Petrobras (PETR4) tem prejuízo no trimestre, lucro 70% menor em 2024 e anuncia R$ 9,1 bi em dividendos — os extraordinários não vieram
As perdas não foram contempladas pelas projeções do mercado, que esperava uma queda do lucro nos últimos três meses do ano; saiba o que fez a estatal registrar uma perda bilionária no período
O investidor que olhar pelo espelho retrovisor da Petrobras (PETR4) vai ver um prejuízo líquido de R$ 17 bilhões no quarto trimestre e o pagamento de R$ 9,1 bilhões em dividendos ordinários anunciados nesta quarta-feira (26). No horizonte da estatal, no entanto, está a perspectiva de produção maior, uma estrutura de capital mais flexível e proventos mais polpudos aos acionistas.
Se o ditado estiver correto — só se sabe para onde vai quando se lembra de onde veio — o investidor terá que se debruçar primeiro sobre a performance da companhia nos últimos três meses de 2024 antes de vislumbrar o que está por vir.
O prejuízo líquido de R$ 16,962 bilhões da Petrobras entre outubro e dezembro é uma reversão do lucro líquido R$ 31,163 bilhões em relação ao mesmo período do ano anterior. As projeções da Bloomberg indicavam queda de 32,8% do lucro líquido em reais e de -18,5% do lucro líquido em dólares em termos anuais.
A estatal fechou 2024 com um lucro líquido de R$ 37,009 bilhões, bem abaixo dos R$ 125,166 bilhões de 2023.
O prejuízo líquido atribuível aos acionistas, por sua vez, foi de R$ 17,044 bilhões no quarto trimestre, revertendo lucro líquido de R$ 31,043 bilhões do mesmo período do ano anterior.
Com isso, a Petrobras encerra 2024, com um lucro líquido atribuível aos acionistas de R$ 36,606 bilhões, 70,6% abaixo dos R$ 124,606 bilhões de 2023, o segundo maior da história da estatal.
Leia Também
O prejuízo não foi contemplado pelas projeções do mercado, que esperava uma queda do lucro diante da redução da produção nos últimos três meses de 2024 e dos preços mais baixos do petróleo em relação aos praticados no terceiro trimestre e no mesmo período de 2023.
- O petróleo tipo Brent, usado como referência no mercado internacional e também pela Petrobras, foi cotado, em média, a US$ 74,69 entre outubro e dezembro do ano passado — 7% menor na comparação trimestral e 11% mais baixo na comparação anual. A produção da estatal, você pode conferir aqui.
A Petrobras, no entanto, explicou as perdas nos últimos três meses do ano, que levaram a um desempenho bem mais fraco em 2024.
"A variação do lucro que reportamos se deve, fundamentalmente, a uma questão de natureza contábil que não afeta nosso caixa: a variação cambial das dívidas entre a Petrobras e suas subsidiárias no exterior", diz a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, em comunicado.
Segundo a estatal, o resultado do ano também foi impactado pelos efeitos, no segundo trimestre de 2024, da transação tributária que encerrou disputas judiciais de R$ 45 bilhões.
"Esta transação tributária tem repercussão amplamente positiva para a Petrobras sob as perspectivas de mitigação de riscos e de desembolsos de caixa", afirma a executiva.
Expurgando os eventos exclusivos, o lucro líquido do quarto trimestre seria de R$ 17,7 bilhões — abaixo das projeções da Bloomberg de R$ 20,95 bilhões — e de R$ 102,9 bilhões no ano.
Outros números do 4T24
Além da prejuízo da Petrobras no quarto trimestre de 2024, a receita com vendas recuou no período: somou R$ 121,268 bilhões, resultado 9,7% menor do que o obtido em igual intervalo de 2023.
Na comparação com o trimestre imediatamente anterior, houve queda de 6,4%. Em 2024, houve baixa de 4,1%, para R$ 490,829 bilhões.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês) ajustado encolheu 38,7% ano a ano, para R$ 40,968 bilhões. Em base trimestral, caiu 35,7%.
A estatal encerrou 2024 com Ebitda ajustado de R$ 214,419 bilhões, uma performance 18,2% abaixo da obtida em 2023.
A Petrobras informou que o fluxo de caixa livre no quarto trimestre atingiu R$ 21,7 bilhões, 45,5% menor do que há um ano e 42,9% abaixo do trimestre imediatamente anterior.
Já o fluxo de caixa operacional atingiu R$ 47,66 bilhões no período, sendo 17,3% menor do que há um ano e 24% inferior ao do terceiro trimestre de 2024.
A dívida líquida da Petrobras subiu para R$ 52,240 bilhões, um resultado 16,9% maior do que o registrado no quarto trimestre de 2023 e 18,1% maior do que o registrado no terceiro trimestre de 2024.
