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Monique Lima

Monique Lima

Repórter de finanças pessoais e investimentos no Seu Dinheiro. Formada em Jornalismo, também escreve sobre mercados, economia e negócios. Já passou por redações de VOCÊ S/A, Forbes e InfoMoney.

VIVER DE RENDA

Patrimônio de R$ 1 milhão é suficiente para se aposentar e viver de renda em 2025?

Valor que já foi sinônimo de tranquilidade financeira, hoje exige estratégia, diversificação e disciplina para não virar ilusão

Monique Lima
Monique Lima
25 de agosto de 2025
6:04 - atualizado às 13:42
dinheiro ações mais ricos previdencia fundos
Imagem: Shutterstock

A marca de R$ 1 milhão costuma ser vista como um divisor de águas na vida financeira. É a quantia que, em tese, permitiria ao investidor viver de renda e garantir tranquilidade no futuro. Mas, em 2025, será que esse valor ainda garante independência financeira? Especialistas ouvidos pelo Seu Dinheiro dizem que não.

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Isso não significa jogar um balde de água fria no sonho do primeiro milhão. O planejador financeiro Jeff Patzlaff explica:

“Esse número rompe uma barreira psicológica importante. A partir dele, mesmo investimentos conservadores já começam a gerar renda mais visível. Mas é preciso encarar como um marco no caminho, e não como um ponto final”, afirma.

A solução, portanto, depende de variáveis que vão além do saldo na conta. Para viver de renda com R$ 1 milhão, é preciso olhar para três fatores-chave:

  • a rentabilidade dos investimentos,
  • a inflação, que corrói o poder de compra ao longo dos anos, e
  • o custo de vida do investidor.

Para as análises e cálculos desta reportagem, o Seu Dinheiro considerou que o montante de R$ 1 milhão já existe — não se trata de um planejamento de acúmulo de capital, mas de manutenção para garantir a rentabilidade mensal.

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Os especialistas consultados foram Bruna Pacheco, planejadora financeira e sócia da GT Capital; Jeff Patzlaff, planejador financeiro e especialista em investimentos; e Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets.

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Quanto R$ 1 milhão rende por mês

No Brasil, a principal referência de retorno para a renda fixa é o juro, por meio da taxa CDI. Se um investidor tivesse aplicado R$ 1 milhão em um título atrelado a essa taxa em agosto de 2024, o ganho acumulado até julho de 2025 teria sido de 10,88%.

Em números reais: R$ 108,8 mil no bolso em 12 meses — algo próximo de R$ 9 mil por mês.

Nas ações, a conta pode ser feita usando o Índice de Dividendos (IDIV) como referência. No mesmo período, a carteira de boas pagadoras de proventos rendeu 11,83%. Isso equivale a R$ 118,3 mil no ano, ou pouco menos de R$ 10 mil por mês.

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Na prática, uma renda mensal entre R$ 9 mil e R$ 10 mil colocaria o investidor em uma faixa confortável no país. Estamos falando de três vezes a média de R$ 3.057 registrada pelo IBGE em 2024.

Mas há dois poréns importantes:

  1. o cálculo não considera o imposto de renda sobre os ganhos nem eventuais taxas cobradas pelas corretoras, que diminuem a renda mensal;
  1. os números são projeções com base no passado — e, como lembra a máxima do mercado, retorno passado não garante rentabilidade futura.

O exemplo de 2020 deixa isso claro. Naquele ano, a taxa de juros caiu para a mínima histórica de 2% ao ano, enquanto o Ibovespa valorizou 2,92% e o IDIV recuou 1%. Com isso, a rentabilidade anual mal chegava a R$ 20 mil em uma aplicação de R$ 1 milhão.

Foi um ano excepcional? Sim. Mas o futuro é imprevisível e a renda gerada por um patrimônio depende das condições de mercado

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E a primeira (des)ilusão no “sonho do milhão” é justamente essa: não existe garantia de um retorno fixo e permanente.

