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ANBIMA SUMMIT 2025

Alerta do gestor sobre os mercados: não é porque tudo está calmo, que tudo está bem

Sócio da Panamby Capital diz que o tarifaço de Trump é positivo para o Brasil, mas lembra que crise de 2008 não aconteceu no dia para a noite

EUA, Estados Unidos, Bolsa de valores, mercados, ações, B3, real. Foto iStock
Imagem: iStock

“Isso [o tarifaço dos EUA] foi a melhor coisa que poderia acontecer ao Brasil”, disse Reinaldo Le Grazie, sócio da Panamby Capital, em participação nesta quarta-feira (25) no Anbima Summit 2025

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Ele explica que as medidas comerciais do governo Donald Trump nos Estados Unidos,  motivaram uma saída de recursos da maior economia do mundo — o que foi muito positivo para o Brasil, já que parte desses recursos acabaram vindo para cá. 

“Esse primeiro semestre tem sido bom para as carteiras”, disse o gestor no painel destinado ao panorama da indústria de fundos no país. 

Ele ainda destacou que o mercado não tem colocado riscos geopolíticos nos preços dos ativos, visto que esses eventos têm se dissipado com certa rapidez. No entanto, o gestor não acredita que as tarifas já são águas passadas. 

“Eu acho complicado. É um choque. Você aumenta o custo, alguém tem que pagar. Ou as empresas vão absorver os custos e diminuir os lucros, o que faria a bolsa sofrer, ou o consumidor vai absorver e a inflação vai acelerar”, explicou o gestor. 

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Para ele, a atividade econômica dos EUA deve perder força e a inflação tende a ganhar, em um cenário de estagflação. O gestor acredita que o mercado ainda não está levando esse cenário em consideração.

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Por isso, ele diz que é preciso estar alerta em relação à maior economia do mundo. “Não é porque o mercado está calmo que está tudo bem”. 

O gestor lembra que a crise do subprime (hipotecas) nos EUA, em 2008, não começou naquele ano e sim em 2007, com a quebra do banco norte-americano Bear Stearns. 

“Demorou um ano para chegar a crise. Em uma economia como a dos Estados Unidos, essas coisas demoram”, afirma.

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Para Ana Rodela, CIO do Bradesco Asset, esse cenário nos EUA favorece a continuidade do fluxo de saída de capital por lá, as apostas de dólar mais fraco e a continuidade da entrada de recursos no Brasil. 

“Não porque o investidor gringo goste daqui, mas na hora que esse dinheiro é distribuido, sobra um pouco para nós. Se a gente virar uma toada positiva [no cenário macro e fiscal], acho que podemos ter caso de sobrealocação no Brasil”, destaca Rodela.

A indústria de fundos no Brasil: o que esperar?

Para Rodela, os últimos anos contam uma história de muita resiliência da indústria de fundos, apesar das reviravoltas. 

De acordo com dados divulgados pela própria Anbima no evento, desde 2016 a indústria já atraiu aportes de pouco mais de R$ 610 bilhões, com a renda fixa sendo a queridinha desde 2023, com o aumento no volume de aportes, enquanto os multimercados sofrem.

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Os dados também indicam que os títulos públicos ainda representam 42% das carteiras dos fundos no Brasil. 

No entanto, o crédito privado tem ganhado cada vez mais espaço nos últimos cinco anos, com a participação nas carteiras dobrando desde 2019. Atualmente, 8% das carteiras são compostas por crédito não bancário, enquanto 10% são formadas por crédito bancário.

De acordo com Rodela, essa é uma tendência que veio para ficar.

“No Brasil, estamos falando de high grade [títulos de empresas com boa classificação de crédito], o high yield [emitidos por empresas com classificação mais baixa] ainda é pequeno. Empresas com boa qualidade de crédito e boa remuneração podem não ter spread brilhante, mas estão deixando o investidor satisfeito”, explica.

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Além disso, ela destaca que a participação nesse tipo de ativo ainda era muito pequena e agora tem ganhado espaço. No entanto, na visão de Rodela, o investidor deveria estar olhando com mais atenção para a tomada de risco no crédito privado. 

“Com o cenário atual, muitos investidores estão realocando seus portfólios para o crédito. Mas, nos próximos meses, o cenário parece positivo para quem optar por se alocar em ativos de maior risco”.

Embora essa mudança ainda precise ser consolidada, a expectativa é de que ela ocorra nos próximos meses, com o mercado aproveitando ativos desvalorizados e gatilhos importantes que podem impulsionar essa transição.

“O investidor ainda olha muito só para o retorno. Ainda é uma conversa difícil falar de portfólio e diversificação. Ainda tem a mentalidade de estar no cavalo certo. É difícil estar no cavalo certo sempre”, diz Rodela.

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A taxação de investimentos proposta pelo governo

Para Le Grazie,  da Panamby Capital, a discussão sobre a proposta do governo, que (entre outras coisas) acaba com a isenção para investimentos antes livres de imposto de renda — como Letras de Crédito Imobiliário (LCI), Letra de Crédito Agrícola (LCA) e etc — é relevante no momento, apesar de polêmica. 

“Quando incluíram o come-cotas nos fundos off-shore, o objetivo inicial era eliminar a diferença tributária entre os fundos no Brasil e os fundos offshore, buscando uma qualificação tributária mais equitativa. Nesse contexto, essa proposta visa aumentar o imposto sobre todos os ativos e também diminuir a arbitragem tributária existente”.

Cabe lembrar que o governo de Jair Bolsonaro incluiu o come-cotas nos fundos offshore em 2019, como parte da Lei nº 13.874/2019, também conhecida como a Lei da Liberdade Econômica. 

A mudança visou igualar as regras tributárias entre os fundos de investimento no Brasil e os offshore, que antes eram isentos dessa cobrança. 

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Com essa reforma, os fundos offshore passaram a ser tributados de forma semelhante aos fundos nacionais, com o imposto sendo cobrado antecipadamente sobre os rendimentos, o que buscou reduzir a arbitragem tributária e criar uma tributação mais equilibrada.

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