê-lo em sua bondade e sabedoria foi uma verdadeira honra para mim. Como Presidente, como argentino e, fundamentalmente, como um homem de fé, despeço-me do Santo Padre e me solidarizo com todos que hoje recebem essa triste notícia."
Por aqui, as primeiras manifestações vieram dos ministros do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que também lamentaram a morte do papa Francisco. Em mensagens publicadas nas redes sociais, os chefes das pastas elogiaram a trajetória do pontífice e enalteceram o legado deixado por ele.
Lula se manifestou depois, ao decretar sete dias de luto: "A humanidade perde hoje uma voz de respeito e acolhimento ao próximo".
Na Europa, o presidente da França, Emmanuel Macron, foi um dos que lamentou o falecimento do pontífice. "De Buenos Aires a Roma, o Papa Francisco queria que a Igreja levasse alegria e esperança aos mais pobres. Que unisse os seres humanos entre si e com a natureza. Que essa esperança possa ressuscitar perpetuamente além dele".
Líderes dos dois lados do conflito entre a Rússia e a Ucrânia ressaltaram o legado do papa Francisco. O presidente russo, Vladimir Putin, destacou a influência internacional do papa como um "defensor consistente dos altos valores do humanismo e da justiça".
Putin disse que Francisco também "incentivou ativamente o desenvolvimento de um diálogo entre a Igreja Ortodoxa Russa e a Igreja Católica Romana, bem como a interação construtiva entre a Rússia e a Santa Sé".
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, disse que seu país se une a todos os católicos e cristãos pela lembrança do legado de Francisco. "Ele rezou pela paz na Ucrânia e pelos ucranianos. Memória eterna!", escreveu Zelensky nas redes sociais.
Diversos líderes do mundo árabe também recorreram à rede social X para se manifestar sobre o legado do papa Francisco. Egito, Emirados Árabes Unidos, Jordânia, Líbano, Autoridade Palestina e Irã publicaram mensagens lamentando a morte do pontífice.
*Com informações do Money Times
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