Em mais uma etapa da reestruturação financeira, Azul (AZUL4) aprova aumento de capital em até R$ 6,1 bilhões – mercado reage e ação cai
Conselho de administração da Azul aprova aumento de capital da companhia em até R$ 6,1 bilhões; ação fica entre maiores quedas do Ibovespa nesta manhã (5)

Há quem goste de cinema e possa definir os últimos passos da Azul (AZUL4) como uma verdadeira jornada do herói – ainda bem longe de chegar ao fim, é verdade, mas um pouco mais próxima de atravessar a etapa da “provação”.
Depois de anunciar a conclusão do processo de reestruturação das dívidas com seus credores, no final de janeiro, a Azul anunciou que seu conselho de administração aprovou o aumento de capital da companhia em até R$ 6,1 bilhões. O comunicado foi enviado ao mercado na última terça-feira (4), após o fechamento.
A operação se deve aos acordos firmados entre a Azul e determinados arrendadores e fornecedores de equipamentos que detêm parcela das obrigações de arrendamentos pendentes.
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Os investidores, no entanto, parecem não ter se animado tanto com a notícia. Às 11h desta manhã, as ações AZUL4 caem 2,64% na bolsa e figuram entre as maiores baixas do Ibovespa (a R$ 4,06).
A reação provavelmente se deve ao fato de que um aumento de capital de tamanho volume deve ocasionar uma grande diluição dos acionistas minoritários.
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Além disso, representa uma pressão vendedora para o papel, pois os credores que forem pagos em ações da Azul possivelmente vão querer se desfazer deles rapidamente na bolsa.
Ainda assim, no que vai do ano, os papéis da companhia de aviação acumulam uma alta de 12,09% na B3.
O aumento de capital da Azul ocorrerá por meio da aquisição privada de novas ações preferenciais, no valor de, no mínimo, R$ 1,5 bilhão e, no máximo, R$ 6,1 bilhões. Serão emitidas, ao menos, 47 milhões (47.033.273) de ações e, no máximo, 191 milhões (191.101.066) de ações, ao preço de R$ 32,08 cada.
Essa é mais uma etapa do processo de reestruturação financeira vivido pela Azul, sendo que, de acordo com o comunicado, “a realização do aumento de capital visa o fortalecimento do caixa da empresa, contribuindo para a organização de seus passivos”.
Entenda o processo concluído pela Azul (AZUL4) em janeiro
O processo de reestruturação de dívidas, concluído pela Azul no final de janeiro, abrangeu a eliminação de cerca de US$ 1,6 bilhão em dívidas do balanço patrimonial.
O valor inclui a conversão de aproximadamente US$ 557 milhões em obrigações relacionadas a ações de arrendadores e fabricantes em novas ações preferenciais da Azul (AZUL4), com emissão prevista para o primeiro trimestre de 2025 (conforme o aumento de capital que acaba de ser aprovado).
A companhia também trocou US$ 243,6 milhões em notas existentes por novos acordos comerciais e fez ajustes nos prazos de vencimento de outras dívidas, com a inclusão de juros incorporados ao principal.
Com a conclusão do processo, a Azul também levantou US$ 525 milhões por meio da emissão das Notas Superprioritárias, que incluem uma opção de pagamento de juros em dinheiro ou com a inclusão dos mesmos no valor principal.
O financiamento foi crucial para a reestruturação da dívida da empresa e para garantir uma maior flexibilidade financeira no futuro, de acordo com comunicado divulgado pela Azul.
Com a reestruturação, a Azul conseguiu melhorar sua estrutura de capital e reduziu sua alavancagem dos últimos 12 meses, passando de 4,8x para 3,4x, com base nos números do terceiro trimestre de 2024.
Além disso, no começo do ano, a Azul e a Gol (GOLL4) firmaram acordo com a Advocacia-Geral da União (AGU) para regularizar dívidas previdenciárias e fiscais no valor de cerca de R$ 7,5 bilhões, somando as duas empresas – sendo R$ 5 bilhões relativos à Gol.
Voo conjunto?
E por falar na concorrente… vale lembrar que outro assunto sobrevoa por esse universo da Azul (AZUL4): uma possível fusão com a Gol, controlada pela Abra.
Em meados de janeiro, as duas companhias assinaram um Memorando de Entendimentos Não Vinculante (MoU) para avaliar uma combinação entre os negócios.
O documento estabelece os entendimentos entre as partes sobre a governança da futura empresa resultante dessa operação e reforça o compromisso das companhias em seguir com as negociações relacionadas à proposta de troca de ações e outras condições da transação.
Caso a fusão seja concretizada, Azul e Gol manterão suas certificações operacionais separadas, mas estarão sob uma única entidade listada. O objetivo é combinar outras áreas para ampliar as ofertas e produtos aos clientes, além de gerar sinergias e melhorar a eficiência.
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Juntas, as duas companhias teriam uma participação aproximada de 60% no mercado nacional, superando os 40% da rival Latam, de acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
Além disso, Azul e Gol juntas valem mais de R$ 2 bilhões na bolsa brasileira.
"As melhorias nas ofertas aos clientes e as eficiências geradas por esta operação permitirão que a entidade resultante continue crescendo e desenvolvendo a aviação no Brasil, através de uma malha que serve o maior número de destinos no Brasil, apoiada por uma frota flexível, com foco na excelência de atendimento", afirmou a Azul em comunicado.
De qualquer forma, a conclusão da fusão depende de uma aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). À imprensa, um ex-conselheiro chegou a destacar uma possível dificuldade para essa aprovação.
“O problema é que elas vão acabar com a concorrência, as passagens vão ficar mais caras e ainda não se tem ideia do impacto que o negócio terá no mercado”, afirmou Cleveland Prates.
Já o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, veio à público falar a favor da operação. Ele afirmou que o governo não acredita que haverá aumento no preço das passagens aéreas se for confirmada a fusão entre as companhias.
“Eu tenho muita confiança que não haverá aumento de passagem. Pelo contrário, a gente vai ter o fortalecimento da aviação regional, a gente vai ter economicidade em muitos voos”, disse o ministro em conversa com jornalistas em Foz do Iguaçu (PR).
*Com informações do Money Times.
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