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Para Rodrigo Azevedo, ex-diretor do BC e sócio da Ibiuna Investimentos, o investidor deveria estar de olho na curva de juros — e não só no Brasil

Com a expectativa de reuniões mornas do Comitê de Política Monetária (Copom) nos próximos meses, a dúvida que fica é o que esperar da Selic e como investir neste cenário. Para Rodrigo Azevedo, ex-diretor do Banco Central e sócio da Ibiuna Investimentos, a resposta está em uma das pontas da curva de juros — mas ele recomenda: é hora de olhar além do Brasil.
“Não vai ter muita emoção nas decisões de taxas de juros nas próximas quatro reuniões do Copom. Talvez as estrelas se alinhem e o primeiro corte venha em dezembro. Mas acho improvável; penso que está mais para março do ano que vem”, afirmou Azevedo, durante painel no evento Expert XP 2025.
O Banco Central já deixou claro que pretende segurar a Selic a 15% ao ano por um longo período.
Com isso, a agenda dos investidores mudou: agora, o foco não está tanto na decisão em si, mas em buscar pistas nos comunicados do Copom sobre quando os juros poderiam começar a cair.
Na visão de Azevedo, para que o Banco Central alcance a meta de inflação de 3% no horizonte de um ano e meio, seria necessário um juro ainda mais alto do que os 15% atuais.
“O juro real está muito alto e o BC decidiu esperar o que acontece. A autoridade tem dito que esse patamar é suficiente para colocar a inflação na meta. Ou seja, o Banco Central decidiu subir menos e esperar mais tempo para confirmar se de fato a inflação está convergindo para a meta”, avaliou Azevedo.
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Para ele, o afrouxamento monetário não deve acontecer nas próximas três reuniões. Talvez, o quarto encontro reserve alguma mudança nas taxas.
“Estamos entrando em uma fase na qual a política monetária vai ser chata e sem emoção”, disse.
Azevedo avalia que a comunicação do Banco Central é “suficiente para manter a curva de juros relativamente alta”, o que aumenta as chances de a autoridade monetária conseguir entregar a meta de inflação no ano que vem.
Apesar de um corte de juros ainda parecer distante, Azevedo traçou o cenário-base da Ibiuna para a Selic. Ele projeta que a taxa básica termine o ano que vem em 13% ao ano — dois pontos percentuais abaixo do patamar atual.
Diante desse cenário, Azevedo vê a ponta curta da curva de juros brasileira como uma boa oportunidade de investimento.
“Ela parece mais assimétrica, porque, para o Banco Central tirar a Selic de 15%, a barra é muito alta. Então, o investidor estaria relativamente protegido.”
Ainda assim, Azevedo admite que está pouco posicionado neste cenário. Em vez disso, ele opta por olhar para fora, onde as tendências de queda nas taxas de juros e a apreciação das moedas locais são mais evidentes.
“É nesse cara que eu quero ter posição em juro curto, muito mais do que o Brasil”, disse.
O sócio da Ibiuna Azevedo também revelou sua perspectiva para o cenário local, especialmente diante do aumento das incertezas globais, como as tarifas comerciais anunciadas por Donald Trump.
Na visão de Azevedo, a natureza das negociações com os EUA é principalmente política, o que limita o impacto macroeconômico direto. No entanto, ele alerta que o efeito político afetará fortemente o câmbio e terá um impacto relevante no custo de risco.
“Teremos muita volatilidade até o ano que vem. Por isso, é bom ter um portfólio relativamente conservador, aproveitando que os juros vão ficar altos por bastante tempo.”
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