Parceria do Mercado Livre (MELI) com Casas Bahia (BHIA3) é boa para ambos – mas há um perdedor claro nessa jogada
A parceria combina a força da Casas Bahia em bens duráveis com o amplo alcance do Meli, mas Magalu pode sofrer

O acordo anunciado hoje (23) entre a Casas Bahia (BHIA3) e o Mercado Livre (MELI), para venda de eletrodomésticos, eletrônicos e móveis dentro da plataforma do gigante do marketplace, é claramente positiva para a empresa brasileira.
A Casas Bahia (BHIA3) está em alta de 6,67% por volta do meio dia. Mais cedo, o papel chegou a saltar 15%.
E o timing não poderia ser melhor: a parceria foi firmada um mês antes da Black Friday e antes da Copa do Mundo de futebol em 2026, que costuma impulsionar vendas de televisões.
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Mas há um perdedor - o rival Magazine Luiza deve enfrentar ainda mais pressão em suas operações.
Qual a vantagem para a Casas Bahia
A parceria é de ganha-ganha, ao combinar a força da Casas Bahia em bens duráveis com o amplo alcance do Meli e com seu marketplace bem estabelecido, diz o Santander em relatório.
A empresa brasileira também ganha com escala ao acessar a gigantesca base de clientes da parceira - o Mercado Livre teve 70,8 milhões de usuários únicos no último trimestre em todos os países em que atua.
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Dá até para esperar mais promoções. Com a escala, ela também pode ter mais poder de barganha com seus fornecedores. “Devemos ver, também, níveis promocionais mais agressivos nestas categorias, a fim de capturar clientes”, diz a Ativa Research.
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Velocidade de vendas pode aumentar. “Além de ampliar o alcance digital, o acordo reduz a dependência do canal próprio e melhora o giro de estoques em categorias core, podendo gerar ganhos logísticos e de tráfego no curto prazo”, afirma a Genial sobre a Casas Bahia.
O que o Mercado Livre ganha
Para o Mercado Livre, empresa mais valiosa da América Latina, a parceria tem menos impacto. A ação MELI está praticamente estável hoje, com alta de 0,26%.
Afinal, se o valor total de vendas (GMV) da Casas Bahia no segundo trimestre deste ano foi de R$ 10,46 bilhões, no Mercado Livre esse total foi de US$ 15,3 bilhões, ou R$ 82,37 bilhões - quase oito vezes mais.
Mesmo assim, há vantagens. Para o JP Morgan, a parceria reforça a posição do Meli em bens duráveis e no segmento de eletrodomésticos e eletrônicos, um setor com uma logística complicada e que não é o foco da empresa.
Além disso, como são bens com tíquete mais alto e que normalmente são financiados, a união pode ajudar a impulsionar a oferta de crédito por meio do Mercado Pago, diz o banco.
Quem mais perde nessa história
Se de um lado estão os vencedores, do outro, está o perdedor: Magazine Luiza deve enfrentar mais pressão com a concorrência.
A rival está em queda na bolsa. Magazine Luiza (MGLU3) é a maior baixa do Ibovespa nesta manhã, com queda de 5,4% por volta das 12h.
"O anúncio coloca o maior competidor do Magazine Luiza nas categorias de 1P ao lado da plataforma líder de e-commerce no Brasil, aumentando o alcance da Casas Bahia entre os consumidores brasileiros e aumentando a pressão competitiva no segmento", escreve o JP Morgan em relatório.
Essa também é a visão do Santander: "Acreditamos que o Magazine Luiza deve sentir mais pressão em suas vendas de 1P, dada a força combinada da parceria anunciada hoje".
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