Santander (SANB11) frustra expectativas com lucro de R$ 3,6 bilhões no 2T25 e rentabilidade sob pressão; veja os destaques do balanço
A rentabilidade média do Santander alcançou 16,9% no período, levemente acima das projeções, mas aquém do patamar registrado no 1T25; confira os destaques

O Santander Brasil (SANB11) registrou um lucro líquido gerencial de R$ 3,659 bilhões no segundo trimestre de 2025 (2T25).
Esse número representa um crescimento de 9,8% em comparação com o mesmo período do ano passado, mas uma queda de 5,2% frente ao primeiro trimestre de 2025.
A cifra também ficou abaixo das expectativas do mercado, que aguardava um lucro médio de R$ 3,819 bilhões, conforme as estimativas compiladas pela Bloomberg.
No primeiro semestre como um todo, o lucro líquido gerencial chegou a R$ 7,5 bilhões, avanço de 18,4% em relação ao ano anterior.
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A rentabilidade também seguiu uma trajetória de declínio sequencial. O retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE, na sigla em inglês) alcançou 16,4% no trimestre. No semestre, o ROAE chegou a 16,9%.
A cifra de abril a junho representa um recuo de 1,1 ponto percentual em relação ao patamar de 17,4% registrado no 1T25, mas ainda veio levemente acima da média das projeções, que indicavam 16,3%.
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Apesar da retração sequencial, o ROE trimestral do Santander também continuou a superar o custo de capital do banco, estimado em 15,6%.
Importante lembrar que a divisão brasileira do banco espanhol vem trabalhando na recuperação da rentabilidade desde o fim de 2022, quando o banco registrou sua pior fase, com um ROE de 8,3%, após os efeitos do calote provocado pela fraude contábil bilionária da Americanas (AMER3).
Outras linhas do balanço do Santander (SANB11) no 2T25
O Santander (SANB11) também enfrentou pressão sobre a sua margem financeira bruta — o indicador que reflete a receita com crédito menos os custos de captação — devido aos custos de financiamento mais altos.
O indicador subiu 4,4% em relação aos últimos 12 meses, mas caiu 3,3% frente ao último trimestre, para R$ 15,396 bilhões.
Enquanto isso, a margem financeira com o mercado — indicador que reflete a remuneração do banco com as operações de tesouraria — foi negativa em R$ 730 milhões no trimestre, impactada pelo aumento de juros no Brasil e por menores resultados de tesouraria.
Antes da publicação do balanço, o Safra já havia alertado que a volta do indicador para o campo negativo seria um dos principais pontos de preocupação para o trimestre.
Apesar disso, a melhoria na margem financeira com clientes conseguiu mitigar parcialmente o impacto negativo e mostrou uma evolução de 11,3% na base anual, fechando o 2T25 a R$ 16,127 bilhões, ajudada pela disciplina de preços.
Enquanto isso, a carteira de crédito ampliada do banco cresceu 1,5% em comparação com o mesmo período de 2024, mas recuou 1% na base trimestral, para R$ 675,5 bilhões.
"No crédito, seguimos com forte disciplina na alocação de capital, priorizando linhas de maior rentabilidade e boa qualidade de ativos, enquanto que, em passivos, continuamos focados na mudança do mix de captações com maior representatividade da pessoa física. Essa disciplina aliada à gestão ativa de preços, resultou em expansão do nosso spread e boa evolução das receitas no período", afirmou Mario Leão, CEO do Santander Brasil.
Segundo o banco, o resultado foi impulsionado positivamente pelo financiamento ao consumo, cartão de crédito e pelo crédito corporativo (PMEs).
Contudo, vale destacar que, na comparação trimestral, o Santander sofreu efeito pontual por uma redução do portfólio de risco sacado, dadas as discussões quanto à incidência do IOF, pela queda no segmento de Pessoas Físicas e pelo impacto da variação cambial.
Santander sofre com maiores provisões
Nos níveis de inadimplência (NPLs), o Santander apresentou estabilidade no índice de devedores acima de 90 dias, com leve queda de 0,05 ponto percentual na comparação anual e de 0,2 p.p. no trimestre, atingindo 3,1%.
O CEO do Santander afirma que os índices de inadimplência seguem "desafiados pelo ambiente macroeconômico", porém já apresentando melhora no trimestre devido à política mais rigorosa de renegociações.
Enquanto isso, as provisões para devedores duvidosos (PDD) cresceram 16,3% no comparativo anual e 7,4% frente ao primeiro trimestre, totalizando R$ 6,862 bilhões em perdas previstas no crédito ao fim do segundo trimestre.
No primeiro semestre, as despesas do Santander com provisões cresceram 11% em relação ao mesmo período de 2024, a R$ 13,252 bilhões.
O banco atribui o maior provisionamento aos impactos da implementação da resolução 4.966 do Banco Central, às taxas de juros mais elevadas ao longo de 2025 ao aumento do endividamento das famílias e pressão sobre a capacidade de pagamento de juros das empresas.
Receitas e despesas
Outro ponto relevante no balanço do Santander (SANB11) foi o desempenho das receitas operacionais.
As comissões geraram ao banco um total de R$ 5,204 bilhões, representando um avanço de 0,4% em relação ao mesmo período do ano passado. A expansão foi impulsionada por maiores receitas nas linhas de cartões, serviços de conta-corrente e consórcios.
O controle de custos também se manteve como uma prioridade ao longo do trimestre. Embora tenham subido 1,5% na comparação anual, as despesas gerais recuaram 2,5% na base trimestral, encerrando o período em R$ 6,412 bilhões.
Segundo o Santander, o desempenho foi reflexo de menores despesas de pessoal devido às eficiências geradas através da otimização do parque de lojas.
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