Vale (VALE3) tem prejuízo milionário no 4T24, mas anuncia dividendos, JCP e recompra de ações; confira os números da mineradora
Os últimos três meses foram marcados pela estratégia de valor sobre volume, mas a explicação da companhia para as perdas é outra

A maioria das pessoas não gosta de spoiler, mas no caso da Vale (VALE3) foi bem-vindo — ajudou a preparar o mercado (ainda que parcialmente) para o que viria nesta noite de quarta-feira (19): a reversão do lucro líquido de R$ 2,442 bilhões no quarto trimestre de 2023 em prejuízo de US$ 872 milhões no quarto trimestre de 2024.
Os dados mais baixos de produção e vendas no período — um reflexo da estratégia de valor sobre volume da mineradora — já indicava para os investidores que a performance financeira seria comprometida. Para entender melhor essa estratégia, você pode acessar aqui.
Com isso, a Vale encerra 2024 com lucro líquido de US$ 5,975 bilhões, uma queda de 26% ante 2023.
O prejuízo líquido atribuído aos acionistas da mineradora foi de US$ 694 milhões entre outubro e dezembro de 2024, revertendo também um lucro líquido atribuído aos acionistas de US$ 2,418 bilhões no terceiro trimestre de 2023.
Em 2024, o lucro líquido atribuído aos acionistas totalizou US$ 6,166 bilhões, aqueda de 23% sobre 2023.
A Vale justifica as perdas com o "impacto do reconhecimento da redução ao valor recuperável de US$ 1,4 bilhão relacionada às operações de níquel de Thompson e de US$ 540 milhões relacionados ao projeto de Extensão da Mina de Voisey’s Bay, após revisão abrangente dos ativos da VBM".
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A receita líquida de vendas, por sua vez, alcançou US$ 10,124 bilhões no quarto trimestre, um recuo de 22% na mesma base de comparação. Em 2024, a receita líquida de vendas somou US$ 38,056 bilhões, baixa de 9% sobre 2023.
As projeções da Bloomberg indicavam lucro líquido de US$ 2,039 bilhões no quarto trimestre de 2024 e receita de US$ 10,130 bilhões no período. Você pode conferir todas elas aqui.
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Outros números da Vale
No quarto trimestre, o Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado da Vale caiu 41%, para US$ 3,794 bilhões.
Em 2024, o Ebitda ajustado recuou 20%, para US$ 14,840 bilhões.
A Vale explica que esse desempenho decorre da depreciação do real na marcação a mercado de swaps de obrigações.
"Esses efeitos foram parcialmente compensados por maiores contribuições de empresas coligadas e joint ventures, já que a provisão relacionada ao rompimento da barragem de Samarco impactou os resultados do trimestre, e menores tributos sobre o lucro", diz a companhia em comunicado.
A mineradora informou ainda que os preços médio do minério de ferro foram de US$ 103,40 a tonelada entre outubro e dezembro, 19% menores do que o praticado no mesmo período do ano anterior. Em 2024, os preços do minério foram de US$ 109,40, 9% abaixo dos praticados em 2023.
Já o preço realizado dos finos de minério no quarto trimestre recuaram 21%, para US$ 93 a tonelada. Em 2024, houve queda de 12% ante 2023, para US$ 95,30.
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Dívida e investimentos da mineradora
Desde que a Vale recebeu uma notificação do governo sobre a cobrança pela renovação antecipada de concessões ferroviárias e também pela condenação pela tragédia de Mariana (MG), a dívida da mineradora é acompanhada com lupa pelo mercado.
É importante lembrar que logo depois da divulgação do relatório operacional, a Vale fez um acordo de R$ 170 bilhões para minimizar os efeitos do desastre provocado pelo rompimento da barragem do Fundão.
De acordo com o balanço divulgado hoje, a Vale encerrou o período de outubro a dezembro com uma dívida líquida de US$ 10,499 bilhões, 10% acima dos US$ 9,560 bilhões do mesmo período de 2023.
A dívida líquida expandida, que inclui provisões relativas a Brumadinho e Samarco, atingiu US$ 16,466 bilhões, 2% acima do quarto trimestre do ano anterior.
As provisões de Brumadinho somaram US$ 1,970 bilhão no quarto trimestre, uma queda de 36% em relação ao mesmo período do ano anterior. As provisões com a Samarco totalizaram US$ 3,663 bilhões no período, uma baixa de 13% em base anual.
Já os investimentos da Vale somaram US$ 1,766 bilhão nos três últimos meses do ano ante US$ 2,118 bilhões do mesmo período de 2023, uma baixa de 17%. Em 2024, a mineradora investiu US$ 6 bilhões, montando 1% acima do aportado no ano anterior.
Para 2025, a projeção de capex (investimento) total foi atualizada para US$5,9 bilhões, redução US$600 milhões ante a meta prévia, segundo fato relevante.
Segundo a mineradora, a projeção de investimento para crescimento em 2025 foi atualizada para US$ 1,6 bilhão ante até US$ 2,5 bilhões, enquanto os recursos de manutenção agora são estimados em US$ 4,3 bilhões ante até US$ 4,5 bilhões.
A projeção de investimento em soluções de minério de ferro em 2025 foi atualizada para US$ 3,9 bilhões, ante até US$ 4 bilhões, enquanto o segmento de metais para transição energética teve um corte para US$ 2 bilhões ante até US$3 bilhões.
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Vale: recompra de ações e dividendos
Junto com os resultados do quarto trimestre, a Vale também anunciou um programa de recompra de ações e o pagamento de dividendos aos acionistas.
O conselho de administração da Vale aprovou a distribuição de dividendos no valor bruto de R$ 2,141847479 por ação.
A data de corte para pagamento será 7 de março de 2025, e a record date para pagamento dos proventos aos detentores de American Depositary Receipts (ADRs) negociados na New York Stock Exchange (Nyse) é 10 de março.
Os valores serão pagos em 14 de março de 2025. A partir do dia 10 do mês que vem, as ações passam a ser negociadas "ex-dividendos", tanto na B3 quanto na Nyse. Então você pode optar por comprar a ação agora e ter direito aos dividendos ou esperar a data de corte e adquirir os papéis por um valor menor, mas sem o direito ao provento.
A Vale informa, ainda, que pagará juros sobre capital próprio (JCP) no valor bruto de R$ 0,520530743 por ação, já deliberado pelo conselho de administração, no dia 14 de março de 2025. Vale lembrar que sobre o JCP incide 15% de imposto de renda retido na fonte.
O conselho da Vale também aprovou a aquisição de até 120 milhões de ações ordinárias em um prazo de 18 meses. O montante representa cerca de 3% do número de ações da companhia em circulação.
"A aprovação do novo programa de recompra de ações demonstra a contínua confiança dos administradores nas perspectivas de negócio da Vale, a disciplina da administração na alocação de capital e o compromisso com a criação e o compartilhamento de valor com os acionistas da companhia", diz a mineradora em fato relevante.
A decisão, segundo a Vale, ponderou a proximidade do término do programa de recompra em curso, por meio do qual a companhia recomprou aproximadamente 34 milhões de ações até o momento.
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