Agro sustentável: é preciso ‘tropicalizar’ as metodologias para um futuro de baixo carbono, diz especialista
Conselheiro da Associação Brasileira do Agronegócio destaca potencial do Brasil e aponta desafios da monetização para produtores e investidores atentos à transição verde

No cenário global de transição para uma economia de baixo carbono, o agronegócio brasileiro desponta como uma das grandes oportunidades para investidores atentos às transformações sustentáveis.
Contudo, é preciso adaptar as metodologias de baixo carbono às variações climáticas, biomas e atividades econômicas típicas da região tropical brasileira, segundo Eduardo Bastos, conselheiro da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG).
Durante o evento Futuro Regenerativo: o Agro como Solução Climática, promovido pelo portal Reset, Bastos destacou o fortalecimento das cadeias produtivas e os ganhos financeiros com créditos de carbono e acesso a mercados premium, que pagam um valor maior para produtos ambientalmente sustentáveis.
- VEJA TAMBÉM: Conheça o Guia do Imposto de Renda 2025, do Seu Dinheiro, e veja uma forma descomplicada de fazer a sua declaração
Ele ressaltou que o Brasil já possui histórico sólido de adaptação no campo ao enfrentar, por exemplo, solos pobres em nutrientes, períodos de seca severa, excesso de chuvas em determinadas regiões e até a necessidade de desenvolver cultivos em áreas que antes eram consideradas marginais para a produção agrícola.
Essa adaptabilidade, segundo Bastos, facilita a adoção de práticas sustentáveis. Para investidores, isso significa que há um terreno fértil para explorar oportunidades que vão além da produção agrícola.
Avanços e barreiras no mercado de carbono
Segundo Bastos, um número crescente de produtores rurais está adotando técnicas regenerativas, como a diversificação de culturas e o uso de mix de sementes para cobertura do solo.
Leia Também
“Cada ponto de carbono que colocamos no solo é uma caixinha de água a mais”, destacou, enfatizando que a matéria orgânica adicional contribui para maior resiliência climática e produtividade sustentável.
Apesar das oportunidades, Bastos reconhece que ainda existem desafios importantes, como a necessidade de maior regulação, incentivo tributário e aprimoramento das metodologias de verificação para a geração de créditos de carbono.
“O mundo desenvolveu o mercado de carbono com foco em energia, e não em agropecuária. Precisamos tropicalizar as metodologias”, alertou.
Em outras palavras, é preciso adaptar e aplicar métodos de redução de emissões e sequestro de carbono ao contexto brasileiro, considerando as particularidades locais. Isso envolve adaptar modelos, ferramentas e práticas que podem ser universalmente aplicáveis para otimizar sua eficácia e relevância dentro do contexto tropical.
Um exemplo mencionado pelo especialista diz respeito à metodologia que mede carbono até 30 cm de profundidade. Esse parâmetro, segundo Bastos, não captura adequadamente a dinâmica dos solos tropicais, que podem armazenar carbono em camadas mais profundas. Isso gera subestimação do potencial de sequestro de carbono da agricultura tropical regenerativa.
Monetização demanda esforços de todos os elos da cadeia produtiva
A monetização efetiva passa pela criação de estoques confiáveis de carbono e por melhorias na medição e reporte das emissões evitadas ou sequestradas. Nesse contexto, o diálogo entre todos os elos da cadeia é fundamental para reduzir conflitos e facilitar o fluxo de recursos.
"No setor de alimentos, por exemplo, 90% das emissões vêm do escopo 3 [emissões indiretas que acontecem em atividades não controladas pela empresa dentro de sua cadeia de valor]. Não existe fazer produto carbono zero sem conversar com a ponta", concluiu.
Ele também apontou a importância de uma linguagem comum entre produtores e investidores, defendendo que o setor financeiro deve ser “a ponta de lança para garantir que as coisas aconteçam na velocidade de que precisamos”.
Como ressaltou Bastos, apesar de o acesso ao crédito sustentável ainda envolver juros relativamente altos — como no caso do Renova Agro, com taxas de 8% ao ano —, a tendência é que a ampliação da regulação e do apetite dos consumidores por produtos sustentáveis impulsione a escalabilidade dessas iniciativas.
“A transparência permite a escolha do consumidor, mas é mais difícil para cadeias como soja e milho, onde o aumento de preço pode levar à substituição (ex: etanol por gasolina). Regulação e incentivos tributários são necessários, mas o desafio do preço persiste.”
