Nem Samba, nem Gazelle: como a Adidas se livrou de Kanye West de vez e saiu do prejuízo para o lucro no 4T24
Depois de travar uma batalha judicial contra o rapper norte-americano e colocar fim a uma das parceiras de maior sucesso no mundo da moda, a Adidas dá a volta por cima; entenda essa história

A Adidas fechou o ano com resultados ainda melhores do que o esperado. No espaço de um ano, a fabricante de artigos esportivos alemã reverteu um prejuízo de 337 milhões de euros para um lucro operacional de 57 milhões de euros no quarto trimestre de 2024. Essa volta por cima foi possível porque a empresa “se livrou” das últimas sobras de estoque da coleção com Kanye West.
Para quem não se lembra, a Adidas e o rapper norte-americano agora conhecido como Ye travaram uma batalha na justiça depois que a marca alemã decidiu, em outubro de 2022, encerrar a parceria lucrativa na esteira de comentários antissemitas do artista.
A collab era considerada uma das mais bem sucedidas do mundo da moda e, com o fim, deixou a Adidas com um estoque avaliado em 1,2 bilhão de euros em vendas (R$ 7,6 bilhões no câmbio atual).
Em vez de destruí-los, a fabricante resolveu comercializar os produtos em lotes e doar parte dos lucros a associações que lutam contra o racismo e o antissemitismo.
Obrigado, Samba? 2024 confirmou o sucesso do nome ‘Adidas’
Desde que assumiu o cargo de CEO em 2023, Bjorn Gulden tem feito esforços para distanciar a imagem da marca da coleção Yeezy.
Nesse sentido, o hype da “santíssima trindade” Samba, Gazelle e Spezial entre as celebridades e nas redes sociais tem sido muito bem-vindo.
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As vendas nos Estados Unidos — onde a coleção com Ye tinha muita força comercial — ainda tiveram uma queda de 1,6% em 2024.
No entanto, no panorama geral, a empresa alemã teve vendas 12% maiores no ano passado. A cifra foi de 23,7 bilhões de euros, considerando taxas de câmbio constantes, 200 milhões acima das projeções.
O lucro operacional totalizou 1,34 bilhões de euros, contra os 1,27 bilhões de euros anteriormente projetados.
Os números foram maiores que o guidance da companhia, que já tinha sido elevado em outubro.
"Embora ainda não estejamos onde queremos estar a longo prazo, foi um ano de muito sucesso que confirmou a força da marca Adidas, o potencial da nossa empresa e o trabalho fantástico que nossas equipes estão realizando”, declarou Gulden em comunicado desta quarta-feira (5).
Tarifas de Trump podem estragar 2025 para a empresa alemã?
Para 2025, o CEO da Adidas considera que a empresa está em “boas condições”, apesar da incerteza que ronda o cenário macroeconômico global.
As projeções para o ano são aumentar as vendas entre 5% e 9% e ter lucro operacional entre 1,7 bilhão de euros e 1,8 bilhão de euros, considerando taxas de câmbio neutras.
No entanto, as tarifas impostas por Donald Trump a produtos importados podem ser uma “pedra no sapato” para a fabricante alemã.
Além da tributação já imposta a alguns parceiros comerciais, como China e México, o presidente norte-americano também ameaçou taxar o Vietnã, que é onde está a maior parte da manufatura da Adidas.
"Entrando em 2025, com toda a volatilidade, não sabemos o que vai acontecer com as tarifas nos EUA, não temos ideia do que a inflação pode causar, então é claro que é bom sermos cautelosos", declarou Gulden.
A Adidas tem ganhado cada vez mais espaço no mercado norte-americano, complicando a vida da Nike.
No entanto, novas entrantes, como On, Hoka e New Balance, também trouxeram mais concorrência ao mercado global de roupas esportivas, competindo acirradamente por espaço nos guarda-roupas dos consumidores.
Visando conquistar um novo público, de alto poder aquisitivo, a Adidas anunciou recentemente o lançamento de uma linha de produtos de luxo.
* Com informações da CNBC e da Reuters.
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