Equatorial (EQTL3): Por que a venda da divisão de transmissão pode representar uma virada de jogo em termos de dividendos — e o que fazer com as ações
Bancões enxergam a redução do endividamento como principal ponto positivo da venda; veja o que fazer com as ações EQTL3

Na noite da última sexta-feira (07), a Equatorial (EQTL3) anunciou a venda de sua subsidiária de transmissão para a Infraestrutura e Energia Brasil S.A — controlada por uma das maiores gestoras de fundo do Canadá, a CDPQ. O valor total da operação é de R$ 9,395 bilhões.
O valor patrimonial dos ativos foi estimado em até R$ 5,19 bilhões, com base no fechamento do primeiro semestre. Já a dívida líquida somava R$ 2,86 bilhões em dezembro de 2024.
Para os analistas, a venda é vista como bastante positiva, principalmente porque melhora a saúde financeira da companhia, reduzindo o endividamento — e abre espaço para dividendos mais gordos no futuro.
Cabe destacar que o endividamento da companhia vinha preocupando os analistas, dado o ciclo de alta da Selic.
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Na visão do JP Morgan, a alavancagem será reduzida de 3,2 vezes Ebitda (Lucros antes dos juros, tributos, depreciação e amortização) para 2,9 vezes. Ou seja, passará a equivaler 2,9 anos do Ebitida atual da empresa. Se considerados passivos fora do balanço e provisões contábeis, esse índice sobe para 3,7 vezes.
O BTG Pactual também enxerga melhora nos níveis de endividamento da empresa com a transação: “a venda reduz a alavancagem da Equatorial em 0,45 vezes Ebitda”, destaca em relatório.
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Para os analistas do banco, a Equatorial vendeu suas linhas de transmissão por um prêmio de até 150 pontos acima do retorno de títulos públicos indexados à inflação (NTNBs) — o que reforça como esse tipo de ativo pode ser usado como "reserva estratégica" pelas empresas para gerar liquidez mesmo em tempos difíceis.
“A transação foi fechada por 8 vezes o Ebitida, o que é um múltiplo saudável para o setor”, afirma o banco.
O Santander aponta que “o negócio ajuda a reduzir a alavancagem da Equatorial em 0,45x EBITDA, em um ciclo de juros significativamente alto e um período de necessidade de capex de distribuição”.
O Itaú BBA também avalia a venda como positiva, já que não apenas auxilia a trajetória de desalavancagem, como também reforça o plano estratégico da Equatorial — que envolve buscar investimentos em janelas oportunas, com retornos atrativos, ao mesmo tempo em que mantém um balanço sólido para aproveitar oportunidades futuras de alocação de capital.
Fora isso, o BBA espera que a empresa não precise pagar impostos sobre ganho de capital com a estrutura de desinvestimento adotada.
Por volta das 12h desta segunda-feira (07), as ações EQTL3 caem 0,36%, em meio ao temor generalizado nos mercados. Acompanhe aqui a nossa cobertura.
O que fazer com as ações de Equatorial (EQTL3)?
Sobre o que fazer com a ação, os bancões são unânimes: é hora de comprar!
O BBA ressalta que a taxa interna de retorno (TIR) real — ou seja, acima da inflação — é atrativa se comparada com os títulos públicos brasileiros. “Vemos as ações sendo negociadas com uma TIR de 12%, em comparação aos 7,5% oferecidos pelos títulos públicos brasileiros.
O JP Morgan, inclusive, destaca a ação como uma das preferidas do setor e elenca os motivos:
- Exposição atrativa ao segmento de distribuição, que vem crescendo rapidamente (mais de 90% do valor patrimonial líquido da empresa após a venda, incluindo o negócio de distribuição de água) — sendo esse o nosso segmento favorito dentro do setor;
- Possibilidade de crescimento no setor de saneamento, com a participação de 15% na Sabesp e chances de outras aquisições no futuro;
- Retorno atrativo, combinado com potencial de valorização em um cenário de queda de juros — a ação está sendo negociada com um prêmio de risco de 500 pontos-base e tem fluxo de caixa projetado por mais de 10 anos;
O BTG Pactual também coloca as ações entre as Top Picks. “Com uma Taxa Interna de Retorno (TIR) real acima de 11%, um excelente histórico de alocação de capital, proteção contra a inflação e exposição a taxas de longo prazo em queda, ela se encaixa em todos os portfólios”, escreve o time de analistas do banco liderados por Bruno Henriques.
O Santander segue na mesma direção. “Mantemos nossa classificação de Outperform [equivalente a compra], pois vemos as ações sendo negociadas a uma TIR real pós-negócio atrativa de 13,0%”.
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