Já os investimentos da estatal entre outubro e dezembro subiram 61,1% ante o mesmo período de 2023, para R$ 5,731 bilhões. Em 2024, os investimentos somaram R$ 16,621 bilhões, 31,2% acima dos R$ 12,673 bilhões de 2023.
Para 2025, a tendência é de que a Petrobras tenha um desempenho um pouco mais positivo.
Além de preços mais altos do petróleo e um câmbio favorável, analistas consultados pelo Seu Dinheiro enxergam um ano melhor para a estatal na esteira do recente aumento do diesel — uma indicação de que os preços domésticos dos combustíveis não se afastarão muito dos praticados lá fora.
- Vale lembrar que, em maio de 2023, a Petrobras acabou com a política de paridade de importação (PPI), que equiparava os preços praticados no mercado internacional ao doméstico, e passou usar referências como o custo alternativo do cliente, o valor a ser priorizado na precificação e o valor marginal para a gasolina e para o diesel.
LULA CAI E BOLSA SOBE: Como a popularidade do presidente mexe com os mercados
Os dividendos da Petrobras
Se o mercado olha para as linhas do balanço em busca do que está no horizonte da Petrobras, os acionistas também dão aquela espiada nos proventos — e eles vieram bem abaixo do esperado e sem a companhia dos dividendos extraordinários.
As projeções colhidas pelo Seu Dinheiro indicavam que a Petrobras distribuiria entre R$ 14,4 bilhões e R$ 17,3 bilhões em dividendos ordinários. A estatal acabou anunciando R$ 9,1 bilhões, ou R$ 0,70954522 por ação ordinária e preferencial em circulação.
- O montante de R$ 9,1 bilhões é 35,9% menor do que os R$ 14,2 bilhões distribuídos no quarto trimestre de 2023, e 46,8% menor que os R$ 17,12 bilhões pagos no terceiro trimestre de 2024.
A proposta anunciada hoje ainda precisa passar por Assembleia Geral Ordinária (AGO), prevista para o dia 16 de abril de 2025.
Se houver sinal verde, a remuneração aos acionistas relativa ao exercício de 2024 totalizará R$ 75,8 bilhões, sendo R$ 73,9 bilhões em distribuição de dividendos e juros sobre capital próprio (JCP) e R$ 1,9 bilhão em recompras de ações.
- Vale lembrar que a distribuição de dividendo proposta está alinhada à política de remuneração aos acionistas vigente, que prevê que, em caso de endividamento bruto igual ou inferior ao nível máximo de endividamento definido no plano estratégico em vigor, a Petrobras deverá distribuir aos seus acionistas 45% do fluxo de caixa livre.
A estatal informou que os proventos serão pagos em duas parcelas nos meses de maio e junho de 2025, da seguinte forma:
- a primeira parcela, no valor de R$ 0,35477261 por ação ordinária e preferencial em circulação, será paga em 20 de maio de 2025, integralmente sob a forma de dividendos;
- a segunda parcela, no valor de R$ 0,35477261 por ação ordinária e preferencial em circulação, será paga em 20 de junho de 2025, integralmente sob a forma de dividendos.
A data de corte é o dia 16 de abril de 2025 para os detentores de ações de emissão da Petrobras negociadas na B3 e record date em 22 de abril de 2025 para os detentores de ADRs negociados na New York Stock Exchange (Nyse).
As ações da Petrobras serão negociadas ex-direitos na B3 a partir de 17 de abril de 2025 e passarão por um ajuste na cotação referente aos proventos já alocados.
Então você pode optar por comprar a ação agora e ter direito aos dividendos ou esperar a data de corte e adquirir os papéis por um valor menor, mas sem o direito ao provento.
Ressarcimento pelos CDBs do Banco Master fica para 2026
Mais de um mês depois de liquidação extrajudicial do Banco Master, lista de credores ainda não está pronta.
