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CONCRETO VIROU FARELO

É tudo fachada? Arranha-céu cheio de bilionários e famosos corre risco de colapso

Refúgio de bilionários onde mora Jennifer Lopez corre risco de desabamento. Entenda o que causou a crise no arranha-céu

Arranha-céu de bilionários em Nova York, 432 Park Avenue agora está rachando.
Arranha-céu de bilionários em Nova York, 432 Park Avenue agora está rachando. - Imagem: Divulgação

A poucos quarteirões do Central Park, uma das construções mais icônicas — e caras — de Nova York pode estar prestes a transformar o luxo em ruína. Literalmente O 432 Park Avenue Condominiums, um estreito e imponente arranha-céu que abriga famosos como Jennifer Lopez e magnatas de várias partes do mundo, enfrenta sérios problemas estruturais que colocam em risco sua reputação — e, possivelmente, a segurança de quem passa pela Billionaire’s Row, em Manhattan.

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Erguido em 2015, o edifício de 425 metros de altura e 102 andares se apresenta como o prédio residencial mais alto do Ocidente. 

Arranha-céu de bilionários em Nova York, 432 Park Avenue agora está rachando. Foto: Divulgação

Mas, sob a fachada branca e elegante de concreto e vidro espelhado, o símbolo do luxo nova-iorquino revela rachaduras, infiltrações e uma lista crescente de defeitos.

Moradores que pagaram dezenas de milhões de dólares por um pedaço do céu nova-iorquino relatam vazamentos de água, elevadores parados e tremores da estrutura quando há vento forte.

Porém, agora, a situação não é apenas incômoda: o exterior do edifício apresenta rachaduras visíveis e pedaços de concreto faltando — e pode ser que esses ricaços sejam obrigados a se mudar antes que o prédio inteiro venha a ruir aos poucos.

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Rachaduras em arranha-céu de bilionários em Nova York. Foto: DOB/Departamento de Construção de Nova York

No refúgio dos bilionários em NY, concreto virou farelo

Engenheiros independentes alertam que o prédio pode estar sobrecarregado pelo vento e pela chuva, o que ameaça não só os moradores, mas também os pedestres que circulam pela Park Avenue.

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O que especialistas independentes em engenharia, relatórios de construção e documentos judiciais apostam é que a megaestrutura está sendo sobrecarregada pelo vento e pela chuva.

E, embora não corra risco de colapso imediato, novas fissuras e pequenos desplacamentos de concreto reforçam a necessidade urgente de reparos.

Se os problemas não forem resolvidos, o edifício poderá se tornar inabitável ou colocar em risco os pedestres, disseram os engenheiros.

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Mas a conta não vai sair barata. Segundo o The New York Times (NYT), provavelmente a reforma vai custar algo em torno de nove dígitos. O custo estimado das reformas ultrapassa US$ 160 milhões de acordo com o The Sun — uma conta que, por enquanto, ninguém quer pagar.

A fachada “perfeita” que se tornou um problema

Parte do desastre remonta ao que era, originalmente, o maior orgulho do projeto: a fachada branca de concreto liso, desenhada para refletir o ideal de pureza e perfeição estética.

Mas o material, elogiado por sua beleza, revelou-se uma armadilha técnica. De acordo com o NYT, o material escolhido já era propenso a rachaduras mesmo antes do arranha-céu ser construído.

Isso porque o concreto normalmente adquire a tonalidade cinza devido aos óxidos de ferro presentes no cimento. Qualquer mudança nos componentes pode afetar sua resistência, cor e desempenho.

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Engenheiros e arquitetos alertaram, ainda na fase de construção, que o tipo de concreto escolhido exigia uma mistura delicada para garantir resistência e uniformidade. Na época, as empresas envolvidas na obra a consideraram um dos projetos de concreto mais difíceis já executados.

E-mails de 2012, obtidos pelo New York Times, mostram que Jim Herr, diretor da Rafael Viñoly Architects, que estava por trás do projeto, chegou a prever o que viria: “Eles estão trilhando um caminho perigoso e escorregadio que acredito que eventualmente levará ao fracasso e a processos judiciais.”

A previsão se concretizou. O engenheiro estrutural Steve Bongiorno, de Nova York, afirma que o edifício está “sendo submetido a um estresse maior do que o pretendido”. Segundo ele, infiltrações podem corroer a estrutura por dentro e soltar partes da fachada.

“Pedaços de concreto podem cair, janelas podem se soltar. O edifício se tornará simplesmente inabitável”, alertou o engenheiro.

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O condomínio dos bilionários que está virando pó

O 432 Park Avenue nasceu como símbolo da era dos superarranha-céus de luxo: fino, altíssimo e projetado para ser um refúgio de bilionários. Hoje, o mesmo prédio que prometia status e estabilidade se tornou o retrato da fragilidade desse modelo.

No lançamento, os 125 apartamentos do 432 Park foram vendidos por mais de US$ 2,5 bilhões no total, segundo a empresa de análise de dados imobiliários Marketproof.

A promessa de luxo e de estonteantes vistas panorâmicas do Central Park e além convenceu celebridades como Jennifer Lopez e Alex Rodriguez, que adquiriram um apartamento por US$ 15,3 milhões em 2018 — e o venderam um ano depois, alegando que o espaço era “pequeno demais” para a família.

Porém, o sucesso do condomínio de luxo foi prejudicado por disputas internas entre seus moradores ricos, que não conseguem chegar a um acordo sobre como resolver a crescente lista de problemas do edifício sem prejudicar o valor dos imóveis.

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Hoje, os apartamentos na torre ainda são listados por valores exorbitantes — de US$ 10,5 milhões para um apartamento de dois quartos até US$ 55 milhões em uma cobertura de cinco quartos, de acordo com o site StreetEasy.

O conselho de moradores entrou com dois processos contra as construtoras, acusando-as de vender unidades defeituosas e de ocultar falhas estruturais. 

Já o grupo responsável pela obra, o CIM Group, nega qualquer irregularidade e afirma que as acusações de deterioração da fachada são “infundadas, difamatórias e prejudiciais ao valor dos imóveis”.

*Com informações do New York Times, NY Post e The Sun

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