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É justamente quando a competição não existe que conseguimos encontrar ações com grande potencial de valorização
João está caminhando por uma região remota e sem querer se depara com uma pepita de ouro.
Ao invés de pegar a pedra dourada e sair correndo para trocar por uma bolada, ele tem a seguinte ideia empreendedora:
“A pepita indica que a região deve ser rica, então vou comprar umas ferramentas, trabalhar sozinho e pegar o máximo de ouro que puder.”
No dia seguinte lá está ele, com pás, peneiras e tudo o que você pode imaginar em busca de seu objetivo.
O começo foi promissor: encontrar pepitas sozinho era relativamente fácil, e ele podia até se dar ao luxo de tirar uma sonequinha depois do almoço, porque não havia competição.
Depois de alguns dias de trabalho ele já estava rico, tão rico que os vizinhos começaram a estranhar.
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Curiosos, dois deles seguiram João até o “trabalho” e descobriram tudo. Logo toda a vila estava sabendo, e em menos de um mês o local estava recebendo caravanas de pessoas em busca da sorte.
Em pouco tempo, a competição aumentou brutalmente, e João nunca mais conseguiu encontrar nenhuma pedrinha dourada.
Essa história é obviamente fictícia e eu não sou nenhum estudioso do garimpo brasileiro. Mas ela ajuda a entender um pouco da dinâmica do mercado financeiro.
Os grandes fundos têm uma tarefa árdua: encontrar empresas com alto potencial de retorno, sendo que na maioria das vezes existem dezenas de analistas analisando essas empresas no detalhe.
Pegue como exemplo a Vale, que tem cobertura de 27 analistas, ou a Petrobras, que tem 20. Itaú com 17, Localiza com 18 e B3 com 15 não ficam muito atrás.
Fato é que com tanta gente cobrindo o mesmo ativo, é difícil que ele negocie muito longe daquilo que seria um valor justo. É difícil encontrar uma pepita de ouro, com grande potencial de valorização, se você só pode investir em empresas que possuem milhares de pessoas olhando ao mesmo tempo.
Nesse estágio, a caravana de garimpeiros já chegou, e não tem muito mais o que fazer a não ser contar com a sorte.
Agora pegue como exemplo a Eucatex – que talvez você nem conheça. A companhia é líder no setor de chapas de fibras de madeira, e também é dona de uma das marcas de tintas mais conhecidas do país.
Mas ela negocia menos de R$ 1 milhão por dia, o que impede a grande maioria dos fundos de investirem na empresa.
E se fundos não podem investir em uma ação, a cobertura dela por analistas de sell side se torna inútil: “se nenhum fundo se interessa em comprar, eu não vou perder tempo analisando isso”.
Isso faz com que algumas empresas pequenas fiquem totalmente fora do radar do mercado, de analistas e de investidores.
E como você já aprendeu, é justamente quando a competição não existe que conseguimos encontrar pepitas de ouro na bolsa.
Caso não tenha visto (na verdade, eu duvido que você tenha visto), as ações da Eucatex subiram +9,5% ontem (15), depois de resultados muito fortes referentes ao primeiro trimestre de 2025.
A receita subiu 16% com reajuste de preços, vendas de produtos com maior valor agregado e aumento nas exportações. Com a ajuda adicional de um bom controle de gastos, o Ebitda saltou 31% e o lucro líquido 69%.
Todos esses são números vistosos, mas o que mais chama atenção é a combinação deles com que consideramos ser um valuation muito, mas muito barato mesmo.
A companhia teve um lucro de R$ 100 milhões no trimestre, ou R$ 400 milhões se anualizarmos esse valor. Agora compare esse número com o valor de mercado da Eucatex hoje: R$ 1,4 bilhão.
Ou seja, estamos falando de um múltiplo de apenas 3,5 vezes preço/lucros; definitivamente, não é um múltiplo que se vê todo dia. Ainda mais considerando que estamos falando de uma empresa decente, líder de mercado e com um balanço bastante saudável.
O problema é justamente o tamanho da companhia. Com apenas R$ 1,4 bilhão em valor de mercado (mesmo depois da forte alta de ontem) a Eucatex passa longe do filtro da imensa maioria dos investidores.
Na verdade, a maioria dos fundos nem consegue investir nos papéis hoje, dado que o volume médio de negociação está abaixo de R$ 1 milhão por dia.
Essa falta de concorrência é o que nos permite comprar ações dessa ótima empresa, por um múltiplo que você raramente vai conseguir encontrar, a não ser que esteja procurando nos lugares certos, longe dos holofotes e das caravanas de garimpeiros.
E quando eles chegarem e os papéis começarem a negociar por múltiplos mais condizentes com a realidade, 5x, 6x, 7x, poderemos vender com ótimos lucros e procurar por uma nova pepita.
Essa é a maravilha de se investir nas ações presentes na série Microcap Alert: empresas sólidas, muitas vezes líderes de mercado, mas que a maioria nem sabe que existe, e também por isso têm ótimo potencial de valorização.
Aliás, o Felipe Miranda tem dito que estamos diante de uma das maiores oportunidades de investimentos em microcaps da história da bolsa brasileira. Se quiser, pode conferir o vídeo aqui.
Um abraço e até a próxima semana!
Ruy
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