Cosan (CSNA3): Bradesco BBI e BTG Pactual adquirem fatia da Compass por R$ 4 bilhões, o que melhora endividamento da holding
A operação substitui e renegocia condições financeiras da estrutura celebrada entre a companhia e o Bradesco BBI em 2022
Petz e Cobasi: como a fusão das gigantes abre uma janela de oportunidade para pet shops de bairro
A união das gigantes resultará em uma nova empresa com poder de negociação e escala de compra, mas nem tudo está perdido para os pequenos e médios negócios do setor, segundo especialistas
Casas Bahia aprova aumento de capital próprio de cerca de R$ 1 bilhão após reestruturar dívida
Desde 2023, a Casas Bahia vem passando por um processo de reestruturação que busca reduzir o peso da dívida — uma das principais pedras no sapato do varejo em um ambiente de juros elevados
Oi (OIBR3) não morreu, mas foi quase: a cronologia de um dos maiores desastres da bolsa em 2025
A reversão da falência evitou o adeus definitivo da Oi à bolsa, mas não poupou os investidores: em um ano marcado por decisões judiciais inéditas e crise de governança, as ações estão entre as maiores quedas de 2025
Cogna (COGN3), Cury (CURY3), Axia (AXIA3) e mais: o que levou as 10 ações mais valorizadas do Ibovespa em 2025 a ganhos de mais de 80%
Com alta de mais de 30% no Ibovespa no ano, há alguns papéis que cintilam ainda mais forte. Entre eles, estão empresas de educação, construção e energia
R$ 90 bilhões em dividendos, JCP e mais: quase 60 empresas fazem chover proventos às vésperas da taxação
Um levantamento do Seu Dinheiro mostrou que 56 empresas anunciaram algum tipo de provento para os investidores com a tributação batendo à porta. No total, foram R$ 91,82 bilhões anunciados desde o dia 1 deste mês até esta data
Braskem (BRKM5) é rebaixada mais uma vez: entenda a decisão da Fitch de cortar o rating da companhia para CC
Na avaliação da Fitch, a Braskem precisa manter o acesso a financiamento por meio de bancos ou mercados de capitais para evitar uma reestruturação
S&P retira ratings de crédito do BRB (BSLI3) em meio a incertezas sobre investigação do Banco Master
Movimento foi feito a pedido da própria instituição e se segue a outros rebaixamentos e retiradas de notas de crédito de agências de classificação de risco
Correios precisam de R$ 20 bilhões para fechar as contas, mas ainda faltam R$ 8 bilhões — e valor pode vir do Tesouro
Estatal assinou contrato de empréstimo de R$ 12 bilhões com cinco bancos, mas nova captação ainda não está em negociação, disse o presidente
Moura Dubeux (MDNE3) anuncia R$ 351 milhões em dividendos com pagamento em sete parcelas; veja como receber
Cerca de R$ 59 milhões serão pagos como dividendos intermediários e mais R$ 292 milhões serão distribuídos a título de dividendos intercalares
Tupy (TUPY3) convoca assembleia para discutir eleição de membros do Conselho em meio a críticas à indicação de ministro de Lula
Assembleia Geral Extraordinária debaterá mudanças no Estatuto Social da Tupy e eleição de membros dos conselhos de administração e fiscal
Fundadora da Rede Mulher Empreendedora, Ana Fontes já impactou mais de 15 milhões de pessoas — e agora quer conceder crédito
Rede Mulher Empreendedora (RME) completou 15 anos de atuação em 2025
Localiza (RENT3) e outras empresas anunciam aumento de capital e bonificação em ações, mas locadora lança mão de ações PN temporárias
Medidas antecipam retorno aos acionistas antes de entrada em vigor da tributação sobre dividendos; Localiza opta por caminho semelhante ao da Axia Energia, ex-Eletrobras
CVM inicia julgamento de ex-diretor do IRB (IRBR3) por rumor sobre investimento da Berkshire Hathaway
Processo surgiu a partir da divulgação da falsa informação de que empresa de Warren Buffett deteria participação na resseguradora após revelação de fraude no balanço
Caso Banco Master: Banco Central responde ao TCU sobre questionamento que aponta ‘precipitação’ em liquidar instituição
Tribunal havia dado 72 horas para a autarquia se manifestar por ter optado por intervenção em vez de soluções de mercado para o banco de Daniel Vorcaro
Com carne cara e maior produção, 2026 será o ano do frango, diz Santander; veja o que isso significa para as ações da JBS (JBSS32) e MBRF (MBRF3)
A oferta de frango está prestes a crescer, e o preço elevado da carne bovina impulsiona as vendas da ave
Smart Fit (SMFT3) lucrou 40% em 2025, e pode ir além em 2026; entenda a recomendação de compra do Itaú BBA
Itaú BBA vê geração de caixa elevada, controle de custos e potencial de crescimento em 2026; preço-alvo para SMFT3 é de R$ 33
CSN (CSNA3) terá modernização de usina em Volta Redonda ‘reembolsada’ pelo BNDES com linha de crédito de R$ 1,13 bilhão
Banco de fomento anunciou a aprovação de um empréstimo para a siderúrgica, que pagará por adequações feitas em fábrica da cidade fluminense
De dividendos a ações resgatáveis: as estratégias das empresas para driblar a tributação são seguras e legais?
Formatos criativos de remuneração ao acionista ganham força para 2026, mas podem entrar na mira tributária do governo