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Com a desaceleração da inflação e valorização do câmbio, BC pode começar ciclo de cortes da Selic, mas gastos do governo ainda preocupam

A XP Investimentos projeta oficialmente que o Banco Central começará a cortar a Selic em março de 2026, mas reconhece que o cenário atual aumenta a probabilidade de o movimento se antecipar.
Apesar do avanço recente no processo de desinflação, a avaliação da XP é que o Comitê de Política Monetária (Copom), que se reúne nesta semana, deve manter uma postura cautelosa antes de iniciar um ciclo de flexibilização.
Segundo Caio Megale, economista-chefe da casa, “a dinâmica inflacionária tem sido melhor do que o esperado”.
Ele atribui o movimento à valorização do câmbio, à desaceleração da atividade econômica, aos bens importados mais baratos — “especialmente da China” — e à queda nos preços de alimentos. Esses fatores têm pressionado a inflação para baixo e levado as expectativas de curto e médio prazos a recuar.
Megale aponta que o Copom parece mais confiante de que sua estratégia está funcionando. A ata da última reunião dedicou espaço para ressaltar “sinais de moderação na economia e de melhora nas expectativas”.
Ainda assim, o documento manteve tom prudente, reforçando a necessidade de “uma política monetária contracionista por um período bastante prolongado”.
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O economista destaca que há motivos para o Copom seguir cauteloso. Medidas fiscais e parafiscais em discussão podem impulsionar a demanda interna, elevar a inflação e ampliar o déficit em conta-corrente no próximo ano. Além disso, o mercado de trabalho continua apertado, e as expectativas inflacionárias seguem acima da meta.
Nesse contexto, afirma Megale, seria prudente que o Comitê “esperasse mais um pouco antes de iniciar um ciclo de cortes de juros, garantindo a continuidade do processo de desinflação”. Ele, no entanto, não descarta que os cortes possam começar já em janeiro.
A estimativa da instituição é de um ciclo de flexibilização composto por seis reduções consecutivas de 0,50 ponto percentual, levando a Selic a 12% ao ano. Em termos reais, a taxa ficaria em torno de 7,5% ao ano, acima do nível considerado neutro pela casa.
Megale reforça que reformas fiscais serão indispensáveis para avanços adicionais na redução dos juros. Para que a Selic se aproxime do nível neutro — “cerca de 5,5% em termos reais” — seria necessária a implementação de medidas que desacelerem o crescimento das despesas públicas.
Sem esse ajuste, alerta, a trajetória da dívida pode reacender o debate sobre dominância fiscal, como ocorreu no fim do ano passado.
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