TCHAU OU ATÉ LOGO?
Presidente do conselho da Tupy (TUPY3) renuncia, mas não deve dar adeus à empresa
28 de setembro de 2026 - 19:24REVANCHE EM SOLO INGLÊS
Nubank tomba quase 9% em NY após rumor de compra bilionária no Reino Unido; roxinho prepara revanche contra a Revolut?
28 de setembro de 2026 - 15:51DE OLHO NO FUTURO
WEG (WEGE3) anuncia dois investimentos milionários em grandes avenidas de crescimento da próxima década
28 de setembro de 2026 - 15:15OLHO NA TARJA
O detalhe que levou a Anvisa a proibir a Hypera Pharma (HYPE3) de divulgar a caneta emagrecedora Semavy
28 de setembro de 2026 - 7:54ENTREVISTA EXCLUSIVA
Inter adiou o ROE de 30%, mas não desistiu da meta: CEO revela qual é a prioridade agora
28 de setembro de 2026 - 6:14AGORA É SÓ SUBIR
Hapvida (HAPV3) chegou ao fundo do poço e pode ter até R$ 30,8 bilhões em benefício — mas ela ainda precisa fazer isso para se recuperar, diz UBS
27 de setembro de 2026 - 13:02ESTRATÉGIA
Carrefour vende 21 lojas de bairro a gigante do varejo, que estreia em São Paulo com nova bandeira; saiba qual
27 de setembro de 2026 - 10:02O CENÁRIO BULL
XP, Nubank, Itaú, Bradesco, Santander e BTG: dois bancos vão se dar melhor se a Selic cair, segundo o UBS BB
25 de setembro de 2026 - 14:35SAÚDE DO CRÉDITO
Inter (INBR32) ainda não viu o pior: inadimplência deve subir no 3T26; CEO revela de onde vem a pressão
25 de setembro de 2026 - 12:51PREÇO NÃO É O SUFICIENTE
Ozempic no Mercado Livre emagrece as ações da RD Saúde (RADL3) e Pague Menos (PGMN3); bancos explicam o que falta para o Meli bater de frente com as grandes redes
25 de setembro de 2026 - 11:19Conteúdo Empiricus
Apesar da adoção crescente da inteligência artificial, 41% das empresas ainda apresentam dificuldades na integração com agentes de IA
24 de setembro de 2026 - 14:00NO BOLSO
Yduqs (YDUQ3) anuncia dividendos de R$ 750 milhões após fusão com a Afya, mas presente da dona da Estácio ao acionista pode ser ainda maior, diz JP Morgan
24 de setembro de 2026 - 13:45VENDE BRKM5, RECEBE DÍVIDA
OPA da Braskem (BRKM5) com data marcada: vale a pena trocar as ações pelo que o novo controlador oferece?
24 de setembro de 2026 - 12:32MAIS DE R$ 9 BILHÕES EM RECEITA
Yduqs (YDUQ3), dona da Estácio, anuncia fusão com a Afya e cria gigante em educação médica no Brasil; veja quanto cai no seu bolso
24 de setembro de 2026 - 9:02ALÉM DA PRIVATIZAÇÃO
Privatização da Copasa (CSMG3) chama atenção do mercado, mas Bradesco BBI tem ainda mais motivos para apostar em alta de mais de 38% para a ação
23 de setembro de 2026 - 16:21O PREÇO DA “GENEROSIDADE”
Petrobras (PETR4) caminha para um dos maiores dividendos do mundo. A ação ficou cara demais para comprar agora?
23 de setembro de 2026 - 14:25NOVO FILÃO DE CRESCIMENTO
Maior alta do Ibovespa hoje: Magazine Luiza (MGLU3) sobe na bolsa após decisão de agência do governo; entenda o que mexe com a varejista
23 de setembro de 2026 - 13:58GOVERNANÇA CORPORATIVA
O conselheiro é independente mesmo? Indicação pelo controlador é comum; saiba quando ela vira um problema para a empresa
23 de setembro de 2026 - 12:33SOB PRESSÃO
Braskem (BRKM5) vira campo de batalha: MP questiona processo e credores exigem que Petrobras (PETR4) e IG4 paguem parte da conta
23 de setembro de 2026 - 11:35PROVENTOS