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Maria Carolina Abe

Maria Carolina Abe

É jornalista formada pela ECA-USP, com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais para Jornalistas pela B3. Tem mais de 25 anos de experiência e passagem pelas principais redações do país - entre elas, Estadão, Folha, UOL e CNN Brasil. Atualmente, é editora de Empresas no Seu Dinheiro.

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Por que a Stone vendeu a Linx por menos da metade do preço que pagou por ela em 2020

Entenda por que houve uma mudança de valor tão grande na empresa de tecnologia e quais as consequências para as três companhias envolvidas

Maria Carolina Abe
Maria Carolina Abe
22 de julho de 2025
14:26 - atualizado às 9:02
Linx
Imagem: Shutterstok

A empresa de maquininhas Stone ganhou uma concorrência acirrada em 2020 e comprou a empresa de tecnologia Linx por R$ 6,7 bilhões. Mas o negócio não saiu como esperado, e a Stone acabou decidindo revender a Linx, agora para a Totvs (TOTS3), por R$ 3,05 bilhões.

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Se você reparar bem nos valores, tem algo estranho nessa equação, que contraria a lógica do mundo dos negócios. A Stone vendeu a Linx por menos de metade do que pagou por ela cinco anos atrás. Não deveria ser o contrário?

Afinal, o que explica esse “desconto” na hora de passar a Linx para frente? Será que houve um erro de avaliação na época em que a Stone fez o cheque de R$ 6,7 bi? E quais são as consequências agora para as três companhias — Stone, Linx e Totvs?

O Seu Dinheiro ouviu alguns gestores e analistas de mercado para tentar explicar. Confira a seguir.

Afinal, por que mudou tanto o valor da Linx?

Para entender um pouco por que a Stone acabou desembolsando um valor tão alto em 2020, é preciso lembrar do contexto, aponta Marcos Camilo, CEO da Pulse Capital.

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Em primeiro lugar, naquele ano, o lockdown da pandemia havia impulsionado a transformação digital, aumentando muito a demanda por digitalização e deixando o mercado de tecnologia superaquecido. E a Linx é uma empresa desse segmento.

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Além disso, o mercado de capitais também estava muito aquecido, com taxas de juros em níveis historicamente baixos no Brasil e no mundo, governos imprimindo muito dinheiro e forte liquidez. 

“Nesta época, teve muito deal inflacionado, sobretudo no mercado de tecnologia. Agora o mercado está se ajustando ao pós-pandemia e os valuations estão voltando aos parâmetros mais técnicos”, avalia Camilo.

E não é só isso. Vale lembrar também que, naquele momento, havia uma série de empresas querendo levar a Linx — inclusive a própria Totvs fez propostas altas. “A Stone fez uma proposta agressiva para levar. Faz parte.”

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Houve uma falha de avaliação da Stone?

Para Ângelo Belitardo, gestor da Hike Capital, “é razoável” dizer, sim, que houve uma falha de avaliação por parte da Stone. 

“A empresa apostou numa expansão agressiva para além do seu core em adquirência, num momento em que o mercado valorizava crescimento e plataformas integradas. No entanto, a execução falhou. A integração entre os sistemas foi mais difícil do que o previsto, as sinergias prometidas não se realizaram plenamente, e o ambiente macroeconômico virou contra o modelo de negócio”, afirma Belitardo.

“O valuation pago foi elevado, num momento de múltiplos inflados pelo cenário de juros baixos e excesso de liquidez. A própria Stone reconheceu isso implicitamente ao realizar a venda com deságio expressivo”, conclui o gestor.

Caroline Sanchez, analista da Levante Inside Corp, pondera que “não foi um erro absoluto, mas uma expectativa que não se concretizou”, algo a que as empresas estão suscetíveis de acontecer.

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“Na época, a Stone apostou que a integração da Linx com o portfólio dela poderia trazer ganhos significativos de sinergia, especialmente no que diz respeito a aumentar a atuação no varejo, que é um mercado estratégico para eles”, explica a analista.

“Mas o que se viu foi um descompasso entre o que foi prometido e o que efetivamente foi alcançado. (...) Acho que a gente não pode chamar de erro, mas talvez uma avaliação excessivamente otimista dos benefícios dessa compra.”

Quais as consequências do acordo para Stone, Totvs e Linx?

Agora que o (novo) negócio está fechado, como ficam as três envolvidas?

Stone

Sanchez vê o movimento como positivo para a empresa, que conseguiu se desfazer de um ativo que não estava gerando o retorno esperado e agora pode focar nas suas operações principais. 

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Belitardo concorda com este ponto, e acrescenta que a Stone reduz sua complexidade operacional e libera caixa. Por outro lado, cristaliza um prejuízo contábil relevante, impactando sua credibilidade em M&A.

Linx

Para a Linx, sob nova direção, o cenário é de reestruturação e recuperação de competitividade. 

“A Totvs é líder em software de gestão no Brasil, tem sinergia clara com o core da Linx (varejo e meios de pagamento), além de know-how para integração. A tendência é que a Linx ganhe fôlego dentro de uma estrutura mais sólida e focada, com potencial de sinergias reais em canais de distribuição, base de clientes e desenvolvimento tecnológico”, segundo o gestor da Hike.

Para a analista da Levante, a Totvs tem uma presença geográfica e uma capacidade de atendimento que “pode fazer com que a Linx ganhe uma nova dimensão do mercado”.

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Totvs

Para a Totvs, o negócio foi estratégico, avalia Belitardo, pois fortalece seu braço de soluções para o varejo, amplia a base de clientes e integra novas verticais. “A aquisição foi feita a um preço atrativo, com potencial de retorno elevado se houver sucesso na integração. Consolida ainda mais sua posição como maior empresa de software corporativo da América Latina.”

Camilo concorda que a Totvs sai ganhando com o negócio, já que tem muitas sinergias de produtos e mercados com a Linx. 

“A Linx tem bons produtos de software para grandes redes de varejo, targets pouco explorados pela Totvs. E a Totvs agora terá também um forte canal para vender seus produtos via cadeia da Linx. A Totvs tem muitos produtos, comprou muitos negócios nos últimos anos e tem um portfólio grande para gerar receitas na rede da Linx. E a Linx tem um produto que a Totvs não tem.”

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