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Ex-presidente do BC disse que Lula tinha razão ao dizer para população não comprar alimentos mais caros e buscar substituí-los por outros mais em conta
O economista e ex-presidente do Banco Central (BC) Arminio Fraga chamou a atenção nesta segunda-feira (17) ao concordar com uma polêmica frase do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sobre o preço da comida.
Arminio afirmou que Lula tinha razão ao dizer para a população não comprar alimentos mais caros e buscar substituí-los por outros mais em conta.
Segundo o ex-presidente do BC, é assim que o mercado funciona, e a inflação dos alimentos flutua de acordo com os preços internacionais, com a taxa de câmbio e fatores climáticos. “É difícil mesmo”, disse ele a jornalistas, antes de uma aula magna no Rio de Janeiro.
“O presidente Lula apanhou quando falou ‘então não come, procura outro alimento’. Mas ele tem razão. O preço dos alimentos varia. Ele não está sendo muito feliz em algumas declarações, mas isso que ele falou está correto. É assim que o mercado funciona. Em tudo, e em alimentos também”, disse Fraga.
Fraga se referiu à fala de Lula a rádios da Bahia no começo de fevereiro. Na ocasião, o presidente disse que “uma das coisas mais importantes para que a gente possa controlar o preço é o próprio povo”.
“Se você vai ao supermercado aí em Salvador e você desconfia que tal produto está caro, não compra. Ora, se todo mundo tiver essa consciência e não comprar aquilo que acha que está caro, quem está vendendo vai ter de baixar (o preço) para vender, porque senão vai estragar”, afirmou Lula. “Esse é um processo educacional que nós vamos ter que fazer com o povo brasileiro.”
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Arminio Fraga comandou o BC de 1999 a 2002, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. Foi em sua gestão que foi implementado o sistema de metas para a inflação - que, aliás, foi descumprido em 3 dos últimos 4 anos (2021, 2022 e 2024).
Para não dizer que Fraga ficou só nos elogios, o ex-chefe do BC também teceu comentários críticos sobre a atuação do presidente da República.
Ele disse também que Lula não está conseguindo repetir o desempenho de seus dois primeiros mandatos e que, para isso, têm pesado um "entorno mais difícil", em menção ao Congresso Nacional, e a falta de ideias.
"Sou um admirador da história do presidente Lula, mas ele não está repetindo o desempenho que teve nas presidências anteriores, inclusive porque o entorno é mais difícil, não tem o controle do Congresso, e também porque a falta de ideias me parece bem preocupante.”
"No Brasil há taxas de juros que, sem fazer nada, você ganha 15%. Com a inflação a 5%, está ganhando 10%. Há um problema sério. Os sintomas do paciente Brasil, na parte financeira, são extremamente graves, e nos sintomas de crescimento, não conseguiu dar uma arrancada, algo que já vem de longa data. Não estou muito confortável", completou o economista em resposta a perguntas dos alunos.
E a culpa dos juros altos, defendeu Fraga, não é só do BC.
"Hoje nós temos uma situação fiscal, financeira, do governo muito frágil, que pressiona as taxas de juros, as maiores do planeta, e isso não é maldade do Banco Central." Para o economista, a saída inclui a revisão de “subsídios” tributários e uma nova reforma da Previdência.
Ele disse que em 2016, sob Michel Temer, foi a última vez que o governo brasileiro acertou com reformas como a da Previdência, e marcos legais como o do saneamento e a Lei das Estatais.
"De lá para cá [governos Bolsonaro e Lula], acho que a gente se perdeu na economia", disse.
(Com informações de Estadão Conteúdo)
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