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Bia Azevedo

Bia Azevedo

Jornalista pela Universidade de São Paulo (USP). Em 2025, esteve entre os 50 jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já trabalhou como coordenadora e editora de conteúdo das redes sociais do Seu Dinheiro e Money Times. Além disso, é pós-graduada em Comunicação digital e Business intelligence pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).

ALERTA?

Shopee quer bater de frente com Mercado Livre e Amazon no Brasil — mas BTG faz alerta

O banco destaca a mudança na estratégia da Shopee que pode ser um alerta para as rivais — mas deixa claro: não será nada fácil

Bia Azevedo
Bia Azevedo
1 de abril de 2025
12:37
shopee-sea

A Shopee é velha conhecida do público por “democratizar luxos”. Lá você encontra réplicas de roupas da Zara, bolsas da Prada, tênis da Adidas, além de objetos com aspecto elegante para a casa e uma infinidade de outros produtos. 

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Tudo mais barato e com apelo ao consumidor, que pode jogar jogos no aplicativo para conseguir ainda mais descontos. 

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Isso fez com que a marca se fortalecesse no imaginário dos brasileiros, mas não poupou a empresa dos desafios de ter que combinar crescimento e a pressão para melhorar a rentabilidade, como visto em muitos pares globais de tecnologia. 

Mas, de acordo com um relatório do BTG Pactual, uma estratégia que a plataforma chinesa aplicou no Sudeste Asiático parece estar surtindo efeito: observar como outros resolveram problemas existentes e, em seguida, construir um sistema para superar essas questões. 

E isso pode se tornar um problema para o Mercado Livre e a Amazon no Brasil

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O crescimento da Shopee

Recentemente, a empresa asiática acelerou a expansão do Valor Bruto de Mercadorias (GMV, na sigla em inglês), métrica que mede o desempenho do varejo online. 

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De acordo com as estimativas do BTG Pactual, esse valor chegou a R$ 50 bilhões no ano passado, mostrando um foco crescente em melhorar os níveis de serviço e aumentar seu ticket médio. Fora isso, a Shopee já é a maior plataforma de e-commerce e aplicativo em audiência, apenas atrás da Mercado Livre. 

O banco também destaca os esforços da empresa em migrar para um estilo de plataforma mais focado no modelo Business to Customers (B2C), voltado para o consumidor final.

Isso porque a varejista de Cingapura começou com um marketplace no qual pequenos negócios e usuários poderiam vender entre si (Customers to Customers, C2C). 

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Essa transição busca melhorar o ticket médio da plataforma, que hoje gira em torno de US$ 5. E é justamente aí que mora a potencial ameaça ao Mercado Livre. Porém, o BTG destaca que isso não será uma tarefa fácil. 

Isso porque, segundo o banco, embora a Shopee tenha obtido um enorme sucesso vendendo itens de baixo ticket médio, aspectos como qualidade dos produtos, atendimento ao cliente, velocidade de entrega e pacotes promocionais representarão desafios para retenção e crescimento de clientes. 

Outro desafio é a operação da Shopee no Brasil, que precisaria desenvolver uma estrutura  logística mais robusta em um território de dimensões continentais. 

Para enfrentar isso, a empresa inaugurou, em meados de 2024, seu primeiro centro de distribuição no país. A estrutura se soma a uma rede já formada por 11 centros de cross-docking, cerca de 150 hubs regionais e o apoio de aproximadamente 20 mil transportadoras terceirizadas.

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Se cuida, Mercado Livre?

Em 2021, apenas dois anos após sua chegada ao Brasil, a Shopee conquistou a liderança entre os aplicativos de compras mais baixados no país.

A plataforma atraiu a atenção dos consumidores ao apostar em uma abordagem inovadora no e-commerce, marcada por mini-jogos dentro do aplicativo, oferecendo cupons para usuários vencedores.

Mas, após registrar perdas acima do esperado e suspender suas projeções globais para o comércio eletrônico em 2022, a Sea Limited — controladora da Shopee — anunciou a saída da Argentina e a redução das operações no México, na Colômbia e no Chile. 

No Brasil, a operação foi mantida, mas a empresa elevou as taxas cobradas dos vendedores como parte de uma estratégia para aumentar a rentabilidade.

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E a taxação das comprinhas?

A tributação sobre compras internacionais tem ganhado protagonismo nos debates globais nos últimos trimestres. Nos Estados Unidos, o governo pôs fim, neste ano, à regra conhecida como “de minimis”, que isentava de impostos as remessas com valor inferior a US$ 800.

No Brasil, o Congresso aprovou e o presidente sancionou, no  ano passado, o fim da isenção para produtos importados de até US$ 50.

Com isso, passou a vigorar uma alíquota de 20% de imposto de importação sobre esse tipo de remessa, além do ICMS estadual de 17%. Mais recentemente, dez estados elevaram o ICMS para 20%, o que passou a valer nesta terça-feira (1).

A ofensiva tributária não se limitou ao aumento de impostos. O governo federal também ampliou os mecanismos de rastreamento de encomendas internacionais, intensificando a fiscalização de pacotes que chegam ao país.

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Apesar do impacto das novas regras, plataformas como a Shopee tentam minimizar os efeitos junto aos consumidores. Segundo a empresa, cerca de 90% dos vendedores que operam no marketplace são brasileiros, e 80% dos produtos disponíveis são fabricados no Brasil.

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