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Camille Lima

Camille Lima

Repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap.

COM DATA MARCADA

Você aceita esta fusão? BRF e Marfrig marcam assembleias decisivas após questionamentos de acionistas; veja o que esperar da votação

Após imbróglio de acionistas, as gigantes do setor de proteínas conseguiram remarcar a votação do casamento corporativo; confira a nova data das AGEs

Camille Lima
Camille Lima
23 de junho de 2025
9:58 - atualizado às 10:17
Fusão entre BRF (BRFS3) e Marfrig (MRFG3).
Fusão entre BRF (BRFS3) e Marfrig (MRFG3). - Imagem: Dall-E/ChatGPT/ Divulgação / Montagem Seu Dinheiro

Você aceita esta fusão como sua legítima aliada para a carteira de investimentos? É isso que os acionistas da BRF (BRFS3) e da Marfrig (MRFG3) terão que decidir no mês que vem. 

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Depois de um adiamento promovido por questionamentos de investidores minoritários, as duas gigantes do setor de proteínas conseguiram remarcar a votação do casamento corporativo.

De olho no tão sonhado "sim", as companhias de proteínas marcaram para o dia 14 de julho as assembleias gerais extraordinárias (AGEs) de votação. A BRF se encontrará com seus acionistas às 9h, e a Marfrig, às 11h, em reuniões presenciais.

De acordo com as companhias, os acionistas que já enviaram seus boletins de voto até 14 de junho e não pretendem alterar suas instruções não precisarão submeter um novo documento para a AGE. 

Já para aqueles que desejarem reavaliar suas decisões, o prazo para enviar as novas instruções de voto é até o dia 10 de julho — isto é, quatro dias antes do grande dia.

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A assembleia da Marfrig ocorrerá de forma presencial, na sede em São Paulo. Já no caso da BRF, a assembleia ocorrerá de modo exclusivamente digital, por meio do Zoom, uma vez que este formato permite maior participação dos acionistas.

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Se aprovada, a transação resultará no surgimento da MBRF, que já nasceria como uma das maiores empresas de alimentos do mundo, detentora de 38% do volume de vendas de produtos processados e com uma receita líquida consolidada de R$ 152 bilhões nos últimos 12 meses.

O mais recente obstáculo à fusão da BRF e da Marfrig

Na semana passada, dois acionistas minoritários da BRF pediram à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que adiasse e interrompesse as assembleias gerais extraordinárias que discutiriam a fusão entre as duas gigantes do setor de proteínas.

A gestora Latache e Adriano Fontana, membro da família que fundou a Sadia, que levaram à xerife do mercado de capitais o questionamento, apontando questões como os termos da fusão e a falta de documentação suficiente para que os acionistas tomassem uma decisão consciente.

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Uma das críticas de Fontana, filho de Alex Fontana e detentor de 0,11% de participação na BRF, foi a relação de troca de ações proposta aos minoritários, que estariam “subavaliando” os papéis BRFS3, com um desconto de 16% em relação ao valor de mercado da empresa antes do anúncio. 

Enquanto isso, a gestora Latache, que também não ficou satisfeita com a proposta, levantou outra questão delicada: os dividendos

A gestora considera a estruturação desses proventos abusiva, já que a distribuição de R$ 6 bilhões em dividendos aos acionistas da fusão está condicionada ao não exercício do direito de retirada pelos minoritários. Se os investidores decidirem exercer o direito de retirada, ficarão de fora dos proventos.

Afinal, qual é a proposta da BRF e da Marfrig para os acionistas minoritários?

Como em todo grande casamento, a proposta de fusão entre a BRF (BRFS3) e a Marfrig (MRFG3) está recheada de condições que precisam ser aceitas por ambas as partes — especialmente pelos acionistas. 

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A proposta que será colocada à mesa dos minoritários no próximo mês envolve a incorporação das ações da BRF (BRFS3) pela Marfrig, com a relação de troca definida em 0,8521 ação da Marfrig para cada ação da BRF detida.

Após a união, a BRF se tornará uma subsidiária integral da Marfrig, que continuará a ser listada no Novo Mercado da B3, o segmento que reúne as empresas com maior governança corporativa da bolsa brasileira.

Além disso, como parte do acordo, a BRF distribuirá até R$ 3,52 bilhões em dividendos, enquanto a Marfrig pagará até R$ 2,5 bilhões aos seus acionistas.

Mas, como em qualquer grande aliança, há quem não queira subir ao altar. A proposta de fusão abre espaço para que acionistas dissidentes exerçam seu direito de retirada. 

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Ou seja, aqueles que não quiserem aceitar a incorporação das ações BRFS3 pela Marfrig poderão pedir o reembolso de suas ações. Veja os valores:

  • Acionistas da BRF:
    • R$ 9,43 por ação, com base no patrimônio líquido; ou
    • R$ 19,89 por ação, considerando o valor patrimonial por ação com base no laudo previsto no artigo 264 da Lei das S.A.
  • Acionistas da Marfrig:
    • R$ 3,32 por ação.

A proposta de casamento e o "sim" final: vem aprovação pela frente?

Com a votação marcada para o mês que vem, a expectativa no mercado é de que a fusão entre a BRF (BRFS3) e a Marfrig (MRFG3) será aprovada.

A XP Investimentos, por exemplo, considera como cenário base a aprovação da transação, mantendo os termos iniciais propostos pelas duas empresas. 

O próprio Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou o negócio sem restrições ou propostas de alterações e remédios.

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Contudo, como o processo ainda está em andamento, a análise da XP alerta que, até a definição final, as ações das duas companhias continuarão a reagir na B3 mais a movimentos técnicos do que aos fundamentos.

De todas as formas, alguns acionistas já sinalizam um cenário promissor para o “sim” da fusão. De acordo com o boletim de voto à distância da BRF, a maioria dos minoritários já demonstra uma disposição favorável à união dos frigoríficos. 

Considerando votos representativos de 382,15 milhões de ações, cerca de 35% se posicionaram a favor da operação, contra 16% que foram contrários. O restante, 48%, preferiu se abster de votar.

Ao retirar as abstenções e considerar apenas os votos válidos, a fusão tem 68,9% de apoio dos acionistas minoritários — um número que aproxima ainda mais o "sim" de um futuro casamento entre as gigantes.

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Importante destacar que esses votos à distância representam apenas 24% do total de ações emitidas pela BRF, excluindo as ações em tesouraria. Além disso, essa votação ainda não leva em consideração a posição da Marfrig.

*Com informações do Money Times.

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