Afinal, R$ 1 milhão é suficiente para viver de renda?

Primeiro, é preciso entender quanto vale R$ 1 milhão — nada de filosofia, matemática mesmo.

A inflação — o aumento contínuo dos preços de bens e serviços ao longo do tempo — diminui o valor do dinheiro: R$ 1 milhão há dez anos comprava muito mais do que hoje.

Dos anos 2000 até hoje, a inflação acumulada no Brasil foi de 530,73%, segundo dados do Banco Central. Isso quer dizer que R$ 1 milhão naquela época equivaleria a R$ 6.307.300 hoje.

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Essa informação importa porque está diretamente ligada ao custo de vida de cada pessoa. Quando o salário de R$ 10 mil, que pagava todas as contas e ainda sobrava no ano X, deixa de cobrir os mesmos custos no ano Y, a culpa é da inflação.

Dados do portal Expatistan, que calcula o custo de vida em diferentes cidades a partir de preços informados por colaboradores, mostram que o custo mensal estimado para uma única pessoa morar em São Paulo em 2025 é de R$ 7.420.

Esse valor inclui alimentação, moradia, transporte, cuidados pessoais e lazer. Tudo está sujeito à inflação, que pode ser maior ou menor a depender da cidade. Em Salvador, por exemplo, o custo de vida mensal estimado é de R$ 5.299, segundo o portal.

A questão é que o custo de vida também não é fixo nem permanente — outra (des)ilusão no “sonho do milhão”.

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Quanto precisa então?

“Uma projeção realista deve considerar um crescimento dos custos de 5% a 6% ao ano, porque algumas despesas crescem mais rápido que a inflação oficial do país”, diz Jeff Patzlaff.

Uma pessoa que pretenda viver de renda e retirar R$ 10 mil líquidos mensais (descontada a inflação) durante 30 anos precisaria ter um patrimônio financeiro de R$ 3,59 milhões em valores atuais.

A simulação, feita com a calculadora Viver de Renda, do Seu Dinheiro, considera uma rentabilidade acima da inflação de 4% ao ano.

Levando em conta a recomendação de Patzlaff e atribuindo uma inflação de 6% nos cálculos, o retorno nominal da carteira de investimentos teria que ser de 10% ao ano para sustentar essa renda mensal.

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Como viver de renda?

Atingir esses 10% de retorno anual depende muito das condições macroeconômicas do país em determinado período. Assim como o juro pode disparar a 15% ao ano e a bolsa render mais de 20% em 12 meses e alavancar os ganhos, retornos pífios também são possíveis.

Diante disso, os especialistas recomendam uma estratégia conservadora, para não correr o risco de perder o montante principal. Mas também orientam que o investimento — de R$ 1 milhão ou R$ 3,6 milhões — seja distribuído em diferentes ativos.

“A verdadeira segurança vem da diversificação da carteira e da disciplina de resgates, não de um ativo isolado”, diz Bruna Pacheco.

A planejadora avalia que a carteira precisa ter os principais ativos de renda fixa…:

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  • Pós-fixados, para render juros e garantir liquidez;
  • Prefixados, para segurar taxas atrativas;
  • Indexados ao IPCA, para corrigir a inflação.

… além de uma pequena parcela em ativos de risco, como ações, fundos imobiliários ou multimercados. “Precisa ter equilíbrio entre liquidez, preservação de capital e geração de renda”, afirma.

De forma geral, o portfólio precisa de ativos que performam de diferentes maneiras. Juros altos, por exemplo, favorecem a renda fixa, enquanto juros baixos impulsionam ações. Assim, um ativo pode compensar o outro e equilibrar a estratégia. 

“Mais do que ter R$ 1 milhão, o que garante a rentabilidade é planejamento e estratégia inteligente. O número é importante, mas sozinho não sustenta a aposentadoria”, diz Pacheco.

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