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Carolina Gama

Formada em jornalismo pela Cásper Líbero, já trabalhou em redações de economia de jornais como DCI e em agências de tempo real como a CMA. Já passou por rádios populares e ganhou prêmio em Portugal.

BALANÇO

Petrobras (PETR4) tem prejuízo no trimestre, lucro 70% menor em 2024 e anuncia R$ 9,1 bi em dividendos — os extraordinários não vieram

As perdas não foram contempladas pelas projeções do mercado, que esperava uma queda do lucro nos últimos três meses do ano; saiba o que fez a estatal registrar uma perda bilionária no período

Carolina Gama
26 de fevereiro de 2025
20:58 - atualizado às 21:16
Petrobras (PETR4)
Fachada de prédio da Petrobras (PETR4). - Imagem: iStock

O investidor que olhar pelo espelho retrovisor da Petrobras (PETR4) vai ver um prejuízo líquido de R$ 17 bilhões no quarto trimestre e o pagamento de R$ 9,1 bilhões em dividendos ordinários anunciados nesta quarta-feira (26). No horizonte da estatal, no entanto, está a perspectiva de produção maior, uma estrutura de capital mais flexível e proventos mais polpudos aos acionistas

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Se o ditado estiver correto — só se sabe para onde vai quando se lembra de onde veio — o investidor terá que se debruçar primeiro sobre a performance da companhia nos últimos três meses de 2024 antes de vislumbrar o que está por vir. 

O prejuízo líquido de R$ 16,962 bilhões da Petrobras entre outubro e dezembro é uma reversão do lucro líquido R$ 31,163 bilhões em relação ao mesmo período do ano anterior. As projeções da Bloomberg indicavam queda de 32,8% do lucro líquido em reais e de -18,5% do lucro líquido em dólares em termos anuais. 

A estatal fechou 2024 com um lucro líquido de R$ 37,009 bilhões, bem abaixo dos R$ 125,166 bilhões de 2023. 

O prejuízo líquido atribuível aos acionistas, por sua vez, foi de R$ 17,044 bilhões no quarto trimestre, revertendo lucro líquido de R$ 31,043 bilhões do mesmo período do ano anterior.

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Com isso, a Petrobras encerra 2024, com um lucro líquido atribuível aos acionistas de R$ 36,606 bilhões, 70,6% abaixo dos R$ 124,606 bilhões de 2023, o segundo maior da história da estatal.

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O prejuízo não foi contemplado pelas projeções do mercado, que esperava uma queda do lucro diante da redução da produção nos últimos três meses de 2024 e dos preços mais baixos do petróleo em relação aos praticados no terceiro trimestre e no mesmo período de 2023. 

  • O petróleo tipo Brent, usado como referência no mercado internacional e também pela Petrobras, foi cotado, em média, a US$ 74,69 entre outubro e dezembro do ano passado — 7% menor na comparação trimestral e 11% mais baixo na comparação anual. A produção da estatal, você pode conferir aqui

A Petrobras, no entanto, explicou as perdas nos últimos três meses do ano, que levaram a um desempenho bem mais fraco em 2024.

"A variação do lucro que reportamos se deve, fundamentalmente, a uma questão de natureza contábil que não afeta nosso caixa: a variação cambial das dívidas entre a Petrobras e suas subsidiárias no exterior", diz a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, em comunicado.

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Segundo a estatal, o resultado do ano também foi impactado pelos efeitos, no segundo trimestre de 2024, da transação tributária que encerrou disputas judiciais de R$ 45 bilhões.

"Esta transação tributária tem repercussão amplamente positiva para a Petrobras sob as perspectivas de mitigação de riscos e de desembolsos de caixa", afirma a executiva.

Expurgando os eventos exclusivos, o lucro líquido do quarto trimestre seria de R$ 17,7 bilhões — abaixo das projeções da Bloomberg de R$ 20,95 bilhões — e de R$ 102,9 bilhões no ano.

Outros números do 4T24

Além da prejuízo da Petrobras no quarto trimestre de 2024, a receita com vendas recuou no período: somou R$ 121,268 bilhões, resultado 9,7% menor do que o obtido em igual intervalo de 2023. 

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Na comparação com o trimestre imediatamente anterior, houve queda de 6,4%. Em 2024, houve baixa de 4,1%, para R$ 490,829 bilhões. 

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês) ajustado encolheu 38,7% ano a ano, para R$ 40,968 bilhões. Em base trimestral, caiu 35,7%.

A estatal encerrou 2024 com Ebitda ajustado de R$ 214,419 bilhões, uma performance 18,2% abaixo da obtida em 2023. 

A Petrobras informou que o fluxo de caixa livre no quarto trimestre atingiu R$ 21,7 bilhões, 45,5% menor do que há um ano e 42,9% abaixo do trimestre imediatamente anterior.

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Já o fluxo de caixa operacional atingiu R$ 47,66 bilhões no período, sendo 17,3% menor do que há um ano e 24% inferior ao do terceiro trimestre de 2024.

A dívida líquida da Petrobras subiu para R$ 52,240 bilhões, um resultado 16,9% maior do que o registrado no quarto trimestre de 2023 e 18,1% maior do que o registrado no terceiro trimestre de 2024.

Já os investimentos da estatal entre outubro e dezembro subiram 61,1% ante o mesmo período de 2023, para R$ 5,731 bilhões. Em 2024, os investimentos somaram R$ 16,621 bilhões, 31,2% acima dos R$ 12,673 bilhões de 2023. 

Para 2025, a tendência é de que a Petrobras tenha um desempenho um pouco mais positivo. 

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Além de preços mais altos do petróleo e um câmbio favorável, analistas consultados pelo Seu Dinheiro enxergam um ano melhor para a estatal na esteira do recente aumento do diesel — uma indicação de que os preços domésticos dos combustíveis não se afastarão muito dos praticados lá fora. 

  • Vale lembrar que, em maio de 2023, a Petrobras acabou com a política de paridade de importação (PPI), que equiparava os preços praticados no mercado internacional ao doméstico, e passou usar referências como o custo alternativo do cliente, o valor a ser priorizado na precificação e o valor marginal para a gasolina e para o diesel.

LULA CAI E BOLSA SOBE: Como a popularidade do presidente mexe com os mercados

Os dividendos da Petrobras

Se o mercado olha para as linhas do balanço em busca do que está no horizonte da Petrobras, os acionistas também dão aquela espiada nos proventos — e eles vieram bem abaixo do esperado e sem a companhia dos dividendos extraordinários.

As projeções colhidas pelo Seu Dinheiro indicavam que a Petrobras distribuiria entre R$ 14,4 bilhões e R$ 17,3 bilhões em dividendos ordinários. A estatal acabou anunciando R$ 9,1 bilhões, ou R$ 0,70954522 por ação ordinária e preferencial em circulação.

  • O montante de R$ 9,1 bilhões é 35,9% menor do que os R$ 14,2 bilhões distribuídos no quarto trimestre de 2023, e 46,8% menor que os R$ 17,12 bilhões pagos no terceiro trimestre de 2024.

A proposta anunciada hoje ainda precisa passar por Assembleia Geral Ordinária (AGO), prevista para o dia 16 de abril de 2025.

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Se houver sinal verde, a remuneração aos acionistas relativa ao exercício de 2024 totalizará R$ 75,8 bilhões, sendo R$ 73,9 bilhões em distribuição de dividendos e juros sobre capital próprio (JCP) e R$ 1,9 bilhão em recompras de ações.

  • Vale lembrar que a distribuição de dividendo proposta está alinhada à política de remuneração aos acionistas vigente, que prevê que, em caso de endividamento bruto igual ou inferior ao nível máximo de endividamento definido no plano estratégico em vigor, a Petrobras deverá distribuir aos seus acionistas 45% do fluxo de caixa livre.

A estatal informou que os proventos serão pagos em duas parcelas nos meses de maio e junho de 2025, da seguinte forma:

  • a primeira parcela, no valor de R$ 0,35477261 por ação ordinária e preferencial em circulação, será paga em 20 de maio de 2025, integralmente sob a forma de dividendos;
  • a segunda parcela, no valor de R$ 0,35477261 por ação ordinária e preferencial em circulação, será paga em 20 de junho de 2025, integralmente sob a forma de dividendos.

A data de corte é o dia 16 de abril de 2025 para os detentores de ações de emissão da Petrobras negociadas na B3 e record date em 22 de abril de 2025 para os detentores de ADRs negociados na New York Stock Exchange (Nyse).

As ações da Petrobras serão negociadas ex-direitos na B3 a partir de 17 de abril de 2025 e passarão por um ajuste na cotação referente aos proventos já alocados.

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Então você pode optar por comprar a ação agora e ter direito aos dividendos ou esperar a data de corte e adquirir os papéis por um valor menor, mas sem o direito ao provento.

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